2 de abr. de 2009

Sentindo a voz de Deus


“Quis escrever músicas que fizessem as pessoas sentirem-se bem.
Música que ajuda e cura, porque eu acredito que a música é a voz de Deus.”

Brian Wilson [via Laion Monteiro]

PROMOÇÃO

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31 de mar. de 2009

Contaminados


Quando falamos de contaminação, lógico que entende-se que algo esta poluído. Com suas características alteradas.

Ex:Em rios tem-se os problemas de produtos tóxicos que são despejados. Os contaminadores são aqueles cujos conteúdos trazem deformação, quebra do natural no meio. Os contaminadores podem ter origens diferentes: biológicos (micróbios causadores de doenças), naturais (vulcões), químicos...

Mas hoje entende-se que o maior contaminador é o próprio ser humano! Determinados materiais fabricados pelo homem não podem ou resistem serem alterados pela ação dos organismos decompositores, razão pela qual diz-se que eles não são biodegradáveis (Muitos são até famosos...por suas ações...). Esses materiais se acumulam no meio, e oferecem um grave perigo para a sobrevivência dos seres vivos. Quanta contaminação... quase tudo alterado.

Pense comigo... O homem está contaminado! É contaminado pelas influências, pela informação, pela busca, pela religião... Pelo próprio homem! Quantos poluentes são despejados em emissoras, púlpitos! A água que devia saciar a sede, está poluída... mutações religiosas se procriam! O lixo tóxico lançado nos corações viciam modismos, negócios e religiosidade! A contaminação causa doenças, e contaminado, o homem tem dependência de mais toxinas. As pregações que jorram por esses tubos de esgoto das tantas falsificações da palavra verdadeira adoecem o homem, matam a criação, enfraquecem... mutam!

Alguns produtos da atividade humana podem ser decompostos por serem biodegradáveis! Mas se a quantidade de matéria despejada for superior à que os decompositores podem transformar, ela irá acumular-se e produzirá mas contaminação... é preciso pressa!!! Para alcançar esses, humanos biodegradavéis, estamos aqui, mesmo que em blogs, mesmo que como decompositores!! E embora mesmo que fundamental, não é nada fácil a função de tal...

DECOMPOSITOR: transforma as partes inutilizáveis ou perdidas no ser, seus excrementos ou cadáveres em algo reutilizável. A contaminação está se espalhando... onde estam os decompositores?

PENSANDO SE VAI LONGE... AGINDO SE CHEGA AO LUGAR CERTO!

Girlene em seu blog Gi.Silva

P.S.: E ajudar a acabar com a poluição gerada pelos púlpitos corrompidos não é tarefa fácil... todos nós temos nosso grau de contaminação.

30 de mar. de 2009

6.3-10


Se alguns líderes, pastores, bispos ou apóstolos andam ensinando coisas que não têm nada a ver com a Mensagem do Evangelho e são incoerentes com as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo no caráter do amor, são orgulhosos e não entendem nada. Esses só estão a fim de disputas teológicas e discussões, que acabam em inveja, brigas, fofocas, segundas intenções e concorrências deliberadas entre aqueles que têm a cabeça deturpada e que não conhecem a verdade, que pensam que o Evangelho é fonte de lucro.

Claro, que a alegria do Evangelho carrega em si um imenso valor, por que viemos a este mundo sem nada e não levaremos nada dele, por isso, se nós temos a oportunidade de alimentar-nos e de vestir-nos, demo-nos por satisfeitos. Os que almejam ficar ricos estão mais propensos a afastarem-se de Deus, seduzidos pelo poder e pela segurança que o dinheiro traz e entregando-se aos desejos descontrolados e que lhes fazem mal, que afogam os homens na ruína e na destruição, por que a gana pelo dinheiro é a origem de todos os problemas. Muitos, por cobiçarem o dinheiro, abandonaram a fé e se atormentaram com muitos problemas.

Maldita religiosidade


As grandes batalhas encontradas na Bíblia não estão registradas nos livros das Crônicas dos Reis de Israel - tão pouco no Antigo Testamento, os grandes entraves nas Escrituras são mencionados nos evangelhos onde de um lado se vê um Deus humano e gente contra homens "deuses" de si mesmo; sim, pode lhe parecer estranho, mas as maiores guerras não são as que contêm mortes através da espada, as maiores batalhas encontradas na Bíblia com toda certeza são aquelas onde as personagens são o próprio Deus contra os religiosos judeus.

Talvez você pergunte por quê; digo-lhe ser isso muito evidente: A missão de Cristo foi, sobretudo, a libertação do homem de tentar ser Deus e admitir quão bom é ser gente dependente de Deus.

Eu sempre sofri com a frase de Karl Marx: "A religião é o ópio do povo". Minha angústia para com essa idéia não está no conceito marxista de que a principal função da religião é anestesiar o homem de sua realidade – o cristianismo revelado nas Escrituras contradiz Marx, mas penso sim, e a cada dia me convenço de que infelizmente a religião é ópio do povo enquanto serve pra infantilizá-lo, enquanto serve pra aliená-lo.

No último sábado dois queridos amigos se casaram (diga-se de passagem, foi um dos melhores casamentos que já participei). Já havia decidido que o casamento deles seria um divisor de águas na minha vida: eu iria dar o primeiro passo para romper com todos os fragmentos alienantes que a religião propunha sobre mim. O momento que mais ansiei foi a hora da valsa seguida pela liberação da pista de dança; instantes antes me pus a pensar como seria – cheguei até a titubear, mas logo fui envolvido pelo aviso do DJ quanto ao inicio da valsa. Em acabando a valsa, voltei ao meu devido lugar, tão logo a música começou, a pista foi liberada, relutei, confesso, tive medo de não ser mais o mesmo, tive medo de magoar e escandalizar muitos dos que ali estavam, porém algo dentro de mim dizia: herói ou covarde? Jesus ou Pedro? Aceitar a religiosidade ou pular os seus muros? Enfim, dancei, e dancei por mais de três horas seguidas, não sei se o fiz bem, até porque fazia tempo que não chacoalhava o esqueleto, mas fiz. Enquanto dançava um sentimento de liberdade tomou conta de mim, ouvia aplausos no meu consciente, me sentia a cada hora que passava ali dançando um herói.

Quando o ímpeto acabou voltei ao meu lugar por definitivo, logo percebi nos olhos de muitos, uma repulsa imensurável, vi revolta e senti desaprovação, mas tudo isso não me abalou, eu estava satisfeito. (Daria tudo pra estar em Caná da Galiléia, dançando com o mestre, cantando e batendo palmas assim como ainda fazem os judeus.) Contudo, algo me abalaria naquela noite. Ao abraçar uma das pessoas que ali estavam recebi uma recomendação: irmão William! Acho melhor você não tomar Ceia amanhã depois desse pecado que você cometeu. Eu estava com o pensamento tão longe que não consegui discernir serem aquelas palavras uma condenação ou uma ironia, só sei que aquela frase me roubou algumas horas da madrugada do domingo. Não tive tragados alguns minutos de minha noite pelo fato de ser aquela pessoa que me disse isso e sim pelo que ela disse.

Sendo ironia ou não, o fato é que muitos pensaram como ela, alguns externaram outros estão até agora explodindo por dentro. Agora eu sei como se sentiram os religiosos quando viram Jesus sentado à mesa com prostituas e publicanos e como se sentiu o mestre, o sentimento é o mesmo, cheguei à conclusão de que a religião "lavou" de tal forma a capacidade sensitiva e raciocinaria das pessoas, de modo que elas colocam no inferno uma pessoa pelo fato dela ter insistido em ser gente e estar com gente.

São inúmeras as provas e incontáveis os fatos que provam o quanto a religião pode alienar o ser humano, constam nos anais da história da humanidade tristes casos em que pessoas se mataram acreditando pegar "carona" em cometas, Galileu foi obrigado pela religiosidade a contradizer-se, as cruzadas talvez seja o maior exemplo do quanto a religião é poderosa em alienar o ser humano, jihad's aconteceram e acontecem a todo instante, tanto no Oriente como em qualquer lugar onde mata-se pela causa de Deus. Quantos homens e mulheres têm suas almas e seus sentimentos assassinados nas igrejas evangélicas brasileiras – tudo em nome dos bons costumes; quão incontáveis foram os escravos assassinados pelos colonizadores com o apoio da Igreja de Roma e em alguns casos sob o lema da predestinação.

O que os evangélicos (reformados, pentecostais, pseudos e afins) não sabem ou se sabem fingem não saber, é que Lutero e todos os "grandes" da fé Cristã não lutaram apenas contra a idolatria da igreja Romana – isso foi o de menos, o que eles mais buscaram foi anunciar que o homem através da graça da Deus e mediante a Fé no Filho de Deus deveria insistir e acreditar na humanidade, e esta ainda que decaída, poderia ser restaurada pelo sacrifício de Cristo sem deixar de ser gente e de gostar de gente.

Decidi me tornar num forte opositor da religiosidade (embora já seja com reservas), desacreditando que ela possa assumir e efetuar os sonhos de Deus para com o homem; acredito ser uma espiritualidade genuína o sonho de Deus para sua imagem e semelhança. Vou dar a cara para bater, vou colocar minhas duas mãos no fogo pelo reino de Deus, que não infantiliza; que não adestra e que não aliena; reino que liberta o homem do velho homem e dá a ele a alegria de ser gente; que livra o homem no corpo da morte, reino que forja no ser decaído a imagem do Filho de Deus.

Por fim, concluo o quão pobre são os religiosos, querem deixar de ser homem achando o ser Deus algo mais nobre - ledo engano, e a maior prova disso é que o próprio Deus insistiu em ser homem provando a todos que é possível "ser humano" sem deixar de ser divino.

Em Cristo, que dançou e bebeu muito no casamento em Caná de Galiléia,

Meu grande brother Will no blog Celebrai!

P.S.: "A missão de Cristo foi, sobretudo, a libertação do homem de tentar ser Deus e admitir quão bom é ser gente dependente de Deus." Genial, profundo e certeiro...

29 de mar. de 2009

Não fui eu, foi minha medula óssea

Eu tento parar de pegar no pé dos meus amiguinhos crentes. Juro que tento (nã... nem tanto!). Mas, é sério, às vezes evito um pouco. Até porque, depois que conheci o Pava Blog e tive alguns textos linkados lá, conheci vários crentes muitos ponderados e sensatos, que conseguem discordar de minhas idéias sem atacar minha pessoa.

Mas, todavia, porém, contudo, quando recebo um spam-convite como aquele logo abaixo é como se recebesse um pedido de "July, detona nóis, vai!".



Olha, eu já ouvi falar de maldição hereditária, cura interior, nuvem da glória de Deus, guerra espiritual, mas "Influência da Iniquidade no DNA"? Oh, my God! Como assiiiiim?!

Fui atrás de saber mais e descobri que alguns dos temas do tal congresso seriam:
- Conexão com os espíritos geracionais;
- Maldições geracionais;
- Cativeiros geracionais (o povo lá gostou da palavrinha 'geracional');
- Tronos de iniquidade;
E... fechando com chave de ouro, coroando o samba do crente doido:

- O cordão umbilical espiritual, e
- O PAPEL DA MEDULA ÓSSEA NA INIQUIDADE!!!

Desculpe o caps lock e a profusão de pontos de exclamação, mas não dá pra resistir! É isso mesmo que você está lendo: a medula óssea tem um papel na iniquidade.

Então, tá explicado, caro pecador inveterado. Você aí sentindo-se péssimo por não conseguir largar a putaria, o cigarro, o orgulho, a sonegação de impostos, a avareza... Mas, no fim das contas, você não tem culpa nenhuma. É um problema da sua medula óssea, off course!

Juliana Dacoregio
em seu blog Heresia Loira

P.S.: Fico me perguntando, qual será o limite para tanto besteirol "evangélico"?.

Resultados macabros...


"Mas, o que isso tudo tem gerado, de verdade? Decepção, fragorosa decepção é tudo o que está sobrando no frigir dos ovos. As bênçãos mirabolantes não vieram porque Deus nunca as prometeu, e Deus não pode ser manipulado. O sucesso e a riqueza que, porventura, vieram foram mais fruto de manobras “espertalhonas”, para dizer o mínimo, do que resultado de fé. Aliás, para muitos foi ficando claro que o que chamavam de fé, nada mais era do que a ganância que cega, onde o antigo conto do vigário foi substituído pelo conto do pastor [...] Hoje, além de tudo o que encerra a sua missão, a Igreja tem de corrigir os erros que, em seu nome, e em muitos casos, sob a sua silenciosa conivência, foram e ainda estão sendo cometidos."

Ariovaldo Ramos
[via Púlpito Cristão]

28 de mar. de 2009

Os truques da profissão


Marjoe Gortner foi o primeiro pregador evangélico a denunciar as falcatruas da sua profissão. Em seu documentário Marjoe, gravado em 1971 e ganhador do Oscar no ano seguinte, Gortner revela os milenares truques da profissão e expõe as características de indústria do entretenimento que tornaram o evangelicalismo um movimento popular de enorme sucesso comercial.

Se viver para sempre, Hugh Marjoe Ross Gortner permanecerá provavelmente “o mais jovem ministro ordenado do mundo”. Nascido em 14 de janeiro de 1944, Marjoe quase morreu estrangulado pelo próprio cordão umbilical por ocasião do parto. O obstreta disse a sua mãe que apenas por um milagre a criança havia sobrevivido, e assim “Marjoe”, – de “Maria e José” – a Criança Miraculosa, assumiu sua posição na extremidade mais recente de uma longa linhagem de ministros evangélicos.

“Você começa com um cara que tem um problema muito evidente”.

Desde o começo suas habilidades de pregação foram meticulosamente cultivadas. Antes de aprender a dizer “mamãe” e “papai”, Gortner foi ensinado a entoar “Aleluia!” Quando tinha nove meses de idade sua mão ensinou-lhe o modo correto de gritar “oh, glória!” no microfone. Aos três anos de idade ele sabia pregar o evangelho de memória, e recebia aulas de interpretação dramática em toda espécie de arte performática, de solo de saxofone a manejo de bastão em desfiles.

No Halloween de 1948, com quatro anos de idade, Marjoe foi oficialmente ordenado ao ministério e lançado numa carreira extraordinariamente bem-sucedida; ele era a Shirley Temple do Cinturão da Bíblia norte-americano, a dispersa comunidade não-geográfica de aderentes radicais às escrituras cristãs. Na década seguinte ele pregou para tendas e casas repletas de uma costa à outra, enquanto audiências entusiásticas arrebanhavam-se para ver a Criança Miraculosa, que dizia-se receber seus sermões diretamente do Senhor durante o sono. Graças ao treinamento cuidadoso, à severa disciplina e à insaciável ambição de sua mãe, os sermões de Marjoe eram impecavelmente memorizados: cada palavra, cada pausa, cada gesto. “Aleluias” e “améns” pontuavam com freqüência as suas performances, que eram astuciosamente promovidas com títulos tais como “Da cadeira-de-rodas ao púlpito” e “Rumo ao último rodeio” (que Marjoe pregava em traje de cowboy).

Os cativantes sermões de Marjoe raramente deixavam de encher até a borda os pratos de coleta da igreja, e suas famosas curas de fé eram miraculosas até mesmo para ele. Na adolescência, no entanto, Marjoe foi se desiludindo diante da contínuo encenar de seus poderes divinos. Ele deixou o movimento evanglélico em busca de meios de sustento mais legítimos. Fez parte de uma banda de rock, tentando acompanhar os novos tempos, mas em seguida voltou para o circuito evangélico a fim de gravar seu documentário-denúncia. Marjoe é um daqueles filmes francos que toca áreas profundamente sensíveis da moralidade americana, e que resvalam na questão da locupletação.

[Em 1977] entrevistamos Marjoe em sua casa em Hollywood.

– Não tenho poder algum – ele foi dizendo logo, só para deixar as coisas muito claras. – E nenhum desses caras tem. Centenas de pessoas foram curadas nas minhas cruzadas, mas sei muito bem que não foi devido a alguma coisa que eu estivesse fazendo.

Com base em seus anos de treinamento e experiência, Marjoe situa a fonte do seu poder divino diretamente nos rebanhos que reuniam-se para receber das suas bençãos.

– Você começa com um cara que tem um problema muito evidente – explica ele. – Você tem de começar dessa premissa. As coisas não têm dado certo pra ele, ele está buscando alguma coisa, o que for. Ele então vem para uma dessas conferências de avivamento. Ele ouve coisas muito bem organizadas. Ele vê dezenas de pessoas radiantes ao redor dele, gente que parece estar muito, muito feliz; estão todos convidando o cara para vir e juntar-se ao seu grupinho e parece fantástico. Eles todos dizem: “Ei, minha vida mudou!” ou “Ei, consegui um emprego novo!” É neste ponto que ele está pronto para ser salvo, ou nascido de novo; e assim que ele nasce de novo eles todos o abraçam e dão-lhe palmadinhas nas costas. É como ser admitido num clube de elite muito especial.

“É como ser admitido num clube de elite muito especial”.

Para Marjoe, o verdadeiro espetáculo está com a audiência; ele servia primariamente como um regente de orquestra.

– Como pregador – diz ele, – estou trabalhando a multidão, observando a multidão, tentando conduzi-los a um ponto alto em determinado momento da noite. Deixo que tudo vá crescendo e contribuindo para aquele momento em que estão todos em êxtase. A multidão reage ao estímulo e você tem de cuidar para não interromper. Você começa dizendo que ouviu que aquela vai ser uma grande noite; em seguida começa a desfiar a cantilena e não deixa a peteca cair.

Para Marjoe, que já testemunhou-o um milhão de vezes, o momento divino de êxtase religioso não tem qualidade mística alguma. É uma simples questão de frenesi grupal que tem sua contraparte em qualquer agrupamento de pessoas.

– É exatamente como um concerto de rock – ele assegura. – Você tem um número inicial de impacto, depois segue com os velhos clássicos num crescendo que culmina com o seu maior sucesso.

A canção de sucesso, no entanto, é o renascimento espiritual, resultado de uma receita comprovada de religião na qual o pregador e cada membro da audiência contribuem com algum pequeno mas importante ingrediente. Então, de acordo com Marjoe, o único possível bis ao avassalador momento de ser salvo é uma demonstração pessoal do poder da fé recém-encontrada. Esse é o fator motivante para a aquisição do dom falar em línguas estranhas, também conhecido como “receber a glossolalia”. Como explicado por Marjoe, essa conhecida tradição evangélica requer uma participação ainda maior da audiência e da pessoa que recebe o dom de línguas.

– Depois que você foi salvo – prossegue Marjoe, – o passo seguinte é o que eles chamam de “encher-se do Espírito Santo”. Eles dizem a um novo convertido, “Está certo, você foi salvo, mas agora precisa do Espírito Santo”. Você então volta para obter a experiência com as línguas. Algumas pessoas recebem na mesma noite; outras voltam semanas ou anos antes de poderem falar em línguas. Você ouve as línguas, ouve todo mundo falando na igreja de noite, e estão todos dizendo “Nós amamos você e estamos esperando que você receba esta noite”. Então uma noite você vai até lá e eles ficam tentando fazer com que você receba a coisa, e você entra no que é em grande parte um transe; não chega a ser um frenesi, mas é uma experiência incrível. Durante esse momento a pessoa esquece tudo sobre os seus problemas. Ela está cercada por gente em quem confia e estão todos dizendo, “Nós te amamos. Você foi aceito por Cristo. Estamos aqui com você, entregue todo o seu ser, relaxe”. E mais cedo ou mais tarde a pessoa começa a falar um dut-dut-dut, e todo mundo diz, “É isso mesmo! Você recebeu!” O botão foi pressionado: a pessoa decola e começa de fato a falar em línguas: dêian-daiélo-mossatái-lissasso e assim por diante.

Em seus anos no cinturão da Bíblia Marjoe começou a ver a experiência evangélica como uma forma de entretenimento popular, uma espécie de teatro divino interativo que provê profundas recompensas emocionais às audiências.

“a experiência evangélica é uma forma de entretenimento popular”.

– As pessoas lá fora não vêem como entretenimento, mas na verdade é. Essa gente não vai ao cinema; não vai a bares nem bebe; não vão a concertos de rock; mas todo mundo precisa de uma válvula de escape emocional. Eles por isso vão a reuniões de avivamento e ali dançam á vontade e falam em línguas. Tem a aprovação do seu círculo social e é o escape deles.

Dentro do contexto do entretenimento social, Marjoe se orgulhava do seu papel de astro como evangelista itinerante.

– Minha tarefa era dar a eles o melhor show possível - conta ele. – Digamos, um pastorzinho tímido da Carolina do Norte ou de outro lugar. Ele precisa trazer evangelistas de fora para manter a sua igreja caminhando. Então nós vamos até lá, agitamos a multidão e somos superastros. É no carisma do evangelista que as pessoas acreditam; é isso que elas saem de casa para ver.

O que fez com que Marjoe se desiludisse ao ponto de se afastar do negócio de entretenimento religioso foram alguns dos aspectos perturbadores do movimento evangélico.

– Quando viajava eu costumava conhecer gente ansiosa para ser salva numa das minhas conferências; gente profundamente aberta e fervorosa em seu anseio pelo Espírito Santo. Era empolgante e estimulante, mas quatro anos depois eu voltava e via que aquela pessoa tinha se transformado num crente intolerante e cabeça-dura porque agora tinha Cristo. É aí que está o perigo. As pessoas querem uma experiência; querem sentir-se bem, e suas vidas podem de fato beneficiar-se disso. Mas quando você vai passando para a operação da coisa, o que resulta é gente autoritária, poder e dinheiro.

Marjoe reconhece que seu poder sobre as audiências deriva-se primariamente das habilidades de retórica que nos foram transmitidas pelos antigos gregos.

– Não faz diferença se você é um pregador, um advogado ou um vendedor – disse-nos ele. – Você começa interfetindo nos processos mentais de uma pessoa e gradualmente, em pouco tempo, consegue fazer com que eles se desviem para onde você quiser.

Hoje em dia Marjoe restringe a aplicação dos seus talentos à sua carreira de ator e às causas sociais em que acredita. Dentre essas a principal é informar as pessoas a respeito das técnicas de retórica utilizadas para manipular suas idéias e sentimentos. A maior parte das técnicas dominadas por Marjoe é simples e muito antiga, mas são tão eficazes que podem ser igualmente efetivas mesmo quando as pessoas são advertidas explicitamente, de antemão, de que técnicas de manipulação estarão sendo empregadas.

“Basta eu dizer a minha velha fala, Em nome de Jesus!”

– Dou palestras em universidades cerca de duas vezes por ano – contou Marjoe, – mas sempre deixo que eles peçam uma demonstração. Explico que não acredito naquilo, que uso toda uma série de truques. O título da palestra é “Retórica e carisma”, então ao final já deixei muito claro como é feito, mas eles ainda assim pedem para ver uma demonstração. Eu replico, “Não, vocês não estão realmente a fim de ver”, e eles dizem “Estamos sim! Queremos ver!” E eu digo, “Mas de qualquer forma vocês não acreditam, não tenho como fazer”. E eles: “Nós acreditamos! Nós acreditamos!” Depois de vinte minutos disso peço um voluntário, faço alguma garota subir ao palco e digo, “Então você quer se sentir melhor?” Ela diz que sim e eu: “É mentira! Você subiu até aqui só para se divertir e porque quer impressionar esse pessoal e me deixar com cara de bobo e ridicularizar essa história toda. Você tem certeza que não quer voltar para o seu lugar?” Sou duro com ela, e ela diz, “Não, não é isso. Eu acredito!” Continuo nessa linha até que ela esteja quase em lágrimas. E então, embora essa seja uma turma de faculdade e eu esteja fazendo a coisa toda como piada, basta eu dizer a minha velha fala, Em nome de Jesus! e tocá-los na testa e pam!, caem todos de costas no chão, todas as vezes.


fonte: Bacia das Almas

[dica do Volney]