7 de mai. de 2009

Não sabe explicar por que não transou ainda?


Para quem está habituado aos apelos sexistas do nosso tempo, é difícil compreender as razões porque esperamos pelo casamento. Não é algo que faça parte da realidade vivida pelos jovens de hoje. Quando falamos sobre esta decisão com nossos colegas de classe ou de trabalho, a reação é no mínimo de estranheza.

Porém entendo que esperar, além de ser um ato de obediência é também uma escolha. Aparentemente pode não parecer muito confortável, entretanto as conseqüências são eternas.

Pensando nisso, seguem 12 simples razões para o motivo de espera.

01. Porque eu quero, e quero muito.

Quem disse que é fácil passar pelas tentações? Porém tenho plena consciência das minhas escolhas e faço vivência delas, assim como de suas consequências. Por isso EU QUERO e escolho esperar até o casamento.

“Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz… (2Tm 2:22)

02. Para deixar de ser o centro da própria vida

Deixar Deus dominar minha vida, como o dono de tudo que tenho e sou. “Também o coração dos homens está cheio de maldade, nele há desvarios enquanto vivem.” (Eclesiastes 9:3)

03. Não desonrar a Deus

Imagino o profundo arrependimento de saber que desonrei meu Deus e a outra pessoa… sabendo que cedi à tentação da carne e que banalizei uma coisa tão perfeita que Deus fez pra mim. Tomo as palavras de José ao ser tentado: “Como poderia eu cometer uma tamanha maldade e pecar contra Deus?”

04. Ser e fazer a diferença nesta sociedade que prega sexo como profano e momentâneo.

Fazemos parte de uma geração descomprometida. Tornou-se comum obter benefícios de forma imediata e desprezar as responsabilidades. Porém a orientação bíblica é que “…vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo. “ (FL. 2:15)

05. Para oferecer ao meu esposo (a) uma das maiores demonstrações de amor

Viver a imensa alegria do sexo e poder dividir isso com quem vou passar o resto da minha vida

A Bíblia não fala em tornar-se UM a toa. “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (Gn 2:24) Tem coisa melhor do que ser UMA SÓ CARNE com a pessoa que você passará o resto dos seus dias? “O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro…” Hb. 13.4

06. Para rever suas prioridades

A prioridade é estudar, viajar? Se minha prioridade não é casar, porque ter uma vida marital com meu namorado? “Para tudo há uma ocasião certa. Há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.” Ec. 3.1

07. Para tomar mais cuidado comigo mesmo

Gasta-se milhões em conscientização das doenças sexualmente transmissíveis e incentivando o uso da camisinha. Ao mesmo tempo, cresce o número de jovens infectados com DSTs ou enfrentando uma gravidez inesperada. Portanto, o melhor método de prevenção é a ausência do sexo. Isso é lógico! Se eu não tenho relações com pessoas diversas, não corro o risco de pegar doença sexualmente transmissível. Esperar ainda é o melhor método! “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus. O Senhor Deus castigará todas essas práticas. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.” I Ts 4.3-5;7

08. Filhos no tempo certo

Ter filhos no século XXI não é fácil, ainda mais um filho fora do casamento, onde estarei despreparada, trancar a faculdade, sair do emprego, etc.

09. Para respeitar e obedecer meus pais

Não me sentiria confortável contando que fui no motel com meu namorado diante do meu pai. Não me sentiria à vontade sabendo que meus pais estão preocupados que eu possa engravidar ou pegar uma doença.

Dentro do casamento as coisas mudam.

10. Para aprender que as coisas são como são, nem tudo é perfeito. E tudo bem!

As meninas foram criadas com a promessa que o príncipe encantado chegaria com o cavalo branco resgatando das aflições existentes. Bem, sabemos que a realidade é bem diferente. Enfrentar a realidade como é, sem buscar satisfação de uma ausência de carinho em vários relacionamentos, além de sábio, é prudente.

11. Para passar pela experiência da Lua-de-mel

Lua de mel deixou de ser “o grande momento” da vida do casal, passou ser um tempo de viajem e não de descoberta no mundo moderno. Eu optando por ESPERAR, a lua de mel torna a ter o verdadeiro sentido, a emoção e a descoberta. Eu quero muito isso!

12. Para testemunhar

Viver Jesus no dia de hoje é fundamental para uma vida cristã saudável pautada na Bíblia. Ter um casamento abençoado testemunhando a santidade durante o namoro para os filhos é o verdadeiro exemplo vivido.

Fonte: SexxxChurch

P.S.: Tá aí uma boa explicação (12 na verdade rs) que não remete à hipocrisia, religiosidade e nem puritanismo. Simples, objetivo e direto.

Espero que ninguém mais diga que só fará sexo depois do casamento por causa da igreja, ou por causa do pastor, ou por causa da reputação, blá, blá, blá... rs

Isso não cola...

"Hoje sou crente e não abro mão da minha fé"


"Por fim, gostaria que os pastores fossem sinceros na hora de pedir dinheiro, e deixassem de lado a chantagem espiritual que fazem com todos. E não só chantagem, como terrorismo espiritual tambem. Eles pegam Malaquias 3:10 e alienam o povo: "Olha aqui, quem nao der o dizimo, o devorador vai ferrar com a vida hein..o único modo de repreender o demonio devorador é dizimiando, nao tem outro modo". Não é possível que um cara que passou anos no seminario creia numa mentira dessas."

"Defitivamente o ato de dizimar nao torna sua vida mais próspera. Se seguimos o raciocinio Xuxa e Michale Jackson sao dizimistas fieis, e nunca roubaram a Deus."

"Quem ama corrige. Amo meu povo. Amo minha igreja. E sempre que achar que algo nao esta bem com ela, eu falarei. Estou aberto a verdade, pra ser convencido a mudar de opiniao ou entao convencer vc a mudar a sua."

"Religiao e igreja nao salva. Meu Jesus me salva. Só ele."

"Hj Sou crente e nao abro mao da minha fé."

Trechos de comentários de Danilo Gentili (CQC) numa discussão feita no orkut em 2005 sobre o dízimo.

Fonte: Pavablog

P.S.: Infelizmente estes tais que estudaram anos num seminário de Teologia não só acreditam (ou fingem acreditar por conveniência) como também aterrorizam o rebanho com tamanha falácia.

Agora se o Gentili abriu ou não abriu mão da fé não sei... não cabe a mim julgar! ;-)

5 de mai. de 2009

Em Busca da Música Gospel Perfeita


Depois de muito se revoltar com a música gospel no Brasil atualmente, alguns blogueiros e podcasters decidiram fazer alguma coisa a respeito e criaram o projeto A Música Gospel Perfeita.

A idéia é protestar de forma bem humorada e interativa contra a, segundo os idealizadores do projeto, "falta de criatividade brasileira na hora de exercer esse dom de Deus: a música".

O projeto funciona da seguinte forma: todos os participantes e voluntários montaram juntos desde a estrutura, tema e etc, até a letra e o "espontâneo" que conterá na Música Gospel Perfeita através de posts e comentários em um blog.

Para saber se vai realmente acontecer o projeto ainda está em fases de testes, mas o número de pessoas que já demonstraram que irão apoiar o movimento é grande, a maioria deles blogueiros evangélicos e até ateus, espalhados por todo o Brasil.

A fase atual pede para que os fãs comentem no primeiro post sobre o projeto e deem sugestões para a empreeitada, que sonha em talvez até gravar um clipe com os participantes.

Se você quiser participar ou conferir a busca pela Música Gospel Perfeita, acesse: http://migre.me/U67

Fonte: DotGospel

Nuuussa, nem preciso dizer que não só vou ajudar a "compor" a "Música Gospel Perfeita" como também apoio totalmente a iniciativa. rs

Atracando-se com Deus


1. A coisa mais importante é: orar se aprende orando. O crucial é estar de fato a caminho, não pensando na viagem nem lendo e conversando sobre ela. "Um passo hesitante mas real é mais valioso do que qualquer número de jornadas realizadas na imaginação".

2. Como mencionado anteriormente: ore da maneira que você consegue; não ore do modo que você não consegue.

3. Não ore apenas quando sentir vontade. Comparecer e ficar quieto é uma disciplina. Cada dia equilibrado nas colunas gêmeas da oração matinal e vespertina é um passo na jornada da crença para a experiência, da teoria para a realidade. Como diz o comercial da Nike: Just d oit [Apenas faça].

4. Quando um homem ou uma mulher têm um desejo intenso de se atracar com Deus, eles se mexem e agem. Respondem e oram.

Sem essa fome, são diletantes jogando jogos espirituais. Se o desejo intenso está ausente, caia de joelhos diante do Deus em que você diz acreditar e implore por essa dádiva. Como observou o falecido rabi Abraham Heschel: "Deus não tem importância alguma até que tenha suprema importância".

Brennan Manning em A assinatura de Jesus

Creio que no decorrer de toda minha odisséia cristã, orar seja o desafio sempre presente.

4 de mai. de 2009

Consumo, logo existo

Ao visitar a admirável obra social do cantor Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. “Quem trouxe a fome foi a geladeira”, disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade.

Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.

É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos “Manuscritos econômicos e filosóficos” (1844), ele constata que “o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós.”

O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão. Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia? Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em Cinderela. Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder.

Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc. Comércio deriva de “com mercê”, com troca.

Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.

Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. “Nada poderia ser maior que a sedução” - diz Jean Baudrillard - “nem mesmo a ordem que a destrói.” E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.

Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. “Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático”, respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz”.

FREI BETTO

Fonte: Solomon1

Você seria feliz sem internet, sem iPhone, sem iPod, sem celular, sem computador, sem tênis Nike ou All Star, sem shopping, sem grife, sem carro, sem apartamento, sem moda, sem televisão, sem DVD... sem dinheiro?

Já parou pra pensar do que realmente você precisa pra viver?

3 de mai. de 2009

Você sabe onde está sua alma?

Estou no meio de Manhattan, onde motoristas ainda buzinam como se tivessem tocando instrumentos musicais, e gritar nos restaurantes parece um tipo de modalidade esportiva. Estou bem distante da “brisa amena” de vozes que ouvi uma semana atrás no Domingo de Páscoa.

“Glórias ao Teu nome”, as mulheres cantavam e bailavam naquela igreja feita de pedras. Fui tomado por uma “explosão de cores”, uma corrente emocional que me carregou para o mar.

O Cristianismo, de certa forma, possui um ritmo – que é crescente nesse período do ano. O ritmo acelerado do carnaval dá espaço ao andamento lento da quaresma e depois ao stacatto dos hinos da Páscoa. Do devaneio para a reflexão. Depois de 40 dias no deserto, ou algo parecido…

Carnaval – as estrelas do rock são boas nisso

Carnaval vem de Carne vale, ou afastamento da carne, uma festa de despedida. Estive em várias. Os brasileiros dizem que a deles é a melhor; com certeza, eles são os melhores. Não tem jeito de não entrar na dança. Você não tem escolha, a não ser juntar-se aos blocos invadindo as ruas, como as barrancas dos rios, numa enchente de animação marcada pelo ritmo. Isso é uma alegria que não pode ser desprezada. Isso é força da vida. Isso é o sinal de um coração cheio, se derramando de gratidão. A escolha é sua…

Mas, é com a Quaresma que eu sempre tive problemas. Desisti… negar-se a si mesmo é onde me torno um fracasso. Minha ideia de disciplina é simples – trabalho duro – mas é claro que essa é outra indulgência.

Então chega a morte e a ressurreição, que é a Páscoa. É um momento transcendental pra mim – um renascimento que eu sempre vou precisar. Nunca foi tão claro quanto há alguns, quando meu pai faleceu. Lembro-me da vergonha e da libertação trazida por minhas lágrimas quentes, enquanto eu me ajoelhava em uma capela num vilarejo na França, e pedia perdão pela minha natureza pródiga – perdão por ter brigado com meu pai por tantos anos, e por ter desperdiçado tantas oportunidades de conhecê-lo melhor. Lembro-me do sentimento de “paz que excede todo entendimento”, como um peso removido. De todos os festivais cristãos, é a Páscoa que requer mais fé – empurrando você para além da reverência pela criação, além da mística idéia do nascimento virginal, até o inacreditável conceito de que a morte não é o fim. A cruz é como uma encruzilhada. Qualquer que sejam suas crenças, religiosas ou não, a oportunidade de começar de novo é uma ideia motivadora.

Domingo passado, o regente do coral estava surpreendente… agitado e, de repente calmo; alegre e, depois contemplativo, grande virtuosismo no piano e em suas melodias. Ele entoou suas invocações num lindo tenor, com um menino sardento ao seu lado tocando “conga” e tamborim, como se fosse uma bateria inteira. Os fieis cantavam, a plenos pulmões, canções de louvor a um Deus que aparentemente deu Sua voz pela nossa.

Eu venho a igrejas pobres e catedrais arrogantes pra quê? Eu leio a Bíblia com que finalidade? Para avaliar minha cabeça? Meu coração? Não, minha alma! Para mim, essas meditações são como um prumo usado pelo mestre-de-obras – verificando se as paredes estão tortas ou retas. Checo a minha vida emocional com a música, minha vida intelectual escrevendo, mas a religião é aonde eu busco minha alma.

O pregador disse: “Que lucro um homem pode ter se ele tem o mundo aos seus pés, mas perde a sua alma?” Ouvindo isso, os peregrinos se agruparam e perguntaram: “É comigo, Senhor?” Na América e na Europa, as pessoas estão perguntando: “Somos nós?”

Bem, sim. Isto é conosco!

O carnaval acabou. O comércio tem esquentado mercados e climas… o céu empoeirado da revolução industrial, que mudou de lugar e tamanho, agora derrete as calotas polares e faz os mares ferverem, na era da revolução tecnológica. O capitalismo está sendo julgado; a globalização, mais uma vez, está no banco dos réus. A gente dizia que tudo o que a gente queria para o resto do mundo era o que desejávamos para nós. Mas aí descobrimos que, se cada alma viva nesse planeta tivesse uma geladeira, uma casa e uma caminhonete, a gente se asfixiaria na fumaça dos nossos próprios escapamentos.

A quaresma está aqui, quer a gente tenha pedido ou não. E, com ela, esperamos, vem a chance da nossa redenção. Mas, redenção não é um termo só espiritual, mas também um conceito econômico. Na virada do milênio, o movimento em prol do cancelamento das dívidas dos países africanos, inspirado pelo conceito judeu do “Jubileu”, tinha como alvo dar aos países mais pobres um recomeço. Um contingente de 34 milhões de crianças agora pode ir à escola na África, principalmente, porque os governos usaram o dinheiro poupado com o perdão das dívidas. Essa redenção não foi o fim a escravidão econômica, mas foi um esperançoso recomeço para muitos. E, para muitos, e não apenas para poucos sortudos, é para onde a busca pela nossa alma deve nos levar.

Há algumas semanas, eu estava em Washington, quando chegou a notícia sobre a proposta de corte das verbas para o plano presidencial de assistência. As pessoas disseram que seria mais difícil cumprir as promessas feitas para os mais carentes, enquanto houvesse uma crise aqui nos EUA. E será mesmo.

Mas, li recentemente que os americanos estão usando os serviços públicos com mais freqüência, exatamente porque estão sem dinheiro. E, após uma votação multipartidária no Senado, o boato é que o Congresso devolverá a verba que havia sido cortada da área assistencial – rejeitando, assim, o abandono daqueles que estão pagando um preço muito alto por uma crise que não foi criada por eles. É nas horas mais difíceis que as pessoas mostram o que são na verdade.

Sua alma

Grande parte da discussão de hoje é sobre dinheiro - e não valores. Um projeto assistencial bem feito pode ser um bom exemplo para os dois. Providenciando remédio pra AIDS para quase quatro milhões de pessoas, estabelecendo práticas para o progresso da saúde maternal, erradicando pestes que matam como a malária e o rotovírus – tudo isso proporciona um degrau a menos em direção à autosuficiência, tudo isso pode nos ajudar a fazermos amigos em tempos pródigos para se criar inimizades. Não são almas; isto é investimento. Não é caridade; isto é justiça.

Estranho, mas à medida que saía daquela pequena igreja de pedra para o sol escaldante, pensava em Warren Buffet e Bill Gates, cujas fortunas combinadas foram dedicadas à luta contra miséria. Os dois são agnósticos, eu creio. Pensei em Nelson Mandela, que por toda sua vida lutou pelos direitos das outras pessoas. Um homem espiritual, sem dúvida. Religioso? Ouvi dizer que ele não se descreve desse jeito.

Enfim, nem toda música da alma vem da igreja.

Bono é líder e vocalista da banda U2, co-fundador do grupo ONE e colunista-contribuidor para o New York Times.

Fonte: New York Times, traduzido por Nelson Costa / Cristianismo Criativo [via Solomo1]

Mobilização de leitura agita blogosfera

Uma mobilização de leitura coletiva tem agitado a internet blogosfera cristã brasileira. Num país onde o índice de leitura é de menos do que 4,7 livros por ano per capta uma mobilização como essa é de grande valia.

Se você está pensando que por ser uma mobilização cristã o movimento cerceia o direito de contar livros "não-cristãos" pode parando por ai. A mobilização mesmo sendo de cárater cristão deixa muitíssimo aberta a contagem de livros de todo e qualquer gênero.

Segundo pesquisa realizada com 5.012 pessoas em 311 municípios de todo o país de 29 de novembro de 2007 a 14 de dezembro do mesmo ano apontou que o brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano variando de acordo com as regiões, como é o caso do Sul, onde foi apurado que são lidos 5,5 livros por habitante ao ano. No Sudeste o número foi de 4,9, no Centro-Oeste 4,5, no Nordeste 4,2 e no Norte 3,9. A pesquisa confirmou também que as mulheres lêem mais que os homens, 5,3 contra 4,1 livros por ano. Para saber mais sobre a pesquisa acesse: ProLivro

Para entendermos um pouco mais da mobilização o nosso "humilde bloguinho"[kkk] entrevistou - Sérgio Pavarini editor chefe do PavaBlog - o idealizador da mobilização pela leitura :

Como nasceu a idéia e quem teve o click da mobilização?

R: Atuo no mercado editorial há 12 anos. Visitei algumas centenas de livrarias brasileiras e fiquei assustado com a falta de intimidade das equipes com os livros. Nas editoras, a situação também é parecida. Você trabalha vendendo livros... mas não gosta de ler! Costumo dizer que é o mesmo que contratar pessoas não-cristãs para liderar grupos de evangelização. Sem paixão não rola. =)

Só o fato de você expor seus números já ajuda a adquirir a disciplina necessária para você desenvolver o hábito de leitura. Para alguns a competitividade é um estímulo forte, mas procuro não enfatizar esse item. Como disse Schopenhauer, "a arte de não ler é muito importante".

Quanto tempo levou para vir a luz?

R: Como o escritor inglês Nick Hornby, também sou fissurado em listas. Só o fato de postá-las no blog já chamou a atenção de bastante gente. Na editora que atuei como gerente de marketing usava esse tipo de ranking com a galera da minha área e depois com todos os funcionários. Aí o caminho natural para perenizar uma ideia bem-sucedida foi abrir a iniciativa para todos os leitores.

Como tem sido a receptividade da blogosfera?

R: Um dos lances principais que norteia o mob de leitura é a participação coletiva. Assim que você envia sua lista de livros já recebe o convite para ser moderador e compartilhar trecho do que tem lido. Esse tipo de envolvimento proporcionou números bem legais para uma campanha que tem poucos meses de vida. Criamos o banner e + de 40 blogs já o estampam com destaque. Já são mais de 500 pessoas nos seguindo no twitter e 73 blogs seguidores. O blog está com cerca de 200 posts. A comu no Orkut tem mais de 400 participantes.

O que as pessoas estão achando da idéia?

R: A visão é um catalisador poderoso, especialmente quando temperado pela paixão. É emocionante ver o quanto o mob tem contribuído para a vida de algumas pessoas. Há leitores sem condições financeiras cuja totalidade de livros lidos foi emprestada de amigos e de bibliotecas. Outros preferem não receber os prêmio para que outras pessoas sejam beneficiadas. Há gente até doando grana para cobrir as despesas de correios. Cada um tem se doado da forma que pode. Promovemos o primeiro bookcrossing em como ilustração da importância de que o conhecimento deve ser repartido com generosidade.

O que a equipe espera com essa mobilização?

R: A internet eliminou as fronteiras e permitiu a livre expressão em níveis inimagináveis há algum tempo. No entanto, boa parte do que é publicado é pouco relevante em função das deficiências que carregamos tanto na formação educacional quanto cultural. A leitura de bons livros ajuda a corrigir esses problemas, beneficiando simultaneamente o blogueiro e sua massa de leitores.

Uma mensagem pro nossos leitores e futuros participantes da mobilização:

Um dos próximos passos é estender a mobilização para jovens e crianças, criando categorias especiais para eles. Para que estas e outras ideias sejam concretizadas é fundamental ampliar o número de participantes e, claro, de pessoas envolvidas na organização. Para entrar no time, é só enviar a lista do que leu em 2009 para o e-mail livrosepessoas@gmail.com, mesmo que tenha lido apenas um livro. Se você é blogueiro, ajude-nos a divulgar o mob com o banner e replicando alguns posts do blog do mob de leitura. Aos leitores do Penso logo é Cristo, muuuito obrigado pela oportunidade de compartilhar um pouco mais da nossa "paixão pelas palavras". =)

fonte: Penso logo é Cristo [via Pavablog#]

Lóooooogico que eu participo e colaboro com o mob de leitura. Se você ainda não conhece dá um clique aqui. Minha lista de leitura você pode conferir no menu aí em cima do blog em "Leitura".

2 de mai. de 2009

Porque o “trabalho” da Igreja Universal não vale um vintém


Ao criticar essa perversa instituição é possível encontrar sempre alguém por perto, cristão ou não, para justificar o belíssimo trabalho que a frequencia nos cultos foi capaz de realizar: jovens libertos das drogas, famílias restauradas, dívidas pagas, e mais uma série de jargões feitos para uma publicidade lucrativa do perfeito viver burguês , tão sonhado no nosso país emergente.

Fato é que a tal “libertação” do mundo das drogas e do alccol pode ser alcançada, a preços bem mais justos, se me entendem, em um grupo de ajuda como o Alcoólicos Anônimos. E a bela família restaurada está disponível para todos em breves visitas a um terapeuta. Dívidas pagas passam por negociação, parcelamento e boa administração dos nossos escassos recursos.

Vê-se que muito do que se prega não passa de anseios do homem moderno, atraído pela fantasiosa vida vendida nos comerciais de TV. Uma instituição como a do Bispo Macedo, aproveita-se dessas vontades e mostra o atalho, que, como todos sabemos, é balela.

Alguns devem estar a se perguntar: Thiago, você não dá valor a obra do Espírito Santo nas transformações dessas vidas que frequentam a Igreja Universal? Não, não dou!

Eis a explicação: você acha que a tal suposta obra do Espírito iria se adaptar para atender ao modelo de vida perfeito que criamos depois da Revolução Industrial? Pois é, vá aos exemplos da Bíblia e aí serás capaz de achar, em abundância, uma série de famílias tão perturbadas, ou até mais, que a minha e a sua:

  • Davi , homicida e pulador de cerca
  • Adão e Eva e sua complicada relação de casal
  • Noé, o dançarino peladão e pinguço familiar
  • Arão e Miriam, os invejosos
  • Moisés, o irritadinho
  • José e seus “adoráveis” irmãozinhos
  • Jacó e sua índole altamente “confiável”

Agora você pode alegar que os meus exemplos são restritos ao antigo testamento. Pois bem, são, e isso não faz diferença, já que a a morte de Cristo não garante restauração familiar para ninguém. E se formos observar muito bem, os valores da família passaram a ter pouquíssima importância no Novo Testamento. No lugar do “afeto sanguineo”, Jesus afirma novos valores de coletividade e amor ao próximo. Ele mesmo não era do tipo “almoço no domingo na casa da mamãe Maria”.

Outro fato importante a ser considerado é a nossa herança cultural. Desde quando a obra divina é guiada pelos critérios do homem moderno, ou seja, suas definições do que é bom ou ruim? Se, na nossa concepção atual, o ato de usufruir da maconha é algo ruim, isso não significa que esse mesmo critério é válido para Deus. Podes alegar que não o é pelo fato de que a Bíblia pede-nos a seleção do “bom, perfeito e agradável”, mas há diferença de valores sob a perspectiva divina versus ponto de vista humano. Não devemos jamais pensar que o “olhar de Deus” limita-se ao modo de viver ocidental, no qual fomos criados.

Logo, não há valor nenhum no trabalho da Igreja Universal, e de boa parte dessas comunidades cristãs, pelo contrário, é até prejudicial, diferente de grupos de ajuda como o A.A.. É importante ressaltar que transformação moral não tem nada a ver com obra do Espírito. Aliás, até mesmo outros animais podem experimentar mudança de conduta, de acordo com os valores daquele ambiente no qual é adestrado.

Thiago Bonfim no Livraria do Thiago