16 de jul. de 2009

Por que odeio a igreja



Nada nessa vida me causa mais incômodo que a dependência. Sério! É uma situação que me deixa mal. Depender dos outros não me deixa confortável. Quer um exemplo? Não aguentei ficar sob as asas da minha mãe até os 18 anos de idade. Não via a hora de poder livrar-me da submissão financeira, moral e da obediência que lhe devia. Não confundam nada disso com rebeldia ou com não gostar da minha mãe. Eu simplesmente não suportava depender dela. Com 17 anos mudei de casa. Aliás, mudei de cidade. Arrisquei mesmo! Sem dinheiro e sem trabalho em vista fui morar com minha tia. Minha intenção era com no máximo dois meses conseguir um emprego e alugar um quartinho e sair da casa dela. Que ingênuo que fui. Não consegui tal prodígio em menos de dois anos.

Ok, tinha conseguido livrar-me da dependência da minha mãe, mas passei a depender da minha tia. Que situação! Com certeza não era tão cômodo como morar com minha mãe...
Quando você depende de alguém você não pode afrontá-la porque correrá sério risco de ser lembrado que depende dela. E isso é muito constrangedor. Você tem que saber qual é o seu lugar! Acho que deu pra notar que não sou muito “família”. Não sou de ficar visitando parentes e nem de ficar amolando nenhum deles com favores. Sou do tipo que prefere fazer os favores e evitar ao máximo precisar pedi-los.
É por isso que odeio família. Odeio saber que caso algo me ocorra é com eles que posso contar. Odeio ter que admitir que se eles precisarem de mim podem me procurar e ajudarei no que estiver ao meu alcance. E é justamente isso que é ser família. Você deve estar pensando: “mas, que idiota!”.

É verdade, sou um idiota! Essa é a natureza do ego humano. “Eu” odeio família porque não gosto de depender de ninguém. Tem coisa mais egoísta? Da mesma forma odeio a igreja. Porque somos uma família! E como família um deve poder contar sempre com o outro. Mas, a igreja é um tipo de família diferente. É uma família que transcende a herança e ligação genética. É uma família de um Sangue apenas. O Sangue de Cristo é que nos torna uma grande e diversificada família. Nosso laço sanguíneo deu-se na Cruz do Calvário. Nosso vínculo familiar dá-se através da Redenção do ser. Somos todos nascidos do mesmo Espírito e irmãos pelo mesmo Sangue.

Como família dependemos uns dos outros. Como família precisamos uns dos outros. A nossa relação deve ser diferente. Deve haver autenticidade, humildade, altruísmo, paciência, mansidão, domínio próprio, longaminidade... amor! É no seio dessa família Divina que devemos encontrar pessoas dispostas a nos ouvirem com atenção, com interesse e com disposição. É nela que devemos encontrar acolhimento, aceitação, mãos estendidas e prontas para o socorro. É nessa família que devemos nos sentir confortáveis, inseridos, importantes, amados e bem recebidos. É nessa grande e diversa família que devemos encontrar igualdade entre todos. É nela que devemos encontrar o regime do Reino, não o regime do mundo. É nela que devemos servir uns aos outros. É nessa família que devemos nos doar uns aos outros. Compartilhar nossas dificuldades, nossos temores, nossas dúvidas... ser instruídos, corrigidos no amor e amadurecidos no convívio.

A igreja deve ser o início, o arcabouço do Reino de Deus. A igreja deve ser o maior vislumbre do funcionamento desse Reino dos Céus. A implantação paulatina da universal família de Deus. A expressão do Universo reconciliado com Jesus Cristo.
E é justamente por isso que odeio a igreja. Não é porque sei que dependo dela e odeio depender dos outros, mas porque ela tem falhado terrivelmente em ser a família de Deus. Não gostar de dependência é algo que em Cristo já depositei há muito. E Nele aprendi e aprendo a depender cegamente. Com Cristo aprendi e aprendo a confiar... e isso é depender, eu sei! Eu odeio... mas, eu amo saber que Nele eu confio! E se é pra depender de alguém que seja de Cristo. E se a igreja é seu Corpo e Nele faço parte dessa família, aprendo a depender dela também. Na verdade, já cansei de perceber que a dependência é algo de que não se pode fugir.

Mas, quando vejo a igreja sendo e vivendo totalmente contrária a essa realidade que Cristo cunhou eu realmente chego a odiá-la. E não se assustem por isso porque odiar ainda é melhor que ignorar. Não há nada pior que a indiferença.

Se odeio a igreja é porque me importo. Tanto quanto me importo com minha família. Tanto quanto me importo com minha mãe. E se me importo e não consigo ser indiferente é porque a amo como se fosse parte de mim. E é isso que penso que é já que sou membro desse Corpo.
Na verdade essa mudança começa em cada um de nós! Se você não está sendo família para o outro corrija isso. Mostre que você é transformado por Cristo de fato. Os outros por certo aprenderão com você. Quando a família está mal é porque cada um de nós está mal. Não seja como eu que odeia depender dos outros... e, principalmente, odeia depender de uma família que parece também odiar depender... depender de Deus! Vamos aprender juntos a depender do nosso Senhor Jesus Cristo e com certeza dependeremos deveras uns dos outros.

Texto que escrevi para o Blog dos 30. Todo dia 16 é a minha vez :P

14 de jul. de 2009

Erva venenosa

Como diria o próprio, puta texto do Sérgio Pavarini no Portal Cristianismo Criativo. Segue o texto abaixo ;-)



“Amantíssimos irmãos que escolheram a Catedral Evangélica para buscar as benesses do nosso Deus excelso, vamos receber com uma calorosa salva de palmas o reverendo Silas Malafaia. Ele será o portador da mensagem que o Pai celeste deseja nos transmitir nesta noite de encerramento da campanha “As 7 chaves da vitória”. Após o culto, o ínclito servo do Deus Altíssimo estará no átrio autografando a “Bíblia da Prosperidade e Batalha Espiritual”, quintessência exegética que traz comentários do Doutor em Divindade Morris Cerullo.”

Trágica ou hilária (dependendo do ponto de vista), a cena acima (ainda) não ocorreu. No entanto, inúmeros elementos característicos da práxis neopentecostal hoje fazem parte da liturgia de igrejas que, num passado recente, lutaram para manter coerência e base bíblica inclusive na área musical.

O zelo com a Palavra não mais se estende ao chamado “período de louvor”, numa espécie de “licença poética”, naturalmente sem nenhuma poesia. “Se formos rigorosos, perderemos os poucos jovens que ainda temos”, raciocinam os pastores. Após inúmeros embates, preferiram jogar a toalha (e o nível), optando por engolir semanalmente batráquios que crescem em lagoas de tamanhos variados.

Gênesis

Nascido na década de 60, o neopentecostalismo abandonou os usos e costumes característicos das igrejas pentecostais. Ao mesmo tempo em que saias e cabelos foram encurtados, a liturgia também sofreu transformação. Os tradicionais hinários foram deixados de lado e substituídos pelo retroprojetor.

Em lugar do engessamento litúrgico que circunscrevia a música a períodos de nomes pomposos como contrição e ofertório, as canções passaram a ser usadas para ajudar as pessoas a “abrir o coração”. O conteúdo do que seria cantado era questão de somenos. Importava mais a atmosfera alcançada por meio das canções. Palmas e frases exclamativas sempre ajudaram a proporcionar o clima desejado. Como a estratégia foi bem-sucedida, Maquiavel já pode ser ungido apóstolo.

Êxodo

Habituada a longos e irrelevantes debates, a ala tradicional desperdiçou ao menos as duas décadas seguintes gastando munição em especial contra guitarras e baterias. Assestaram contra alvos errados e perderam milhares de musicistas, o que ajuda a explicar a produção pífia e quase inexistente do segmento na atualidade. Alguém é capaz de enumerar grupos musicais influentes abrigados hoje nas fileiras batistas e presbiterianas, por exemplo?

Do outro lado do espectro teológico, as perdas também foram expressivas. Na década de 80 em particular, igrejas pentecostais forneceram metaleiras completas para bandas do florescente movimento gospel. O cardápio musical evangélico ganhou opções variadas, intensificando o trânsito interdenominacional. Como ouvir nos cultos o provecto órgão eletrônico com tantas igrejas oferecendo estilos musicais mais contemporâneos e atraentes?

Números

Acostumados na seara musical no máximo a avisar a congregação que só deveria entoar as estrofes 1 e 2 do hino, pastores tiveram de ceder espaço para os “ministros” de louvor. O modus operandi varia um pouco, mas normalmente tratam-se de caras bem-intencionados que, na falta do que dizer, pedem coisas estranhas como olhar para o lado e profetizar para alguém. Seria interessante publicar no boletim da semana seguinte os resultados da saraivada profética.

Um lencinho é sempre necessário se a ministração for conduzida pela ala feminina. Segundo o modelo vigente, chorar é sinônimo de consagração ou, em muitos casos, tristeza por ter de suportar um discursinho repleto de expressões vazias. Enquanto isso, outros continuam trazendo a arca (de Noé?) e outros elementos vetero-testamentários tão úteis para as celebrações quanto retalhos do véu rasgado. Preces para mexer com a estrutura mostram-se inúteis quando as musiquinhas são mera trilha sonora para buscar milagres e bênçãos. Ensina-me a ter paciência...

Atos

Bons de briga e ruins de teologia e prosódia, muitos líderes resistiram e tentaram alterar trechos de músicas considerados impróprios. Alheios ao imprimatur pastoral, compositores produziam pérolas do tipo “deixe seu complexo interior”. Aliás, no documentário do João Moreira Salles há um trecho dessa música em que a galera canta a expressão “inexpremíveis”. Certamente o ato falho remete à impossibilidade de se extrair conteúdo desse tipo de músicas, mesmo “espremendo” bastante...

Palmas deixaram de ser exclusivas para marcar o ritmo. Aludindo ao jargão de um televangelista, aplaude-se Jesus, a música especial e até a piadinha do pastor no meio da mensagem. Entre uma música e outra, as palmas efusivas ajudam a manter a atmosfera de “unção”, não permitindo que o clima de adoração diminua. Como ninguém pensou nisso em tantos séculos de igreja?

Apocalipse não

Paracelso, um famoso cientista suíço do passado, ajuda a clarificar minha indignação: “Não há nada na natureza que não seja venenoso. A diferença entre remédio e veneno está na dose de prescrição”. Mesmo que pretensamente purificadora, a água pode ser tóxica. Os afogamentos são causados por excesso de água, além de ela ser um elemento de considerável importância em casos de edema cerebral e pulmonar.

Por estranho que pareça, o veneno mais perigoso do mundo, a toxina botulínica, é usada hoje com efeitos terapêuticos e estéticos no botox. Como acontece na igreja contemporânea, o veneno ajuda a manter a boa aparência, quesito importante para manter o grau de atração em alta.

O problema é que os efeitos do botox duram apenas alguns meses, enquanto as doses musicais venenosas (ad)ministradas nos cultos não têm prazo para terminar. “Parece uma rosa, de longe é formosa...” Infelizmente, há consonância entre a “teologia” macediana de controlar Deus por meio de ofertas e o bonifrate divino movido pelos cordéis das declarações egoístas das músicas que embalam ovelhas subnutridas.

Da mesma forma que não se pode colher uvas dos espinheiros e figos dos abrolhos, boas intenções não são antígenos eficientes para aniquilar o potencial de letalidade existente. Se na canção da Rita Lee a erva venenosa apenas “achata bem a boca”, os trojans musicais têm poder de destruição bem maior.

É hora de atualizar o antivírus e de buscar expressões de louvor cuja qualidade remeta à excelência daquele que nos chamou para lhe prestar culto racional. Castelos fortes nunca resistirão se construídos na areia. Povo de Deus, declare isto. =)

Sérgio Pavarini é blogueiro, jornalista e marqueteiro

9 de jul. de 2009

Corpo de Cristo

Fonte: Humor Cristão

Seria a igreja evangélica uma grande mula... sem cabeça?

Eu sei que foi pago um alto preço


Fonte: A Igreja sômu nozes [via Púlpito Cristão]

Já dá pra entender o que estão fazendo com Jesus Cristo e seu Evangelho ou tem que desenhar, quero dizer, no caso, escrever... o desenho já está aí!

7 de jul. de 2009

Por que não vou à igreja?

Terminei de ler e estou muito contente com o lançamento do livro Por que você não quer mais ir à igreja?. Já explico.

Há exatos três anos enveredei minha espiritualidade por caminhos, digamos, estreitos e pouco convencionais, portanto, inaceitáveis pela massa evangélica - não só evangélica, claro, mas quaisquer fossem as confissões cristãs. Antes disso detenho uma odisséia da fé comum a muitos dos evangélicos no Brasil: nasci num lar católico negligente com a prática da identificação religiosa; não me lembro se fui batizado ainda bebê e não vou atormentar minha mãe ligando só para perguntar isso. Tentei terminar a catequese, mas achava insuportável e aos poucos deixei de participar. Nunca consegui rezar o terço inteiro. Ficava só imaginando como alguém conseguia! Nunca fui muito apegado à "Virgem Maria", nem aos Santos católicos e não me lembro de conversar com nenhuma imagem. Como vê não fui um bom católico! Paralelo a tudo isso, mesmo tendo-me como tal, ainda usufruia, com minha avó, dos cultos na Igreja Assembléia de Deus nas férias ao visitá-la. Bom, não posso dizer bem que usufruia porque, na verdade, achava um tédio e sempre esperneava para ir embora. Também, paralelamente, cedia um pouco para o Espiritismo do meu pai. De fato era onde mais gostava de estar, comparando com as missas e com os cultos. A sessão espírita era, com toda certeza, um pouco estranha, mas o ambiente era mais leve. As pessoas eram mais serenas, menos austeras e pragmáticas.

Pois bem, o tempo foi passando e fui ficando menos dependente no sentido de ser levado pra lá e pra cá pela mãe, pelo pai ou pela avó! Já estava crescidinho e podia muito bem decidir sobre minha fé sozinho. Sempre fui muito curioso sobre coisas espirituais. Em minha pré-adolescência gostava muito de ler sobre ocultismo, magia, exoterismo e satanismo. Em contrapartida, também mantinha uma sede pela idéia de Deus. Lembro que ficava divagando sobre Ele até a mente travar; de onde veio Deus? Quem criou Deus? Se Ele é onisciente por que criou tudo sabendo que iria dar em "merda" (com licença da palavra)? Se Ele é onipotente por que deixa tanta gente na mão? Se Ele é onipresente como pode aguentar testemunhar um estupro e não fazer nada?

Era assim, minha mente jovem se aventurando em questões que adultos lidam de forma infantil ainda. E foi como resultado desse perfil questionador que tornei-me evangélico. Toda a discrepância da Igreja Católica frente à Bíblia me deu mais que motivos para converter-me ao Protestantismo. E de fato era protestante mesmo porque a boa nova que me fez trocar de religião foi aquela antimariana, anticatólica, anti-idolatria, antisantos, anti-imagens, etc. E como foi isso que recebi foi isso que dei. Era o que sabia pregar: "a Igreja Católica é idólatra, Maria não é Rainha, foi pecadora e não morreu virgem, só Jesus é mediador entre Deus e os homens, etc".

A denominação em que passei a frequentar foi a Igreja do Evangelho Quadrangular. Foi lá que comecei a aprender a ser "crente". Foi lá que ficava espantado e admirado com as manifestações de demônios nos cultos de quarta-feira. Achava o máximo! O período do louvor era o que mais gostava. Claro, o show do pastor também era muito legal! Os pulos, os "tics", as entonações que pareciam ensaiadas, os gritos de efeito... uau! Era muito talento para uma pessoa só!

Meu primo mudou-se da cidade e como era com ele que ia para a igreja, e foi por intermédio dele que me converti, acabei deixando de frequentar os cultos. Eu era um menino muito pouco entrosado e meu primo era minha muleta social. Então, fiquei desmotivado para ir sozinho para a igreja e fiquei um bom tempo "desviado".

É isso, já sabia que quem não frequentava a igreja era desviado. Mas, não havia opção! E nesse período, por conveniência, passei a me declarar ateu. Deixe-me explicar isso! Não deixei de acreditar em Deus. O que ocorreu é que eu achava que ateu era aquele que não tinha religião. É, não sei por que não me passou pela cabeça consultar um dicionário. Mas, agora entendo porque as pessoas se espantavam quando ouviam um menino de 10 anos declarar-se como tal.

No meio dessa história toda minhas duas irmãs mais novas passaram a frequentar a Igreja Cristã Evangélica. Minha mãe insistia que eu fosse junto para vigiá-las. E foi assim que acabei criando o maior vínculo eclesial da minha vida. Foi lá que fui batizado. Foi lá que aprendi a tocar bateria e toquei na equipe de louvor. Foi lá que amadureci espiritualmente. Foi lá que passei bons momentos da minha vida (e os piores também, mas isso explico depois). Foi lá que doei minha vida, minha energia, meu talento, minha liberdade, minha adolescência, meu tempo, meus serviços, etc. Só não foi lá que entreguei meu dinheiro porque ainda não tinha renda. Se bem que do pouco que eu ganhava, dando aula de bateria e fazendo desenhos, eu "devolvia" a décima parte como rezava o mandamento. Tá, confesso que eu tinha muita dificuldade para "devolver" o dízimo e algumas vezes omitia a obediência nesse quesito.

Foram sete anos enfurnado dentro da igreja. Não dá para contar tudo que vivi, vi e ouvi em razão disso a não ser num livro. E isso não seria viável, muito menos interessante já que não há nada de interessante. Basta dizer que fui líder, exemplo para os jovens e adolescentes, professor de Escola Bíblica Dominical (detalhe, acho que nunca faltei em 3 anos), menino prodígio da igreja, entendido da Palavra, sábio, maduro, ministro de louvor, pregador e muito chegado ao pastor e à pastora - o que me contemplava ampla visão da liderança da igreja e dos mecanismos internos. Com isso pode-se abstrair a bagagem que carreguei antes dos 18 anos de idade.

Aliás, fica aqui uma dica para os pastores, líderes e afins. Peguem menos no pé da masturbação e procurem tratar de outra coisa mais eficiente no discipulado dos meninos. Só porque somos adolescentes e jovens não quer dizer que o único pecado que existe em nosso mundinho de espinhas está relacionado ao sexo. Sério, era tanta bitolação com a punheta (mais uma vez licença da palavra) que quando ficava uma semana sem onanizar-me sentia que era o maior santo de todos os tempos da última semana. Haviam tantas outras áreas fundamentais a serem transformadas por Cristo em minha vida, e que ocasionariam na melhoria de outras áreas especializadas, que perdi muito esforço e energia lutando contra meus hormônios.

Pois bem, nestes sete anos transitei entre o tradicional, avivado e carismático em suas diferentes formas e estágios. Vale ressaltar que a igreja não caminhou no mesmo rítmo. O que gerou muita fadiga para nós da equipe de louvor. Imagine um bando de crias de BH (quem lê entenda) do interior de Goiás tentando levar uma igreja estagnada a 40 anos ao "mover"? Isso rendeu muito pano pra manga...

Mudei-me de cidade para estudar, trabalhar e, enfim, o famigerado estereótipo do menino do interior tentando alçar voo. Fui morar com meu primo que agora era membro da Igreja Presbiteriana Orvalho do Hermom. Ele já estava entrosado (como sempre) e já ministrava louvor e tal na igreja. Eu cheguei e mantive-me em sua sombra para não perder o costume. Ainda sem aquela desenvoltura para enturmar mas seguro com a presença dele. Devo detalhar que a experiência numa igreja de interior é totalmente diferente da experiência numa igreja de cidade grande. E isso eu viria a descobrir logo.

Depois de um tempo pouco produtivo e motivacional nesta igreja, mudamo-nos para outro bairro. Daí surgiu aquela dúvida: para qual igreja nós vamos agora? Nós tínhamos um Ministério de Louvor e Adoração chamado Adoração em Plenitude. Lembram do lance das crias de BH? Então, é isso... E era muito importante que tívessemos uma cobertura espiritual para que pudéssemos "ministrar" nas igrejas. Sempre perguntavam isso pra gente quando faziam o convite para tocarmos em algum evento: 24 horas de adoração, louvorzão, conferências proféticas, cultos, etc, etc. Nesse período fizemos parte da Igreja Batista Betel, depois da Igreja de Cristo Rocha Viva, depois da Igreja Betesda, depois da Igreja Plenitude de Deus e, por fim, da Igreja Batista Memorial. Essas foram as igrejas que chegamos a ser membros, mesmo que por pouco tempo. Mas, conhecíamos muitas outras, aliás, mais neopentecostais, em virtude do Ministério de Louvor que tínhamos.

Depois de tudo isso, voltando aos três anos atrás, comecei a perceber que nada fazia tanto sentido como pensava fazer. Manipulação, poder, disputas, divergências, divisões, modismos, falsidade, mentira, soberba, autoritarismo, egoísmo, hierarquia, camadas de poder, abusos, oportunismos, alienação, ritualismo, enganação, etc, etc, foram palavras que começaram a borbulhar em minha cabeça toda vez que parava para meditar, refletir e repensar toda minha eclesiologia.

Não foi fácil carregar tantas dúvidas e questionamentos. Não tinha com quem compartilhar pensamentos tão "hereges" e "rebeldes". Mas, orando, pesquisando e estudando fui me sentido seguro. Por fim, tomei a decisão de não mais ir à igreja. Já era algo que não fazia sentido algum para mim e o fazia por desencargo de consciência. Até que fiquei livre desse tipo de consciência. O verdadeiro desafio era lidar com essa nova realidade: Ser apaixonado por Deus, sentindo-me tão próximo e sincero no relacionamento com Ele como nunca havia sentido - nem mesmo nos melhores tempos de "intimidade" importados de BH - e não ir mais à igreja. As pessoas não concebem essa idéia. Não conseguem imaginar um discípulo de Cristo livre dos cercos institucionais de uma igreja, de uma denominação, de uma teologia, de uma doutrina, de uma "cobertura espiritual" ou de um líder religioso.

E é justamente por isso que me alegro com a chegada do livro Por que você não quer mais ir à igreja? de Wayne Jacobsen e Dave Coleman. Nestes três anos que deixei de ir à igreja tenho visto muitas outras pessoas confidenciando experiências afins à minha. Nestes três anos já não me sinto tão sozinho como no início. É bom ver que a Igreja está se libertando dos templos e rompendo com diversas amarras criadas por homens. Sinto-me alegre por perceber que a sede por Deus e por um relacionamento autêntico com Ele tem sido prioridade na vida de tantos. E estes não necessariamente encerram-se dentro de igrejas. Pelo menos não em igrejas segundo o senso comum.

Estas pessoas percebem que comunhão é algo muito mais profundo e sobrepuja uma simples reunião dentro de um prédio com fachada. Comunhão vai além de ficar olhando para as nucas uns dos outros durante duas horas.

Este livro traz uma história que tem uma mensagem direta, objetiva, simples e libertadora. Para aqueles que não concebem um relacionamento fidedigno com Deus e com outros da mesma fé sem o frequentar semanal à uma igreja institucionalizada, a narração trará uma perspectiva que pode romper com paradigmas. No mínimo trará respostas para as perguntas que mais ouço: Em que igreja você vai? De que igreja você é? Em que igreja você congrega? Em que igreja você assiste? Você é membro de qual igreja? Quem é seu pastor? E, finalmente, por que você não vai à igreja?

Você terá a oportunidade de entender que de fato é possível ser cristão apesar da igreja. E muito mais, que é possível que o que você pensa ser igreja realmente não seja Igreja.

Convido você a ler esse livro que pode lhe causar empatia com a história de Jake Colsen. Talvez seja hora de você descobrir se entregou sua vida à Jesus Cristo ou acabou entregando sua vida à igreja pensando que era pra Cristo.

3 de jul. de 2009

Adeus, igreja?


[...] Não há nada que o Pai deseje mais do que nos ver cair diretamente no colo do Seu amor e de lá nunca mais sair. O plano de Deus, desde a Criação, foi pensado para trazer as pessoas à relação de amor que o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm compartilhado ao longo da eternidade. Ele não deseja nada mais além disso! Você sabe que Deus não é um ser imponente e distante que enviou seu Filho com uma lista de regras a obedecer e rituais a praticar. A missão de Jesus era nos convidar para o amor, para a relação com Deus Pai descrita por ele. Mas o que fizemos? Transformamos a mensagem fundamental de amor em uma instituição, em poder, em trabalho, em culpa, em conformismo e manipulação. Tudo isso soterrou o verdadeiro amor. Em Éfeso, a Igreja estava formando falsos professores. Na Galácia, conseguiu que todos observassem práticas do Antigo Testamento. Atualmente vem convencendo as pessoas a cooperarem com seus programas, sem perceber quanto essas práticas as distanciam da vida com Deus. É mais fácil perceber o problema quando se trata da circuncisão em Éfeso do que quando se trata de ir á missa aos domingos. Mas ambas as práticas podem levar à mesma coisa: crentes entediados e desiludidos, repetindo gestos e rituais vazios da vida com o Pai. [...]

[...] Quando você chega à conclusão de que a rotina que o consome não contribui substancialmente para o seu desejo de conhecer melhor a Deus, algumas coisas incríveis podem ocorrer. Aguentar o mesmo programa, semana após semana, é duro. Você não está cansado de se ver, ano após ano, caindo nas mesmas tentações, rezando as mesmas orações não atendidas e não vendo provas de que está reconhecendo a voz de Deus com uma clareza crescente?

- Estou cansado, sim. - Eu mesmo fiquei surpreso com a rapidez com que a resposta me saltou dos lábios e com a frustração que acompanhou as palavras. - Então por que todos nós fazemos isso?

- Essa resposta, Jake, vai fazer você se conhecer melhor. Por enquanto, seja honesto em relação ao seu tédio e à sua desilusão. E tenha a certeza de que o Pai nunca desistiu do desejo de compartilhar da amizade que você experimentou aos 13 anos.


Excerto de uma conversa travada entre Jake Colsen e João, no livro "Por que você não quer mais ir à igreja?" (negritados por minha conta)

Estou realmente me deliciando com a leitura. É profunda e sensível ao expor experiências eclesiais que muitas vezes reprimimos ou abafamos em nome de uma espiritualidade forçada, de uma comunidade forjada e de um sistema destrutivo.

Saibam mais sobre visitando o hotblog do livro; clique aqui!

2 de jul. de 2009

Não gosto de pastores, não gosto de cantoras, não gosto de evangélicos...


Pode soar terrivelmente cruel esse título, mas quem está mergulhado no ministério sabe o que digo. E quando digo “NÂO GOSTO” não é uma forma de dizer outra coisa, é que eu não gosto mesmo do jeito de 90% dos pastores, cantoras e crentes que conheço.

Não consigo assistir aos debates, os preletores são muito despreparados teologicamente e incrivelmente soberbos em suas opiniões. Não tenho sangue de barata para me manter frio durante uma hora de abobrinhas ditas como verdades absolutas. Os olhares altivos, a pose, os títulos, a forma diferenciada de falar puxando o “S”, as caretas na frente das câmeras, tudo isso me enoja... No final todo mundo se entrega e mostra o lado provinciano tentando divulgar seus “produtos” para quem pode ajudar.

Quanto aos pastores, grupo do qual faço parte, tenho acrescentar que toda soberba será abatida, e toda exploração do povo de Deus está sendo vista. É impossível que um pastor viva desencanadamente com um carro de cem mil reais enquanto existem irmãos que dariam tudo por uma bicicleta para pregar o evangelho em vilarejos no Brasil.

Estive conversando com uma mulher sem religião que mora em uma comunidade onde funciona uma igreja neo pentecostal. Ela me disse que tem nojo de crentes porque eles jogam sal grosso no quintal dela e vivem de nariz em pé. As palavras dela foram: “NUNCA vou freqüentar essa igreja, os crentes são muito metidos a besta”.

Dei razão a ela. Eles não são agentes de transformação, mas inimigos da comunidade; Não são pregadores do evangelho, mas detentores dos dogmas que matam. Em 5 minutos de conversa, apertei a mão daquela mulher e disse a ela sou de Cristo mas não sou metido a besta e beijei-lhe a mão. Bastou para que ela se abrisse e nos desse toda confiança que precisávamos.

Os cantores e as cantoras se acham a elite do gospel. Desfilam com seu exército de fãs empunhando posters e cd´s, chorando e gritando o nome do artista que ganha e gaha bem pra isso. Não gosto de crentes porque são idólatras e não discernem da mão esquerda pra direita. São os piores cegos, os que não querem enxergar.

Daqui para frente salvo raras exceções, prefiro não ter muito contato com crentes, prefiro dividir meus momentos com meus irmãos de fé e gente que não é crente, nem cantor, nem pastor, porque esses encontros não tem me edificado nem um pouco, pelo contrário só tem feito com que eu me decepcione mais com o rumo das coisas. Deus me livre!


Márcio de Souza, em seu blog homônimo


A aversão pelos ditos "crentes", "evangélicos", "gospel's" não é coisa nova... aliás, sempre foi algo que me intrigava quando lia Atos onde conta-se que a igreja contava com a simpatia do povo naquele tempo.


Os "crentes" hoje têm que articular desculpas e teorias de conspiração para esquivarem-se do fato de que o povo não os suportam...

1 de jul. de 2009

Igreja Emergente ou Movimento Emergente?


Parece que para alguns isso soa a mesma coisa, mas minuciosamente estamos falando de coisas distintas. Dando uma olhada em cada blog ou site (na medida do possível) eu me deparo com essa discutida palavra EMERGENTE em voga. A principio a palavra isolada reverbera sem força e sem direção, mas associada às palavras igreja ou movimento ganham força e foco. Fiz-me uma pergunta esses dias sobre o período que surgiu esta palavra na igreja, mas alguns autores de blogs parecem dizer que a palavra surgiu nos “corredores” da igreja e não de dentro dela enquanto instituição, ou seja, ela não veio acompanhada de peso pastoral.

Outros, no entanto falam da vontade de lideres eclesiásticos de “movimentar” a igreja ou pelo menos a denominação em que atuavam presidindo ou como adjuntos. O fato é que se o interesse foi e/ou for chamar de Igreja Emergente esta investida redundamos ao denominacionalismo. Não seria esse o enfado a tempos na igreja? Muitas coisas caem em discussão.

Se os emergentes desejam elaborar uma denominação, e chamá-la também de uma igreja, então surgirá mais uma e aí ninguém agüenta mais isso. Se por outro lado os emergentes permanecem em suas denominações correm o risco de serem rotulados como um grupinho especulativo sem nenhuma adequação as realidades denominacionais, e ainda estarão presos ao denomiancionalismo inúmero já existente.

A Emergência enquanto movimento parece equilibrar o interesse não só de lideres, mas de tantos outros membros da igreja de Cristo. Porque digo isso? Muitos estão fazendo o êxodo denominacional hoje em dia; não só cristãos sem exercício ministerial, mas muitos lideres compreendem que a emergência é relevante para a igreja e não para as denominações “A”, “B” ou “C”. O que está em jogo não é destino das inúmeras placas que mais dividem do que juntam. No processo de defesa muitos lideres denominacionais estão retoricamente perguntando: Nós somos de denominações diferentes, mas não somos do mesmo corpo? Justificando até o argumento da tal unidade com 1 Corintios 12, sobre a operação dos membros no corpo, como se cada denominação cooperasse no crescimento entre si.

Pergunto eu, é assim mesmo? A denominação “A” realmente está liberando seu púlpito para a “B”? E a “B” recebe abertamente um fórum teológico para as “A” e “C”? A “C” celebra mutuamente a comunhão dos santos independente do seu ponto de vista teológico? Qual é a realidade da igreja? Mas uma coisa parece que as une, pelo menos involuntariamente. Não há como negar que ao longo de anos desde o Concílio de Teodósio I em 391 d.C. que o templismo e o denominacionalismo vigoram e que a reforma absorveu esses valores, desfocando o que vem a ser igreja e como ela corrobora no Reino. Enquanto o termo igreja deveria corretamente derivar de pessoas tornou-se o contrário È neste ponto que surge a verdadeira emergência.

Figurado por uma balança a emergência tende hora pesar para velho e melancólico modelo, hora para a anarquia não só dos valores, mas as Escrituras. Este segundo ponto de peso parece vir acompanhado de amargas experiências eclesiásticas como por exemplo abuso de autoridade. Esta estão se feriram tanto que a solução foi sair de vez, sem se bubmeter mais a nenhuma autoridade, porém sem deixar a fé. O ponto sinuoso então, seria rever as demandas eclesiológicas deixadas pelas Escrituras e voltar-se para ela no propósito de negar o péssimo fomento histórico e restaurar a tradição escriturística e apostólica na comunhão legitima dos santos não só no que diz respeito ser um em Jesus, mas uma comunidade de fé e prática mutua. Isso parece até utopia para os que estão deteriorados pela história eclesiástica, para muitos seriam anos revisão ou até mesmo para alguns não há nada para ser revisto, está tudo “nos trinques”! Enfim, isso não deve tratar de “ideologia, eu quero uma pra viver”, mas de uma necessidade urgente.

A missão não é ser emergente, emergente é o momento em si, mas a missão legítima é nesse momento resgatar as reais demandas para igreja, assim como Deus ordenara que fosse e que os apóstolos trabalharam para que se perpetuasse (Ef 2.14,19-22).


Autor:José Eduardo da Silva

Fonte: Emeurgência na Igreja

É de extrema importância o zelo para com a conversa emergente. Principalmente por esta, aqui no Brasil, ainda estar em sua fase primária. Estamos presenciando (participando e fazendo) um novo limiar na História da Igreja. Devemos estar atentos para evitar ao máximo que incorramos nos mesmos velhos erros de sempre... não somos perfeitos, claro; mas, podemos tentar errar menos, concordam?