25 de mar. de 2009

Meus 15 minutos de fama


Que mero blogueiro não se espantaria ao acessar seu blog e verificar 61 visitantes online? O motivo da surpresa? Primeiramente, meu blog não tem mulheres peladas para manter essa audiência com normalidade. Depois, o máximo que já flagrei foram 9 visitantes online. Minha primeira reação? Lógico, tuitei o que para mim era um momento antológico do blog. Não demorou muito alguém me respondeu no Twitter que foi o "efeito @rosana".

Efeito Rosana? Fui tirar a limpo para saber como essa Rosana conseguiu me render tantos acessos, e mais uma surpresa: Rosana Hermann me linkou em seu blog QueridoLeitor. Ficava explicado o "efeito @rosana". =)

Ela linkou um texto que publiquei aqui no blog com uma explicação sobre o que é Twitter feita pelo Ricardo do Diversitá. Nesse texto contém um ranking de 2007 dos twitters mais seguidos do Brasil com Marcelo Tas do CQC encabeçando a lista.

Mas, meus "15 minutos de fama" só haviam começado. Um dia depois torno a acessar meu blog e mais um susto. Eram 127 visitantes online! Relembrando os recordes flagrados: 9, 61... 127?

Isso mesmo, 127 visitantes in real time! Lógico que tuitei mais esse momento apoteótico do blog (rs). De repente, um portento... no intervalo de uma hora foram 31 novos seguidores no meu Twitter. Em meio as minhas tuitadas exultantes, a galera me informa que a razão de tanto "ibope" foi uma tuidada de quem? Marcelo Tas... o mousse de chuchu Marcelo Tas do CQC havia linkado, no Twitter, o mesmo post que Rosana Hermann linkara em seu blog.

Com tantas visitas oriundas de personalidades que, além de despontar na web, habitam as mídias tradicionais, fiquei feliz que o blog estava atualizado e apresentável. =)

24 de mar. de 2009

A rivalidade do Anel


SALADIN.
Já que é homem tão sábio, diga-me qual lei,
Qual fé lhe parece ser a melhor?
O judaísmo, o cristianismo ou o islamismo?

NATHAN.
Em tempos idos habitou no leste certo homem
Que de valorosa mão recebeu um anel de infinito valor:
Sua pedra, uma opala que emitia sempre cambiante matiz
E tinha, além disso, a virtude secreta de tornar seu possuidor
Agradável a Deus e os homens;
Diante disso e dessa persuasão ele passou a usá-lo.
Não será estranho saber que o homem do oriente não o tenha tirado do dedo jamais,
E tenha tomado providências para que o anel permanecesse entre seus descendentes como herança perpétua.
Dessa forma ele o deixou para o MAIS AMADO dentre os seus filhos,
Ordenando que esse legasse por sua vez o anel
Ao MAIS QUERIDO entre seus próprios filhos
E que, não importando a ordem do nascimento,
O FILHO FAVORITO, pela virtude suficiente do anel,
Permanecesse sempre o senhor da casa.
Está ouvindo, sultão?

SALADIN.
Estou ouvindo, prossiga.

NATHAN.
Passando de um filho a outro,
O anel chegou finalmente a certo pai
Que tinha três filhos, todos igualmente obedientes,
E que ele não tinha como deixar de amar igualmente.
Às vezes parecia ser este, às vezes esse, às vezes aquele –
segundo cada um recebia, a sua vez, as prodigalidades do seu coração – mais digno do anel,
O qual, com bem-intencionada fraqueza, o pai prometeu, em particular, a cada um.
Assim as coisas seguiram por um tempo,
Mas com a proximidade da morte o velho pai viu-se embaraçado.
Desapontar dois filhos que confiavam na sua promessa ele não podia suportar; quê fazer?
Manda chamar secretamente um joalheiro, do qual,
A partir do modelo do anel verdadeiro, encomenda dois outros,
Ordenando que não poupe esforços ou recursos a fim de fazê-los em tudo idênticos,
Inteiramente idênticos, ao verdadeiro.
O artista conseguiu: os anéis foram trazidos e nem mesmo o olhar do pai
Foi capaz de distinguir qual havia sido o modelo.
Cheio de alegria ele chama seus filhos,
Sai com cada um em particular, a cada um concede sua benção e seu anel, e morre. Está ouvindo?

SALADIN.
Estou, estou, termine a história.
Falta muito?

NATHAN.
Já terminou, sultão.
Porque o que segue pode ser adivinhado sem dificuldade.
Mal é morto o pai, cada um aparece com seu anel
Afirmando ser o senhor da casa.
Surgem intriga, discussão, conflito – tudo inútil,
Porque o verdadeiro anel não podia ser mais distinguido entre os outros
Do que, hoje em dia, pode ser discernida entre as outras qual é a verdadeira fé.

SALADIN.
Mas como? Essa é sua resposta à minha pergunta?

NATHAN.
Não, mas serve como meu pedido de desculpas.
Não consigo decidir entre os anéis que o pai mandou expressamente fazer
Para que fossem indistinguíveis um do outro.

SALADIN.
Os anéis – não me venha com brincadeiras!
É evidente que as religiões que nomeei podem ser distinguidas umas das outras
Mesmo em coisas como vestimenta, comida e bebida.

NATHAN.
Mas não o que baste como prova irrefutável.
Não são todas fundamentadas na história, tradicional ou escrita?
A história deve ser recebida na confiança, não é?
Em quem deveríamos confiar?
No nosso próprio povo, por certo, nos homems cujo sangue somos nós neles,
Que desde a infância nos dão provas de amor,
Que nunca nos enganaram, a não ser quando nos era mais benéfico sermos enganados.
Como posso crer menos nos meus antepassados do que você nos seus?
Como posso pedir de você que duvide dos seus antepassados para que os meus recebam o louvor da verdade?
É o mesmo com os cristãos.

SALADIN.
Pelo Deus vivo, o homem está certo.
Devo calar.

NATHAN.
Voltando aos anéis, como eu disse, os filhos reclamaram.
Cada um jurou ao juiz ter recebido seu anel diretamente das mãos do pai, como era de fato o caso,
Depois de ter obtido há muito tempo a promessa do pai de que um dia o anel seria seu, como era também o caso.
O pai, garantiu cada um, não poderia ter agido com falsidade com ele;
Antes de suspeitar de tal pai, por mais que estivesse disposto a julgar com caridade seus irmãos, estaria pronto a acusá-los de traiçoeira falsificação.

SALADIN.
Ah, e o juiz, quero saber o que você vai fazer o juiz dizer.
Vamos, prossiga.

NATHAN.
O juiz disse, Sem chamar o pai diante da minha tribuna
Não tenho como proferir a sentença.
Devo dispor-me a resolver enigmas? Devo esperar que o verdadeiro anel abra os lábios para testemunhar?
Mas esperem – vocês afirmam que o anel verdadeiro
Tem o poder secreto de fazer seu possuidor
Amado por Deus e pelos homens. Seja esse o árbitro.
Qual de vocês, irmãos, ama mais os outros dois?
Não respondem?
Esses anéis geradores de amor agem só internamente, não externamente? Cada um de vocês só é capaz de amar a si mesmo?
Enganadores enganados, é o que vocês são.
Nenhum dos anéis é verdadeiro.
O verdadeiro anel talvez tenha se perdido;
A fim de ocultar ou corrigir a sua perda,
O pai de vocês encomendou três para compensar um.

SALADIN.
Ah, perfeito! Perfeito!

NATHAN.
Então, prosseguiu o juiz,
Se aceitam um conselho ao invés de uma sentença,
Eis meu conselho a vocês: tomem as coisas como são.
Cada um de vocês tem um anel que lhe foi dado pelo pai,
E cada um crê que o seu seja o verdadeiro.
É possível que o pai tenha escolhido não mais tolerar a tirania do anel único.
O que é certo é que, por muito amá-los
E por amá-los da mesma forma,
Não lhe era possível contentar-se em favorecer um para que se tornasse opressor de dois.
Sinta-se cada um honrado por essa livre demonstração de afeto, não distorcida pelo preconceito.
Procure cada um rivalizar com seu irmão na demonstração da virtude do anel;
Ao poder dele acrescentem gentileza, benevolência e longanimidade,
bem como entrega interior à divindade.
Se as virtudes do anel continuarem a serem exibidas entre os filhos de seus filhos
Depois de mil anos, compareçam diante desta tribuna;
Alguém maior do que eu tomará assento nela, e ele decidirá.


O judeu Nathan conversa com o muçulmano Saladin na peça do cristão Ephraim Lessing,
Nathan, o Sábio (1779). Lessing compôs o personagem de Nathan tomando por base
seu amigo judeu Moses Mendelssohn (avô do compositor Félix).

fonte: A bacia das almas

O colapso do evangelicalismo


O que vai e não vai sobreviver deste movimento.

A internet está alvoroçada com a última previsão sobre o próximo colapso evangélico. Esse é o conteúdo de três artigos postados no blog Internet Monk (de Michael Spencer), que previu um colapso em dez anos. Após seus pensamentos serem tomados e condensados pelo Christian Science Monitor e pelo Drudge Report – bem, você pode imaginar a agitação eletrônica.

O título do artigo de Spencer estraga a sua finalidade, apesar disso, muitos detalhes são interessantes. Fiz muitas observações como essa nesta coluna. Por exemplo, Spencer escreveu, “Imaginar o evangelicalismo* como um todo para ser observado mais e mais como um pragmático, terapêutico, crescimento planejado da Igreja, por mega igrejas que têm determinado o sucesso. A decisão de seguir os passos metodológicos de tantas igrejas de sucesso será maior do que nunca. O resultado será, principalmente, um afastamento da doutrina para enfatizar mais e mais o importante, a motivação e o sucesso pessoal”. Minha única advertência aqui é para saber se essa é uma realidade futura ou atual.

Incito algumas previsões até por causa da minha própria propensão, mas, no fim de tudo, elas não parecem estar baseadas em nada substancial. Por exemplo, “Dois dos beneficiários do próximo colapso evangélico serão a Igreja Católica e as comunidades Ortodoxas. Os evangélicos têm continuamente penetrado nessas igrejas nas ultimas décadas, e essa tendência vai continuar”. Spencer adicionou o anglicanismo como beneficiário. Como um anglicano, eu gostaria que isso fosse verdade. Mas, para mim, a quantidade de evangélicos introduzidos nessas comunidades não é tão grande como o número de pessoas que as deixam por causa da fé evangélica. Não conheço nenhum estudo que possa medir esse fenômeno detalhadamente. Então, devemos simplesmente discutir nossas impressões.

Como membros de qualquer movimento, nós evangélicos gostamos de fazer algumas introspecções. Quem somos nós? O que há de errado conosco? Para onde estamos sendo conduzidos? Isso pode facilmente se transformar em um movimento narcisista, e é por isso que, em meio às discussões, devemos lembrar a nós mesmos de algumas outras realidades.

Tem muita forragem aqui para uma reflexão proveitosa, se mantivermos em mente as advertências que o próprio Spencer mencionou: ele não é um profeta, nem um filho de profeta. Ainda digo mais: Ele nem mesmo argumenta o seu julgamento; apenas expõe suas conclusões repetidamente. Diz que o evangelicalismo vai sofrer um colapso em dez anos, mas não oferece uma partícula de evidência que sugira porque essa sua agenda é aceitável.

Apesar de toda nossa influência cultural e impacto religioso, os evangélicos “são consideradas por ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças... [os evangélicos] são como nada perante ele; ele os considera menos do que nada e como uma coisa vã”. Essa citação de Isaías 40:15-17, faz referencia às “nações”, mas se aplica melhor às “nações evangélicas”. Os movimentos de Deus – os pais do deserto, o monasticismo, o Grande Avivamento, e assim por diante - vem e vão.

O que conhecemos como evangelicalismo é uma expressão cultural temporária da fé cristã. Isso surge com idiossincrasias, boas e ruins. Isso produziu o ativista do Religious Right, Jim Dobson, e o zeloso moderador escolar, Mark Noll. Por causa de suas editoras é que vieram livros como Deixados para trás e O conhecimento de Deus. Isso provou que eles são pessoas de mente-fechada, julgadores, legalistas, tanto quanto generosos, sacrificais e heróicos (penso principalmente no trabalho evangélico com a AIDS e com o tráfico sexual hoje em dia). Algumas vezes, eles parecem estar totalmente desconectados da nossa cultura, outras vezes parecem estar totalmente atualizados (usamos rádio, Tv, Internet).

Como qualquer movimento, religioso ou não, o evangelicalismo tem incorporado certos aspectos da cultura onde ele existe. Porque isso existe nas contingências da história, ele não se ajuda, mas liga a si mesmo alguns temas culturais enquanto luta contra outros. Embora haja uma liberdade socialmente apoiada nesse movimento, o evangelicalismo tem, na maior parte das vezes, se fixado nas campanhas pró-vida, na tradição da família, na responsabilidade pessoal. Spencer, entre outros, diz que tanta identificação levará o movimento ao seu colapso. Futuramente, talvez, mas só depois que boa parte da nossa cultura rejeitar tantos temas. É difícil imaginar isso ocorrendo em dez anos.

Enquanto alguém pode descrever o evangelicalismo nessa visão social, em outro sentido, o movimento é uma construção intelectual, uma tentativa de unir uma quantidade de indivíduos e organizações sob uma bandeira social e teológica. Isso ajuda sociólogos a predizerem a disposição de uma eleição e a marqueteiros a definir o preço do produto de um determinado grupo. O que não significa que não há uma associação entre essas pessoas, ou que essas pessoas não se identifiquem entre si. Pode significar que não queremos igualar a construção intelectual com a complexa dinâmica de se estabelecer em um local.

Uma dessas dinâmicas é formada pelos evangélicos em ação, pelo menos nos nossos melhores momentos, que se preocupam menos com o “movimento”, e mais com o “Evangelho”, as Boas-Novas de Jesus Cristo. Se a constelação de indivíduos e grupos que constituem a cultura evangélica desaparece, muitos de nós iríamos rapidamente progredir. Porque sabemos que isso seria um sinal do fim do evangelicalismo.

Como editor-geral da Christianity Today – cujo cabeçalho diz: “A revista da convicção evangélica” – pode-se sugerir que tenho um grande interesse na sobrevivência do evangelicalismo. Sim e não. Por um lado, como estudante da história da igreja posso prever que a cultura evangélica vai entrar em colapso, provavelmente não em dez anos, mas o colapso vai acontecer. Por outro lado, o evangelicalismo nunca vai entrar em colapso, não até a última chamada.

Isso porque evangelicalismo descreve um fenômeno que transcende tempo e lugar. O historiador britânico David Bebbington fala sobre isso em termos de comportamento e de um aspecto teológico. Vejo isso como sendo mais que uma disposição religiosa. É uma sensibilidade espiritual que inclui pessimismo sobre a natureza humana, desejo de ser transformado no que há de pior dentro de nós, momentos sobrenaturais quando Jesus é experimentado, uma convicção de que nada pode ser redimido sem sofrimento e que a ressurreição é a última realidade, e uma paixão para fazer a diferença no mundo.

Nesse sentido, a história da fé cristã é formada por evangélicos, desde Paulo até Antônio do deserto, desde Francisco de Assis até Teresa de Ávila, desde os movimentos monásticos até os encontros nos campos, desde a Associação evangelística Billy Graham até os Evangélicos para Ação Social.

O evangelicalismo, assim entendido, não vai entrar em colapso.

Certamente, aqueles que se identificam intimamente com o evangelicalismo americano vão sofrer pela morte do movimento – da mesma forma como sentimos pela extinção de qualquer outra subcultura. Mas não fazemos parte de uma sociedade para a preservação evangélica, e com certeza não vamos nos unir a nenhum grupo que diz que temos que reformar o movimento evangélico ou morreremos.

O que vou fazer, até o fim dos meus dias, é trabalhar com alguém que sabia que estava perdido, mas agora foi achado, cuja bíblia está gasta por ter procurado Deus repetidamente nela, que considera a cruz o mais significativo dos símbolos, para quem a ressurreição não é apenas uma doutrina, mas um poder, e quem quer achar uma nova e criativa forma de compartilhar Jesus por palavras e obras. Vou trabalhar com essas pessoas, não importa do que os estudiosos as chamem.

Por enquanto, eles são chamados de evangélicos e suspeito que, de uma forma ou de outra, ainda estarão por aí durante um bom tempo.


*Evangelicalismo é uma concepção originária de “evangélico”. É um movimento teológico originário do Protestantismo, mas que não se limita a ele, que crê na necessidade de o indivíduo passar por uma experiência de conversão (“nascer de novo”, “aceitar Jesus”) e que adota a Bíblia como única base de fé e prática.


fonte: Cristianismo Hoje


P.S.: Existe um livrinho chamado Revolução escrito por George Barna. É bastante interessante para quem se interessa com prognósticos sobre o quadro futuro da igreja.

23 de mar. de 2009

A igreja em descrédito



Diariamente perseveravam unânimes no Templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e
contando com a simpatia de todo o povo. (Atos 2.46-47)

Ora, se de fato estivéssemos em meio a um avivamento, como nos costumam dizer os mais otimistas, algo parecido com o registro de Atos seria uma constatação factível. Isto é, contaríamos com a simpatia de todo o povo. Mas infelizmente, não é o que mostra o gráfico estatístico acima. Ao contrário do que acontecia na primeira comunidade cristã, hoje somos objetos da repugnância social. Assim pois, por vossa causa, o nome de Deus é blasfemado (Romanos 2.24).

A pesquisa de opinião, feita com 1.200 entrevistados, mostra o Judiciário está em 9º lugar entre 17 instituições no índice de confiança. Em relação à confiança em profissionais, os juízes ficam em quinto lugar. A pesquisa revela que em primeiro estão as Forças Armadas, seguidos das escolas, Policia Federal, Ministério Público, o presidente da República, a Igreja Católica e, em penúltimo
lugar a Justiça e, em último, as Igrejas Evangélicas.

Fonte do gráfico: Caminhando na graça, de graça [via Soli Deo Gloria]

P.S.: Engraçado que as igrejas não parecem perceber que a imagem que passam não é das melhores. Se eu for contar nos dedos os prognósticos dos pretensiosos "grandes" eventos de "adoração", "grandes" eventos "proféticos" onde as chamadas geralmente são: "esta cidade não será mais a mesma, este país não será mais o mesmo, este lugar é do Senhor Jesus, blá, blá, blá...", e comparar com a realidade de onde passaram, algo está muuuito errado porque nada muda... Um exemplo? Andando pela cidade certa vez me deparo com um outdoor anunciando um show gospel com a participação de um "ministério de louvor" famozinho da vez. A chamada do anúncio: "Anápolis vai mudar!" Bom, já faz quase dois anos e... humm... bom... nada mudou! Propaganda enganosa?

18 de mar. de 2009

Somos discípulos de Jesus?


Somos discípulos de Jesus?

Tendo o exemplo de Sua vida e obras podemos declarar que somos seus imitadores?

Hum... não sei, ou talvez eu pense que no fundo sei. O caso é que eu não consigo fixar os meus olhos naquilo que Jesus fez e que não fazemos, no momento os meus olhos se voltam ao que Ele não fez e que nós insistimos tanto em fazer.

Jesus veio para os pobres enquanto nós, os Seus seguidores, buscamos realizar encontros VIP para os empresários abonados.

Jesus veio para os aflitos, enquanto nós gastamos tanto tempo nos divertindo na roda de amigos hilários em nossos freqüentes encontros de confraternização.

Ele veio para os enfermos, enquanto nós buscamos ter amigos saudáveis, belos e fortes.

Ele veio para os excluídos, enquanto nós estamos satisfeitos por nos reunirmos dentro dos nossos “sagrados templos” junto aos nossos “santos irmãos”.

Jesus comia com os pecadores, enquanto nós nem sequer chegamos perto deles para não nos “contaminarmos”.

Jesus veio, sendo luz para um mundo em trevas, enquanto nós evitamos refletir a Sua luz nos lugares onde abunda o pecado.

Sabe o que eu vejo? Vejo um mundo enfermo rumo ao inferno enquanto os enfermeiros, entre glórias e aleluias, estão dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, muito ocupados polindo os seus ungidos bancos.

Trecho retirado do livro A igreja de casa em casa escrito por Luciano Silva

Mudança de maré

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Movimento Igreja Emergente chega à adolescência enfrentando oposição e questionando-se a si mesmo. Um movimento surgido recentemente e que ganhou bastante força no segmento evangélico no final dos anos 1990 já começa a dar sinais de exaustão. É a chamada Igreja Emergente, anunciada por seus adeptos como uma espécie de resposta do Cristianismo pós-moderno a questões que há muito inquietam o povo de Deus, como “O que é ser cristão?”, “Qual a função da Igreja?” ou “O que significa fazer missão no mundo hoje?”. Depois de multiplicar-se pelo mundo principalmente pela via virtual, através de sites e blogs, o movimento chega à adolescência sem conseguir suprir as expectativas de alguns de seus mais entusiastas defensores. E ainda tem sido apontado como um caminho tortuoso que pode levar à secularização da fé e ao relativismo dos valores bíblicos. Há quem fale até numa “Nova Era” disfarçada.

Em 31 de outubro do ano passado, o Conselho de diretores da Emergent Village, o guarda-chuvas que abriga o movimento, resolveu afastar seu líder, o pastor Tonny Jones. A decisão leva em conta o desejo de a organização manter seus propósitos originais, ou seja, a descentralização. A Igreja Emergente começou com um grupo de amigos que começaram a se reunir nos anos 1990, desiludidos com as instituições eclesiásticas tradicionais do século 20. Para eles, a vivência do Evangelho, desgastada pela suposta massificação das grandes igrejas, precisaria ser retomada informalmente, exatamente como ocorre numa conversa entre amigos. Com o tempo, outras pessoas se juntaram ao grupo. O movimento cresceu a ponto de gerar livros, eventos, sites e blogs. Em 2001, foi cunhada a expressão Igreja Emergente, já como contraposição ao chamado sistema eclesiástico.

A mais marcante característica do movimento, sem dúvida, é a ênfase na vida comunitária. Por mais que reproduzir o ambiente em que se consolidou a Igreja Primitiva do primeiro século seja uma utopia perseguida de tempos em tempos pelos evangélicos, a Igreja Emergente surgiu com uma proposta nesta linha. “Os relacionamentos são muito valorizados entre nós”, destaca o pastor Sandro Baggio, dirigente do Projeto 242, uma iniciativa bem original que vem sendo desenvolvida em São Paulo há mais de dez anos. O grupo começou da mesma forma que os emergentes americanos, capitaneados pelo pastor Brian McLaren: um grupo de amigos se reuniu para buscar a Deus, mais gente se interessou e logo o espaço não suportou mais a quantidade de pessoas.

Comportamentos heterodoxos – No exterior, existem igrejas que se denominam emergentes simplesmente porque adotam comportamentos heterodoxos, como velas nos cultos, cântico de músicas não-evangélicas e bate-papos sobre as coisas de Deus, no lugar das tradicionais pregações. E são estas inovações, e principalmente o que estaria por trás delas, que estão na raiz de boa parte dos detratores do movimento. “A onda emergente tem um caráter ecumenista, despreza as diferenças doutrinárias”, critica a escritora e teóloga pentecostal Mary Schultze. Segundo ela, a Igreja Emergente é filiada ao Movimento de Crescimento da Igreja. “Eles pregam o misticismo”, aponta.

Mas para o pastor Baggio, o conceito de Igreja Emergente é muito maior do que isso. “Ela seria o lugar para quem está cansado da metodologia das igrejas atuais e quer buscar alternativas”, define. Para os emergentes, o rótulo não importa muito. “Não é esse reconhecimento que move as pessoas envolvidas com essa tendência, mas sim um desejo sincero de viver e comunicar a fé cristã neste mundo em transição”, explica. Segundo ele, o movimento no Brasil ainda não é forte. Entretanto, algumas ações dispersas pelo país começam a ser conhecidas, como a La Red del Camiño, que atua no sul do país, e o Tribal Generation, que já realizou várias conferências. “O que existe são pessoas em vários lugares que se interessam pelo tema e buscam saber do que se trata. As igrejas emergentes são mais famílias do que instituições, mais comunidades do que ajuntamentos”, conclui o dirigente.

Líder da Organização Palavra da Vida, em São Paulo, o pastor Carlos Oswaldo diz que os princípios defendidos pela Igreja Emergente não são novos. “Algumas das propostas gerais do movimento já foram recicladas algumas vezes nos últimos 40 anos”, destaca. Ele preocupa-se com alguns métodos utilizados pelo grupo para a consecução de suas metas – inclusive, muitas concessões ao pensamento pós-modernista. “Alguns dos propagadores do movimento adotam uma atitude que poderia ser chamada de ‘agnosticismo evangélico’, por mais contraditória que seja esta expressão”, critica.

“A Igreja Emergente terá pontos positivos se for considerada apenas como um movimento não institucionalizado, sem pretensão de oferecer respostas prontas ou apresentar novas verdades”, emenda, por sua vez, o pastor Ed René Kivitz, líder da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo. Ele reconhece a simpatia que tem pelo movimento, mas lembra que prefere o contexto da teologia latino-americana, na qual tem caminhado. Para Kivitz, a plataforma de idéias que embasam essa corrente eclesiástica deve evitar as soluções aparentemente muito naturais, na base do modismo ou de receitas de “como fazer”.

“Cansados” – O administrador Luís Fernando Batista, gestor do site Renovatio Café, que divulga conteúdo ligado ao movimento, ressalta que a Igreja Emergente não deve ser usada como pretexto para que o crente não se envolva com uma igreja local. “Muitos que falam sobre o movimento não têm nenhum envolvimento efetivo com a missão e agem somente por mágoas com alguma igreja tradicional, o que desencadeia observações equivocadas”, observa. “São apenas simpatizantes de qualquer coisa evangélica fora do modelo de igreja tradicional, do qual se dizem cansados”. Batista conta que viu no site de uma igreja nos Estados Unidos o anúncio da realização de três cultos no domingo pela manhã: o primeiro, tradicional, com hinário e órgão; o segundo, com enfoque contemporâneo, com apresentações em PowerPoint e dramatizações. O terceiro era o culto emergente, com velas e rock alternativo. “Congregações que fazem questão de se apresentar como emergentes querem se colocar assim para apresentar-se como as igrejas que têm a novidade do momento.”

Todavia, ele aposta que surgirá em breve uma geração pós-evangélica que vai rejeitar a igreja sem abandonar o respeito à pessoa de Jesus. “É para atuar nessa área que surgem movimentos revolucionários, não preocupados apenas em mudar a forma da igreja, mas em deixar a marca de Cristo na sociedade.” Para Sandro Baggio, o desafio do movimento emergente é passar do estágio inicial, no qual, acredita, ainda se encontra. “A Igreja Emergente precisa passar da fase da desconstrução para a etapa da edificação”, assinala.

Já o pastor Dan Kimball, outro líder dessa maneira alternativa de se fazer igreja, prefere nem usar mais a terminologia do movimento. Por esta razão, ele e o professor Scot McKnight formaram uma nova rede, provisoriamente chamada de Origins (origens). Em sua opinião, a Igreja Emergente desenvolveu-se em muitas vertentes teológicas. “A definição do que é ser emergente mudou”, sustenta. “Entretanto, continuarei defendendo e trabalhando pelos ideais da Igreja Emergente, pois ela representa evangelismo e missão para a nova geração que surge.”

Cristianismo Hoje [via Solomon1]

16 de mar. de 2009

Sobre bater punheta



Neste vídeo, Mark Driscoll fala sobre masturbação da forma como só ele mesmo pode falar num púlpito diante de uma congregação. Para quem não o conhece, há vários videos dele no YouTube que valem a pena esperar carregar (pelo menos no meu caso com minha despretensiosa conexão de 200kbps) e assistir para meditação. Ele tem um estilo descolado e bem acessível... Para saber mais sobre o cara, clique aqui.

Para assistir o vídeo, clique na imagem abaixo:


Vi o vídeo no blog Amando ao próximo do Vitor Ferolla.

Bono Vox parece profético

Estrela do rock e ativista é inspirado pela Bíblia.

Enquanto toda celebridade parece ter uma causa, poucas estrelas se inspiram nas escrituras. É o que deixa Bono, líder do U2, à parte. Esportivo, com sua marca nos óculos, a estrela do rock falou para um auditório de mais de três mil pessoas na National Prayer Breakfast February 2, implorando para que respondessem a responsabilidade urgente dos Estados Unidos de ajudar os necessitados.

Duas passagens dirigiram a sua mensagem. Bono diz: a chamada em Levítico 25 para um Ano do Jubileu e dívida de perdão, e o comando em Isaías 58 para dividir com o faminto e prover para o pobre.

“Assim disse o Senhor: ‘Traga o sem-teto para a casa. Quando você vir o nu, cubra-o, então a sua luz romperá como a alva e a sua cura apressadamente brotará, então o Senhor será a sua retaguarda’”, Bono citou Isaías 58:7 e 8.

“Eu aprecio o absurdo de ser um rock star e citar as Escrituras”, Bono brincou com o seu típico estilo singelo em uma reunião privada com meia dúzia de jornalistas seguindo o seu endereço. Usando jeans, jaqueta de veludo marrom e uma camisa preta, o rockeiro estava tão relaxado que comeu frutas e muffins enquanto respondia questões de jornalistas. Ele falou sobre seu trabalho na África, o papel da igreja e alguns versos favoritos.

“É completamente a situação profética desse momento”, exclamou, se referindo a Isaías 58:7-8. “O que realmente sugere é que se nós fizermos o negócio de Deus, Deus estará mais em nós. Para usar o coloquial, é Deus sendo nossa retaguarda. Literalmente significa que Deus irá guardar as suas costas!”, explicou Bono.

Razões para morrer - Bono disse que existem diversos problemas quando uma nação religiosa ignora o negócio de Deus, particularmente na luz do crescimento do antiamericanismo. “A religiosidade desse país é ofensiva para muitas pessoas na Europa porque eles vêem hipocrisia no coração disso”, Bono diz. “Eles vêem que em todas as conversas, oração de café-da-manhã, e religiosidade evidente, essas pessoas estão dando o mínimo do mínimo”.

Enquanto dava crédito ao presidente Bush pelo aumento de cinco por cento do orçamento de assistência estrangeira desde que assumiu o escritório, Bono disse que de acordo com as pesquisas, “a razão pela qual as pessoas não querem o aumento da assistência estrangeira é porque pensam que já está além dos 15 % e 20%. Mas é, na verdade, um décimo das estimativas mais baixas”.

A falta de assistência estrangeira maior e a disponibilidade de drogas anti-retrovirais salvadoras “não é mais uma boa razão para morrer”, ele diz. Bono descreveu uma visita a Soweto feita em 2002, na África do Sul, onde ele falou com um jovem viúvo tentando decidir se matinha as drogas para ele mesmo ou as dava a uma mulher que amava. “Ele disse, ‘posso dar minhas drogas para ela e minhas crianças podem perder o último pai, ou podemos dividir as drogas e ambos morrer vagarosamente, ou posso manter as drogas e perder, pela segunda vez, o meu amor’”, Bono recorda. “Eu saí de lá pensando, ‘isso é bárbaro. Isso é, na verdade, bárbaro’”.


Não perder essa questão - Felizmente, ele diz, a igreja está respondendo. “No passado, a igreja estava atrás em algumas questões, mas não perdeu essa”, Bono diz. “A igreja está liderando. É incrível. Se há dez anos atrás eu tivesse ouvido o que estou dizendo agora, não teria acreditado”.

Isso é porque há dez anos atrás, como Bono explicou no discurso do café da manhã, ele não pensava muito na igreja, cristianismo ou religião evidente. “Você vê, evitei pessoas religiosas por toda a minha vida”, ele diz. “Talvez tinha alguma coisa a ver com um pai protestante e uma mãe católica em um país onde a linha entre as duas era, literalmente, uma linha de batalha; onde a linha entre estado e igreja era... bem, um pouco embaçada e dura de ver”, explica.

“Eu me lembro como minha mãe nos trazia para a capela ao domingos, e meu pai costumava esperar do lado de fora. Uma das coisas que captei do meu pai e da minha mãe foi o senso de religião adquirido no caminho de Deus”, explica Bono.

Sua fé, a qual descreve como “privada”, é largamente influenciada pelas palavras e ações de Jesus, as beatitudes e os profetas do Velho Testamento. Bono contou para o grupo de jornalistas que gosta de ler The Message, uma paráfrase moderna da Bíblia “pelo estudioso muito talentoso e poeta Eugene Peterson”. Em contraste com algumas das mais populares músicas cristãs, suas músicas religiosas preferidas incluem hinos de Charles Wesley, Messias de Handel, Judeus à capela, e músicas que, segundo ele, contêm emoções “cruas”.

Respondendo como esperava que os Estados Unidos contestariam o seu apelo de justiça pelos pobres e oprimidos da África, Bono apelou para a responsabilidade patriótica e cristã.

“Imagine uma suposta sociedade cristã com a capacidade absoluta de salvar vidas na África que falha em agir”, diz o líder do U2. “Você pode explicar isso para os detentores do orçamento, mas não pode explicar para Deus. Ele não vai aceitar essa desculpa, e a história também não. Penso que está crescendo um movimento que se define pelo jeito que essas questões são tratadas, particularmente no tempo do conflito, é tão poético na verdade... Assim você demonstra os valores da América”, conclui Bono.

fonte: Cristianismo Hoje