19 de out. de 2008

E se a igreja fosse uma Matrix?


Neste fim de semana, fui assistir o famoso filme Matrix. Como sempre, inspirou uma reflexão que, mais uma vez, gostaria de compartilhar com vocês. O filme apresenta um interessante modelo atual para se pensar em "realidades paralelas". Por um lado, o filme mostra a realidade de uma humanidade cativa, onde as pessoas vivem trancadas em "cápsulas", imóveis e "adormecidas", e de um mundo destruído, no qual não há sol. Por outro, a realidade de um mundo psíquico, construída para controlar os cérebros dos seres humanos, por isso eles não estão conscientes, eles não veem a sua situação de imobilidade, encapsulamento e ignorância da realidade da humanidade e do mundo. Nestas "cápsulas" toda a energia humana é removida, transformada em uma espécie de pilha, função esta que dá sentido à suas vidas, é claro. Como os seres humanos estão "dormindo" dentro da matrix, não percebem isso e vivem em uma "realidade psíquica perfeita", suas mentes estão presas, eles não podem pensar livremente, e esta é uma armadilha para as suas vidas. O filme mostra-nos a Matrix como um sistema de controle.

O que aconteceria se a igreja fosse uma matrix?

Se a igreja fosse uma matrix, então seria um sistema no qual cristãos poderiam viver uma "realidade psíquica perfeita." Estar dentro da igreja iria proporcionar segurança, tranquilidade, conforto, "racionalidade" ... Este sistema sugaria toda a energia vital dos seus membros, e para eles isso faria todo sentido. Suas vidas estariam submetidas aos serviços do sistema, prisioneiros incapazes de pensar, mas com a consciência tranquila. Estariam encapsulados em seu mundo, isolados do mundo real, onde há trevas, onde não há sol, onde eles mesmos não estariam pois seria ruim para o funcionamento do sistema de controle que impera.

Se a igreja fosse uma matrix, então ela teria como objetivo distrair sua mente e isolá-lo da realidade: o que está fora da matrix. O mundo real, triste, cruel, escuro; um mundo onde o homem é auto-destrutivo e destrói tudo em sua volta... esse mesmo mundo com o qual Jesus comprometeu-se a salvar, sanar, curar, aliviar, acompanhar... Os cristãos estariam encapsulados em seus templos, imóveis, anestesiados diante de uma realidade sofrível, carente de amor. Incapacitados de alcançar o próximo. Eles não poderiam pensar, o que os levariam a atitudes irracionais, que seriam racionalmente justificadas, de maneira que suas consciências ficassem tranquilas, e suas vidas só fariam sentido se estiverem encapsulados em seus templos.

Se a igreja fosse uma matrix, estaria muito longe de onde Jesus está, estaria longe demais das pessoas necessitadas, estaria distante de conseguir cumprir sua missão, estaria muito longe de ser Igreja. Jamais poderia alcançar a missão que Jesus deixou e que encontramos no texto bíblico do livro de Mateus capítulo 13. Como é que podemos semear se estivermos encerrados em nossos templos? Jesus ensinou que o campo é o mundo, nós, seus discípulos, as sementes, temos que morrer para dar frutos, e ele morreu para nos dar os frutos da Salvação. Como é que podemos semear ao mundo se estivermos isolados dele, trancados em nossas idéias, nossos templos ...?

Se a Igreja fosse uma matrix, estaríamos alienados nela, e ficaríamos mais longe de obedecer à missão que Deus nos outorgou: amar ao próximo. Então como poderíamos amar quem não podemos conhecer , compreender, perdoar, com quem possamos conversar, compartilhar, abraçar ...? Jesus disse: "Isto vos mando: que ameis uns aos outros." João 15:17

Se a igreja fosse uma matrix, precisaríamos perceber, acordar, cuidar da nossa missão, comprometermo-nos com a realidade sofrível e servir o mundo como Cristo serviu. Seria necessário escapar e encontrar espaços saudáveis, para crescimento, onde a vida, a liberdade e os dons que Deus nos deu sirvam para servir aos outros. Certamente, se a igreja fosse uma matrix, iríamos encontrar muitos outros seguidores de Cristo, que fora dela, iriam para onde Jesus está, onde os homens e as mulheres que sofrem e necessitam de abraço e do amor de Cristo estão.

"O campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino ..." Mateus 13:38

Deixando as suposições e imaginação de lado, e refletindo na minha fé em Jesus e no meu compromisso de amar ao próximo, eu ainda penso ... Será que a igreja é uma Matrix?.

Marcos Regalini (texto original em espanhol)
Colaboração do brother Gustavao K-fé

P.S.: Se a igreja fosse uma matrix, seria necessário tomar a pílula vermelha... certo? :P

18 de out. de 2008

Jesus sonhando com a liberdade

Em seu cativeiro numa igreja de Antonina.


P.S.: Acho que esta imagem ilustra bem o que a religião tenta fazer com Deus; ou como "o Sr. Castor já tinha avisado:
– Ele há de vir e há de ir-se. Num dia, poderão vê-lo; no outro, não. Não gosta que o prendam... e, naturalmente, há outros países que o preocupam. Mas não faz mal. Ele virá muitas vezes. O importante é não pressioná-lo, porque, como sabem, ele é selvagem. Não se trata de um leão domesticado."
Trecho de As Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, p. 217.

Salvando da fome os de barriga cheia


Vou fazer um slideshow para você.

Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes.

Quem sabe até já se acostumou com elas.

Começa com aquelas crianças famintas da África.

Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.

Aquelas com moscas nos olhos.

Os slides se sucedem.

Êxodos de populações inteiras.

Gente faminta.

Gente pobre.

Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.

No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.

Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.

São imagens de miséria que comovem.

São imagens que criam plataformas de governo.

Criam ONGs.

Criam entidades.

Criam movimentos sociais.

A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.

Ano após ano, discutiu-se o que fazer.

Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.

Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver oproblema da fome no mundo.

Resolver, capicce?

Extinguir.

Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.

Não sei como calcularam este número.

Mas digamos que esteja subestimado.

Digamos que seja o dobro.

Ou o triplo.

Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.

Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.

Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.

Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.

Neto, no Update or die.
dica do Suênio Alves [via Pavablog]

P.S.: É como sempre digo, gastam bilhões para construir brinquedos que simulam o Big Bang, brinquedos que vão até o espaço, lugares suntuosos pra brincar de Olimpíadas e na hora de desembolsar para "salvar" o mundo, ninguém topa a brincadeira!

À espera de um milagre

Com 20 anos, gospel nacional sucumbe diante do pop brega religioso

"Se não morreu, está aguardando lugar na UTI." É a resposta de Paulinho Makuko, vocalista do Katsbarnea, banda fundadora do denominado gospel no Brasil, questionado sobre uma eventual morte do movimento. Os motivos? Além de não cumprir o objetivo original de romper as barreiras do templo para levar o evangelho por uma via pop e acessível ao público não-cristão, o gênero afundou-se em um gueto religioso em maneirismos e expressões compreendidas apenas por adeptos fervorosos.

Único integrante da formação original da banda, formada em 1988 no porão de uma igreja evangélica árabe em São Paulo, Makuko entende que a etiqueta gospel pode ter represado as bandas evangélicas de rock dentro do ambiente religioso, impedindo a expansão para o cenário pop nacional. Voltado para si mesmo, acomodou-se satisfeito com shows em igrejas, festivais cristãos e a venda de discos para o público evangélico.

"Quando a gente começou, não existia o nome 'gospel'. Existia música evangélica, caretaça mesmo, um negócio que eu nem sabia que havia", ele lembra. A banda, que nos anos 90 tocou ao lado de Ira!, Zero, Supla e Violeta de Outono na extinta casa de shows Dama Xoc, em São Paulo, hoje se vê restrita a eventos promovidos por evangélicos.

Passados 20 anos, o movimento gospel está descontextualizado. Hoje, uma nova safra de cantores e artistas "voltados para dentro" arrasta multidões de crentes a shows-cultos e vende CDs e DVDs a essa mesma multidão, enquanto bandas de rock continuam longe do circuito nacional, e gravadoras e lojas especializadas fecham as portas. Em vez do pop nascido no fim dos 80, quem dá as cartas hoje é um estilo conhecido nas internas como "louvor e adoração". Embora comercialmente viável, essa música é assumidamente feita para cultos com uma roupagem popular. Com discos de ouro, platina e diamante já recebidos - segundo a MK Publicitá, gravadora forte no estilo -, cantores e bandas somam letras religiosas a referências do pop comercial dos anos 80, como Rosana, Jane Duboc e Gilliard.

"Isso é careta. O gospel nasceu, começou a crescer e parou porque voltou a ser música da igreja. O gospel mesmo, no Brasil, não existe. Não existe alguém como a [rainha do gospel norte-americano] Mahalia Jackson", lamenta Makuko. Kako, baterista dos Militantes, concorda. "Não existe sustentabilidade de banda gospel fora da igreja porque não existe novidade", diz o integrante da banda, que atualmente conclui as gravações de álbum produzido por Clemente (ex-Inocentes, atual Plebe Rude).

Duas ações isoladas ameaçaram expandir os tentáculos do gospel. Em 2001, o Oficina G3 subiu a um dos palcos do Rock in Rio 3 para o show de abertura. O que poderia ser uma virada na carreira - a banda nasceu em 1987 dentro de uma igreja paulistana - revelou-se controverso. Além de metralhados pela ala conservadora dos fiéis dias antes, a banda tocou as primeiras músicas para ninguém - um problema com a TV Globo fez a organização atrasar a abertura dos portões e, simultaneamente, obrigar o grupo a começar o show. "Saímos arrasados do palco", lembra o baixista Duca Tambasco. Mas depois disso, segundo a banda, diversas FMs do país se interessaram pelo hard rock do Oficina G3.

Kim, vocalista do Catedral, criado em meio à cena crente do final dos 80, foi o responsável pelo segundo movimento em direção ao pop. A banda assinou com a Warner em 1999 e nela lançou três discos. Hoje, está na Record Music, da Line Records (pertencente à Igreja Universal). Para ele, a ausência de criatividade responde pelo isolamento do gospel. "O mercado está se fechando para as bandas de rock. Sabe quando tinha a onda da lambada? O meio evangélico está vivendo uma onda", ele aponta. A análise vem de quem é comparado desde os tempos de cena cristã com Renato Russo - a voz de Kim é próxima demais à do legionário, morto em 1996.

Para a gravadora MK Publicitá, no entanto, tudo vai bem. A companhia acredita que, da produção enviada ao mercado, cerca de 20% é consumido por não-evangélicos. "Se o gospel é o terceiro estilo mais consumido no país, segundo a ABPD [Associação Brasileira dos Produtores de Discos], como podemos afirmar que ele está fechado? Não está, só não tem cobertura da grande mídia", entende Alomara Andrade, assessora de comunicação da gravadora. "Claro que poderíamos ter tido um nível maior de penetração, sobretudo na mídia não-segmentada. Mas não é porque não foi assim que vamos deixar de lutar por isso. No momento certo, acontecerá." Quando? Só Deus sabe.

Filipe Albuquerque, na Rolling Stone. [via Pavablog]

17 de out. de 2008

Pos(bos)tando...


“O álcool é o pior inimigo do homem. Mas a Bíblia diz que devemos amar nossos inimigos.”

anônimo

Frase via Pavablog

P.S.: Aprecie com moderação.

Esse sou eu e meu primo (tá mais pra irmão) num momento koynonia...

O atual fundamento da fé


O problema da fundamentação da fé em instituições representativas é sua não sobrevivência se com os cativos não acompanhar a desesperadora batalha. As famigeradas reafirmações convictas obtiveram êxito no corpo cristão pela necessidade intrínseca da fé belicosa; a fé que se estabelece entre os abismos das confirmações e o dualismo oriental divino.

A similaridade contemporânea entre Estado e instituição religiosa - por meio dos devidos conceitos que circundam a temerosidade evidente, o temor ao Inimigo - não é mero percurso intuitivo.

Reafirmar Satanás e tê-lo como real opositor aos intuitos divinos é estabelecê-lo a outra face da mesma fé que deveria tão somente abraçar o evangelho. A instituição, portanto, cumpre seu papel, tal qual o Estado, ao organizar a credulidade em um pêndulo de vitórias e derrotas por meio do eterno pavor das garras malignas do oponente.

Tal interessante relação amistosa dos corações convictos para com a fé fundamentada na batalha maligna deve ser observava com atenção dobrada. Enquanto que o menosprezo era evidente nos atos de Jesus Cristo quando Satanás intrometia-se como um rato faminto, a composição da oração penitente não se completa sem a citação do chamado Devorador nas rodas de fervores afirmativos - um detalhe que deve ser constantemente lembrado. Os cristãos reunidos para a batalha dos temores demoníacos agem como o gado rodeado pelo lobo que nada faz senão balbúrdia: necessitam de instrução, e cercas.

A fundamentação da fé temerosa credita valores extremos à falsificação da espiritualidade pelo positivismo hermetista.

E com ele temos a máscara do otimismo exacerbado, como crianças que apontam ao saboroso pirulito, obscurecendo o temor dos crédulos em troca da segurança institucional religiosa; a sólida proteção ao pavoroso rebanho.

Fonte: O Templo Felpo

Bondade ou interesse?

Psicólogos analisam comportamento do bom samaritano citado por Jesus na parábola e dizem que atitudes nobres como a do personagem podem ser tomadas apenas por medo de Deus.



O bom samaritano, personagem da célebre parábola contada por Jesus e registrada no evangelho de Lucas, está sendo – quem diria? – analisado por psicólogos em pleno século 21. Pesquisadores da Universidade da Colômbia publicaram na revista Science uma curiosa investigação sobre as verdadeiras motivações que levariam alguém a agir conforme a descrição de Jesus. Na parábola contada pelo Mestre, o samaritano – pertencente a um povo que na época era desprezado pelos judeus – foi o único a acudir um viajante que jazia à beira do caminho, após ser violentamente agredido por salteadores. Pouco antes, contou Jesus, dois religiosos haviam passado por ali e ignoraram o drama do desconhecido. Mas a conclusão a que chegaram os psicólogos destoa da normalmente empregada por pastores e teólogos, de que o samaritano seria um modelo de fé e amor cristão. Para eles, o verdadeiro motivo que teria levado o personagem à atitude nobre foi a idéia de que Deus nos vigia e vê tudo o que fazemos. Portanto, de Deus sempre olha para o homem, devemos ser bons, manter uma boa reputação e agir com desprendimento.


O estudo propõe que, em matéria de juízo, muitas pessoas tendem a pensar que só porque crêem em Deus são mais honestas e solidárias. Mas os psicólogos Ara Norenzayan e Azim F. Shariff, que conduziram o trabalho, chegaram à conclusão de que o que motiva os “bons” a manterem uma reputação intacta para si mesmo e para a sociedade é a idéia de um ente superior e vigilante está sempre a fiscalizar seus atos. “A associação entre religião e sociabilidade é mais evidente quando a situação pode ajudar a manter uma reputação favorável dentro de um grupo”, indicam os estudiosos. Em outras palavras, todo ser humano se sente mais generoso quando ajuda a alguém, quando participa de um rito religioso, ou, como no caso de muitos devotos, quando se sente na presença de uma divindade. Em outras circunstâncias, emoções como a compaixão ou empatia pelos demais ocorreriam de maneira idêntica, tanto em pessoas religiosas como para os não-crentes.


Os autores do trabalho afirmam que em diversos estudos prévios foi assinalado que as religiões tornaram possível a existência de sociedades estáveis com grande número de indivíduos, mesmo sem grau de parentesco ou relação genética entre si. Para os psicólogos, a solidariedade e cooperação dentro de um grupo ajudam nos conflitos com grupos exteriores e nos enfrentamentos religiosos. Os autores concluem que serão necessárias mais pesquisas para quantificar os comportamentos sociais e as crenças religiosas. “Esse assunto continua em debate, porque já sabemos que os mesmos mecanismos que facilitam o altruísmo dentro do grupo pode facilitar o antagonismo com outros grupos”, frisam. “Pode-se dizer que, dentro desta dinâmica de sociabilidade religiosa, há tantos beneficiários como vítimas”, concluem.


Fonte: Cristianismo Hoje

16 de out. de 2008

De perto ninguém é normal



Versão remix de várias, digamos, manifestações, durante cultos e congressos.
via Sedentário hiperativo
colaboração: Tom Fernandes [via Pavablog]