28 de abr. de 2009

Deus, Trindade, Lou Mello e um pouquinho de Mark Driscoll.

A Trindade:

O Novo Testamento não contém a doutrina desenvolvida da trindade. “Falta, na Bíblia, a declaração expressa de que o Pai, o Filho, e o Espírito Santo são de essência igual e, portanto, num sentido igual, o próprio Deus. Falta, também a outra declaração expressa de que Deus é Deus assim, e somente assim, i.é. como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Estas duas declarações expressas, que vão além do testemunho da Bíblia, são o conteúdo duplo da doutrina da Igreja acerca da Trindade”.

Karl Barth


Quando dava aulas em seminários, costumava fazer uma série de pegadinhas estratégicas com meus alunos, com a finalidade de conseguir algo muito raro, fazê-los pensar. Uma delas consistia em desenhar um triângulo eqüilátero (Ângulos congruentes) no quadro. No vértice superior Escrevia: Deus Espírito, no inferior à direita: Deus Pai e no inferior à esquerda: Deus Filho. Sentava em minha cadeira e fazia a chamada. Depois aguardava até algum aluno manifestar-se. Quase sempre, alguém dizia: “Professor, a figura aí está errada. Deus Pai deveria estar em cima, Deus Filho na parte inferior à direita e Deus Espírito na inferior esquerda”. Então fazia pose de pensador e ficava olhando o triângulo fixamente e depois perguntava por que. A resposta era sempre a mesma: “Porque o Deus Pai é superior ao Deus Filho que é superior ao Deus Espírito”. Sei, e onde está escrito isso? Perguntava com cara socrática.

Interessante a figura criada por Willie em A Cabana com Papai, Jesus e Sarayu, representado a trindade Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Vozes levantaram-se, especialmente entre os dignos representantes da ortodoxia fundamentalista reacionária, onde se destaca o quase emergente Mark Driscoll, que de emergente só tem as calças de caipira lançadas no mercado pelo Manning. O cara é mais radical de direita do que o Tonicodemus.

Isso é engraçado, se não for trágico. Para mim, enquanto lia interessado, sobretudo para saber onde aquilo tudo iria dar, aquelas três figuras de Deus me faziam lembrar as tantas e tantas formas encontradas pelo Criador para manifestar-se à sua criação. Até na Bíblia podemos encontrá-las. Além de figuras humanas múltiplas, ele também aparecia para suas vítimas em formas diferentes como fogo, vento e brisa. Certa vez incorporou em uma mula para se fazer entender ao obtuso Balaão. Oh! Deus na forma de uma mulher negra? Jamais! Na forma de uma mulher asiática meiga? Nem pensar! Deus é macho tche!

Se eles soubessem que Deus é o professor de balé do Willie, ficariam horrorizados. Mas aqui na Gruta, Deus pode ser um senhor com cara de Lord Inglês ou um vendedor de pamonhas nordestino. Tanto faz. Como diz o Willie, suas opções dependem do freguês porque ele não busca os interesses próprios, mas os do próximo afim de estabelecer relacionamentos sadios e profundos.

Então, qual é a maneira correta de incluir Deus no Triângulo acima?

Fresco da Gruta, não da Cabana.

[via Igreja Emergente]

27 de abr. de 2009

Obrigado Senhor?


Diante dessa tirinha, confesso, me sinto muito constrangido em agradecer a Deus pelo alimento. Me vem a memória o excerto do Pai Nosso: "o pão nosso de cada dia, dai-nos hoje". Sei que Deus cuida de nós. Jesus nos ensina que o Pai nos dá/dará o necessário para que vivamos: vestir, comer e beber. Isso é um desatino para quem vive em um mundo consumista, capitalista e materialista onde o "ser" foi tragado pelo "ter".

Também tenho enorme dificuldade de, algumas vezes, celebrar minha sorte quando lembro que outros, até mais justos que eu, são menos afortunados. O meu constrangimento não é por causa de Deus. Mas, porque não tenho as respostas para tanta discrepância divina.

Dias desses, meu primo e eu brincávamos enquanto passeávamos em seu carro (carinhosamente apelidado de "tipão") surradinho dele. Ele dizia, "Que coisa, olho para um lado, uma F-250 adesivada com "Presente de Deus!", olho para outro, um Honda Civic com os dizeres "Foi Deus quem me deu...". Vez ou outra passam "altos" carrões com adesivos dizendo que Deus os deu de presente. Daí fico imaginando por que car*lho Deus me deu esse "tipão"... kkkkkk".

Enfim, tenho tantas perguntas, tantas dúvidas, mas, não posso deixar de amá-Lo só porque sou um reles mortal que não ainda não entende a Eternidade.

Orgasmos



Do conservador
Assim, assim, assim, fica só assim, assim não! Assim, não feche o manual, isso, assim! assssiiiiimm! Assssiiiimmmm!

Do neo-pentecostal
Ai...Vou tomar posse, vou tomar posse...Toma... Tomaaaa... – Então desamarra! Desamarraaaa! Repreendemos agora toda manifestação precoce! Eu declaro, esse gozo é meeeeu! Oh Vitóóóriaaaa!

Do carismático
Oh amor... Receba o dom... Levante suas mãos... Levante seus pés... Repita comigo: Eu tenho poder! Eu tenho poder... Clame! Clame! Liberte sua língua... O dom está vindo... Está vindoooo... Diga ao parceiro ao lado: eu te abençou-ooooo!

Do pentecostal histórico
Oh... Alê...Alê... Meu amor, Alê, alabachúrias, ondebachúrias, aquibachúrias, quantabachúrias, oh língua... Manifesta-se como prova do meu amor... Oh lábios... Ohhh, Alê... Aleluiaaaaaa...

Do adventista
Vem... Vem... Vem... VEM... VEEM ... VEEEEMM!

Do metodista
Aiiiii... Ééééhhhh... Iiiiihhhh! Ohhhhh... UUUiiiii.... Ahhhmém!

Do presbiteriano
Oh...intróito... Oh santo goooozo eu te invoco! Vamos gemer alternadamente amor! Oh, podemos nos assentar... (silencio) ... Fala, não pare, fala alguma coisa... Fala alguma coisa... Agora! Vou impetrar a benção, eu vou, eu vou, amémmm! Amémmm! Amémmm.
(- Boa noite irmã... Foi uma benção pra você? - Foi sim... e pro irmão?)

Do presbiteriano independente
Oh...intróito...oh santo goooozo eu te invoco! Vamos gemer alternadamente amor! Oh, podemos nos assentar... (silencio)... Fala não pare, fala alguma coisa... Fala alguma coisa... Agora! Oh amor, levemos esse gozo também aos pobreeeees...Vou impetrar a benção, eu vou, eu vooou, amémmm! Amémmm! Amééémmm.
(- Boa noite irmã... Foi uma benção pra você? - Foi sim irmão... Quer um cigarro?)

Do universal do reino
Deposita... Depositaaa! Vai depositaaaa! Unzinho só, depositaaaaa, agora, vai, vai amor, prova tua fééé, isso, deposita... Oh gozo-filácio... DEpositaaaaa....

Do renascer
Oh... Me ame, me ame... Estou quase em Miame... Invista em mim, que eu invisto em você... Me ame meu amor, Miami... Eu também vou chegar, eu vou... Me ame! Estou quase em Miameeeeeee...

Do batista
Oh... Sou feliz! - Sou feliz! - Ah amor, se paz da mais doce me deres gozaaar... – Oh amor, vou mergulhar de cabeçaaaaa... – Oh, já ouço o coral... Vamos em uníssono ser feliiiiiizzzzzzz!

Do gospel
Oh... Me dá um lá maior... Isso... Fica aí, lá... Lá... Láááá... Isso... Oh amor... Libere as vocalizações... Tenha liberdade de posições... Oh lá maior... Lá, lá, lááááá...

Do bíblico
Oh meu amor... Do grego, “eros”! Oh introdução, conteúdo e conclusão! Oh exegese impossível do termo “orgasmo”, do grego antigo “orgasmos”... Derivado de “orgaw”, “órgão”... Oh Órgão! O que é o estudo histórico-gramatical diante de ti?! Oh tradição oral... Ai amor... Oh gaudiis exultare! Oh líquido seminal, não de “seminário”, mas dos testículos dessa perícope! Oh não para... Não para... Não parábolaaaaaa....

Do fundamentalista
Isto sim é um orgasmo! Isto que é um orgaaasmo absolutooo, não outra coisaaaa! É isto! Só istooo! oh MEEEU Deus!
(interrompeu por estar perdendo o controle)

Wilson Toniolli em seu blog Verticontes

P.S.: Pra quem não conhece o blog do Toniolli, faça um favor a si mesmo e esbalde-se de demasiada criatividade...

25 de abr. de 2009

Fora da igreja há salvação?


Esta frase foi dita por Cipriano de Cartago no terceiro século de nossa era e acabou se tornando dogma na Igreja Católica Romana, mas creio que tem sido adotada por muitas igrejas e denominações evangélicas. Neste caso, o sentido da frase até pode ser ampliado para “Fora da igreja não há Cristianismo!” implicando, entre outras coisas, em que Cristianismo e igreja sejam a mesma coisa.

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que a existência da igreja não pode ser colocada em dúvida, mas isso não significa que ela deva ser um fim em si mesma e, creio, que é isso que tem acontecido em alguns casos. Pois quando entendemos que textos como “buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça (Mt.6:33) são interpretados como “buscar em primeiro lugar as atividades e ocupações na igreja” estamos reduzindo o reino de Deus e o Cristianismo às atividades eclesiásticas em vez de considerarmos a igreja como um meio que Deus instituiu para ser um ambiente fértil para o desenvolvimento da vida cristã, da piedade, da capacitação do crente para ser cristão no mundo e desenvolver os seus dons de serviço. Também um meio para ser uma comunidade terapêutica, de capacitação na compreensão da vida, das doutrinas, da Bíblia, uma comunidade – a família de Deus, etc.

Transformamos a igreja num fim em si mesma quando entendemos que a vida cristã se resume em atividades e mais atividades freneticamente desenvolvidas no domingo, que deveria ser um dia de celebração, descanso e passa a ser “dia do cansaço” e da agitação, como se o Cristianismo de sete dias pudesse ser vivido apenas em um dia. Mesmo porque igreja passou a ser um lugar, um estatuto, um organograma, em vez de pessoas pelas quais Cristo morreu na cruz. Sem dúvida o estatuto, o organograma são necessários, mas também são meios e não fins.

A igreja de Jesus Cristo é um meio, um instrumento para levar o evangelho ao mundo, para capacitar os salvos à vida em comunhão e lealdade ao Senhor. A igreja não pode ser confundida com o reino de Deus, mas deve ser considerada um instrumento de Deus para seu reino, dando ao crente condições para viver o reino no mundo, no seu dia-a-dia, como cristão. E ser cristão não é só pregar que Cristo salva, mas viver a salvação que Cristo nos dá.

Quando a igreja se considera um fim em si mesma acaba nutrindo a entropia, fechando-se em torno de sua própria existência. Não sendo sinérgica, deixa de cumprir a sua missão integral que tem como ponto de partida levar cada pessoa a viver para a glória de Deus.

Por Lourenço Stelio Rega

Fonte: Crer e Pensar [Via: Púlpito Cristão]

24 de abr. de 2009

"Crença correta"

O evangelho de Jesus Cristo não é historinha de Pollyana para os neutros - é faca cortante, trovão implacável e terremto convulsivo no espírito humano. A Palavra deveria nos forçar a reavaliar o rumo inteiro de nossa vida. Porém, nas palavras de Bonhoffer, muitos cristãos "juntaram-se como abutres ao redor da carcaça da graça barata, e ali beberam o veneno que assassinou o seguir a Cristo".

Fosse o evangelho proclamado sem concessões, o rol de cristãos de carteirinha neste país diminuiria. Em sua maior parte o televangelismo distorce o evangelho. Não há referência à cruz exceto como relíquia teológica, nenhum toque de clarim anunciando ao corpo de Cristo que estamos crucificados para o mundo e o mundo crucificado para nós. Em meia hora o evangelista eletrônico tem de converter você, curá-lo e garantir-lhe sucesso. Todos são vencedores; ninguém perde seu negócio, fracassa no casamento ou vive na pobreza. Se você é uma jovem atraente de dezenove anos e aceita Jesus, torna-se miss América; se você tem problema com a bebida, vence o alcoolismo; se faz parte da Liga Nacional de Futebol, é escalado automaticamente para a seleção.

Por mais incrível que possa parecer, a própria Palavra tornou-se fonte de divisão e de justiça própria. Jesus disse que o sinal mais evidente do discipulado seria nosso amor uns pelos outros. "Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 14:34-35). Seu ensino não deixa dúvidas aqui. Seríamos conhecidos como seus seguidores não por ser castos, celibatários, honestos, sóbrios ou respeitáveis; não por ser frequentadores de igreja, carregadores de Bíblia ou cantadores de salmos. Antes seríamos conhecidos como discípulos primariamente por nosso profundo e delicado respeito uns pelos outros, por nosso amor cordial impregnado de reverência pela dimensão sagrada da personalidade humana.

No entanto, num gesto arrogante de patifaria, muitos pregadores hoje em dia decidiram que o padrão de discipulado de Jesus é inadequado para os tempos modernos. O novo critério é ortodoxia doutrinária aliada ao modo de interpretar a Bíblia. "Crença correta" é a nova norma que determina o que vale um cristão.

Brennan Manning em A assinatura de Jesus

23 de abr. de 2009

Libertando um livro

Hoje é Dia Mundial do Livro! Em comemoração vamos libertar um livro num lugar público. Isso chama-se BookCrossing. "Esquecemos" um livro que endossamos e que apreciamos em algum lugar para que outra pessoa tenha a oportunidade de ler também. E, assim, o livro vai viajando sem limites e indo de encontro com seus leitores.

Vou libertar o livro A cabana de William P. Young. E vou colocar esta dedicatória seguindo o padrão que o Sérgio escreveu no Pavablog#.

Oi,

Curto bastante ler e quero compartilhar esse prazer com outras pessoas. "Esqueci" este livro em 23/4/09 no Brasil Park Shopping, em Anápolis-GO. Eu e vários outros amigos mantemos o blog livrosepessoas.blogspot.com para trocarmos idéias sobre o que lemos. Depois de ler esse livro, peço gentilmente que o "esqueça" em algum lugar público para que outras pessoas também possam ter a oportunidade de lê-lo. Muito obrigado pela colaboração!

Abração e tenha uma ótima leitura.

Thiago Mendanha
thyamofe@gmail.com
thiagomendanha.blogspot.com

Vamos lá, galera! Libertem um bom livro e exercitemos o espírito de desprendimento e compartilhamento.

21 de abr. de 2009

Igreja Emergente


Pre-Scriptum 1: Minha crítica é extremamente conceitual, não peguei nenhum exemplo prático ou caracteríticas que a Igreja Emergente defende, afinal isso é muito variável.

Pre-Scriptum 2: Muitos amigos blogueiros "participam" e são grandes apoiadores da Igreja Emergente, espero que tenham a compreensão de que nenhuma das críticas aqui feitas são pessoais.



Em extrema discussão no meio virtual, temos um novo movimento cristão, que segundo alguns pode revolucionar, reformar ou "voltar às origens" do cristianismo. Não que esses sejam os principais objetivos.

Aliás o que se falta é objetividade quando fala-se de Igreja Emergente como no texto Compêndio Emergente:

Igreja Emergente: Nome dado a um movimento religioso sem estruturação, ou consolidação, que visa romper com os dogmatismos de um era , através do questionamento, da filosofia, conversação e exposição de idéias, em conformidade com o desenvolvimento natural humano. Esse mesmo mover ocorre em muitas outras áreas.

Usemos em princípio somente essa definição, ela é contraditória por si só, se estamos falando de um movimento, seja ele religioso ou não, necessariamente estamos falando de estruturação. Mas não há formas ou modelos, é a contra-resposta. Usando o argumento popular: oras o fato de não haver forma ou estrutura já é uma estruturação, já é a criação de um dogma. Afinal, se um dogma é, por definição clássica, um ponto fundamental de uma doutrina, a Igreja Emergente rompe com todos os dogmatismos de uma era? Sem nos atentarmos à limitação de era aqui utilizada, só pode-se dizer que sociologicamente é impossível se romper com todos os dogmatismos de uma época. E ainda logicamente falando, a partir do momento que você se livra de um ponto fundamental de determinada doutrina automaticamente cria-se outro ponto. Mas isso é verborragia e crítica semântica, há pontos mais práticos a serem abordados.

Ao observarmos o Wiki, vê-se alguns pontos fundamentais que nos permitem dizer que o que se busca fazer não passa de mais uma forma de interpretar a Bíblia ou o cristianismo, não necessariamente um modelo certo ou errado, mas mais um modelo. E é nesse ponto que critico, quando se cria algum tipo de movimento dentro do cristianismo e as pessoas o engessam em determinado conceito, o movimento em si ficará necessariamente limitado ao dogma.

Gostaria ainda de colocar em voga, a ideia de que a Igreja Emergente também nada mais é do que a possibilidade de discutir o cristianismo e suas implicações no mundo pós-moderno - críticas ao conceito de pós-moderno são infinitas mas limitemo-nos dizendo que esse período é simplesmente o que estamos vivendo - isso é um tanto quanto controverso em essência. Se o cristianismo tem de ser reinterpretado a cada nova era é discutível afinal, o cristianismo trata de valores interpessoais que ultrapassam eras, ou ao menos em tese era o que deveria acontecer.

Pode-se criticar que o contexto social em que vivemos é alterado continuamente e consequentemente os fatos relacionados à prática do cristianismo. Penso que esse tipo de pensamento seja o mais contraditório. Enquanto prega-se que não existe a dicotomia secular/divino, tentam separar as relações seculares das "fraternais". Discutir como o cristão deve agir em determinada época de acordo com os desafios da era em que vive é engessar toda a filosofia cristã em um contexto histórico-social.

Apesar de tudo, penso que a proposta da Igreja Emergente trata-se de um retorno à dialética, um apresenta sua tese, o outro a antítese e juntos chegam a um consenso ou a uma total dissensão sobre determinado assunto. Se é essa realmente a proposta penso que não há necessidade de se criar o muro do rótulo retornando o conceito errado de Igreja.

Se o "novo" movimento tem por principal base a dialética entendo que deve ser usado como um instrumento para as já muitas maneiras de pensar. Afinal não é mais uma doutrina, nem mais um movimento, mas somente uma chamada a um instrumento tão antigo quanto o cristianismo. Se for por exemplo para escolher somente mais um nome para uma velha definição prefiro a Religião Open Source e a Religião 2.0 muito mais "cool" e "2.0"

O que percebe-se no fim das contas é que o cristão dificilmente conseguirá viver sem uma teologia, parafraseando Cazuza, o crente continuamente brada: "Teologia, eu quero uma pra viver".

Rapha no Rapensando

P.S.: Tô quase virando um repositório de opiniões e análises quanto à Igreja Emergente, Conversa Emergente, Movimento Emergente, ou seja lá como queiram dizer. Por que não coloco minhas próprias articulações quanto ao assunto? Bem, porque ainda entendo que sou neófito no que diz respeito ao desenvolvimento do tema. Como bom ouvinte, estou assistindo e acompanhando o desenrolar desta conversa, inferindo na medida do possível, mas, procurando aprender e assimilar com os caros colegas que já tem maior bagagem e propriedade no assunto. Sempre que puder e achar viável, e entender que posso contribuir efetivamente com minha visão, o farei com todo prazer. Soltando esporadicamente minhas opiniões e argumentos no tocante à conversa emergente. O importante é que as pessoas sejam levadas a Cristo e ao entendimento de Sua vontade livre de obstáculos desnecessários que a religião impõe.

20 de abr. de 2009

Não somos uma igreja


Ainda que eu tente explicar o sentido original da palavra eklesia, o Patrick está certo, esse lance de "igreja" para quem não tem mais identificação ou paciência com os esquemas religiosos assusta e não simpatiza, separa e não agrega , afasta e não ajunta.
Depois de anos caminhando no meio cristão-judaico eu me permito dizer que não sou mais um evangélico, até porque hoje o meio é mais judaico do que cristão. Apesar de manter laços com líderes e amigos que são, aquilo que me levou a freqüentar uma igreja evangélica ou católica na adolescência não está mais lá nos templos e nas organizações religiosas. Admiro a postura que alguns pastores e padres mantém de integridade e honestidade no meio de tantos escândalos e futilidades envolvendo o nome de Jesus. Más é essa a imagem que vem a cabeça das pessoas que pensam e que não são do “meio” quando ouvem a palavra “igreja”.
Patrick está certo. A comunidade Dois é um projeto de irmandade que envolve cumplicidade, respeito, amizade, mutualidade e outros valores comuns à pessoa e obra de Jesus e seus seguidores históricos, coisas que me foram propagadas em púlpitos e que eu acreditei , mas que hoje já não importam mais a maioria das instituições que se chama igreja.
Como eu já disse ao Emerson, não tenho mágoa nem recentimento dos meus “irmãos” e não aprovo a exposição gratuita destas incoerências evangélicas e católicas contemporâneas. Sou a favor de apagar fogueiras ao invés de colocar lenha, mesmo porque eu tenho uma gratidão muito grande com a religião da minha infância que me ajudou na minha busca que me ensinou valores que sigo até hoje, mas que a partir daqui não (co)responde à novas necessidades.

Somos uma nova religião ou seita?
Religião somos sim, porque temos rituais, uma divindade a quem veneramos, um credo e conforme aprendi no seminário ”um motivo último”, no entanto nova não, porque a prática de novas alternativas de vivenciar a fé e a religião em comunidade é bem antiga, incluindo o cristianismo que é de origem judaica com influência de religiões greco-romanas fortíssimas.Respeito das antigas tradições e dos caminhos diferentes é que eu nem sempre os novos grupos tiveram.

Somos uma seita então?
Sei lá , porque percebi que entre os religiosos que qualquer grupo novo que discorde dos pilares da instituição de onde saem são tratados como seitas. Más nós da “comuna2” não saímos de lugar nenhum, alguns inclusive freqüentam ou são membros de igrejas histórias e neo pentecostais, outros nunca se vincularam a nehuma outros ainda foram educados em tradições religiosas distintas.

Se você precisa de rótulos para identificar grupos e pessoas pode inventar qualquer um e colocar em nós, aqui mesmo na página colocamos alguns pra voce escolher, mas na verdade somos só um grupo de amigos querendo se divertir e se ajudar nessa dura caminhada que é nossa vida.

Jorge Moreno
no Comunidade 2

Lembrei-me da igreja em Atos que não invoca para si nenhum rótulo ou denominação. Se hoje chamamo-nos cristãos isso não é por nossa causa. Foram os outros, que não seguiam Jesus, que nos deram tal apelido, tal rótulo, porque sentiram necessidade de nomear-nos e identificar-nos. Aliás, a igreja de Jesus era, na época, algo extremamente novo e radical em todo o Universo. Ainda não sabiam como conceituá-la. Em relação a mim, prefiro não me rotular. Chamem-me do que quiserem baseados no que veem em mim. Se dou testemunho de Cristo, se amo, se perdoo, se tenho fé, e tudo isso lembre alguém de Jesus, para mim já é o suficiente. Brother, Jorge... vai nessa força que o Espírito soprará através de você.