13 de abr. de 2009

De que igreja o mundo precisa?


A maior carência de nosso tempo é de uma igreja que se torne o que ela raramente tem sido: o corpo de Cristo com a face voltada para o mundo, amando aos outros independentemente de religião ou cultura, derramando-se numa vida de serviço, oferecendo esperança a um mundo aterrorizado e apresentando-se como alternativa genuína ao presente estado de coisas. "A igreja digna desse nome é um grupo de pessoas no qual o amor de Deus quebrou o feitiço dos demônios e falsos deuses que estão produzindo neste momento uma fissura no mundo."

Não quero a religião dura e visceral que prefere ter Clint Eastwood, e não Jesus, como herói; nem a religião especulativa que tende a aprisionar o evangelho nos salões da erudição; tampouco aquela barulhenta e indulgente, que é um apelo grosseiro à emotividade. Anseio por entusiasmo, inteligência e compaixão numa igreja despojada, que acene gentilmente para que o mundo venha desfrutar da paz e unidade que possuímos pela presença do Espírito em nosso meio.

Brennam Manning em A assinatura de Jesus

A distância entre o que a igreja tem sido e o que ela deveria ser é uma medida desanimadora para qualquer discípulo sério de Jesus. Mas, como tal, a esperança e a fé numa igreja mais coerente com Cristo são determinantes na vivência das Boas Notícias de nosso Senhor Jesus Cristo e no esforço conjunto para que o Corpo alinhe-se à vontade do Cabeça.

12 de abr. de 2009

Homens e mulheres da Páscoa

É importante e útil lembrar que o valor do sofrimento de Jesus repousa não na dor em si mesma (pois, em si mesma, a dor não tem nenhum valor), mas no amor que o inspirou, como Cirilo, de Jerusalém, destacou muitos séculos atrás. Ele escreveu: "Nunca esqueça que aquilo que dá valor a um sacrifício não é a renúncia que exige, mas a qualidade do amor que inspirou a renúncia". É exatamente assim que devemos nos aproximar do Calvário. A alma humana de Jesus alegrou o coração de seu Pai celestial com a generosidade incontrolável e a obediência inabalável de seu amor.

Felizmente, a cruz não foi a palavra final de Deus a seu povo. Nossa vida cristã contempla, além do Calvário, a ressurreição. É a natureza humana do Cristo ressuscitado, filtrada por inteiro pelo brilho da divindade, que mostra como um espelho reflete tudo aquilo para que somos convocados. O destino de nosso irmão Cristo é o nosso próprio destino. Se sofrermos com ele, com ele seremos glorificados.

O padrão é sempre o mesmo. Todos os caminhos levam ao Calvário. Só alcançamos a vida através da morte; só aprendemos a ternura através da dor; só chegamos à luz através da escuridão; Jonas deve ser sepultado no ventre da baleia; o grão de trigo deve morrer; devemos ser formados à semelhança de Sua morte se queremos nos tornar homens e mulheres da Páscoa.

Brennan Manning em A sabedoria da ternura.

11 de abr. de 2009

Conversas no caminho

"A antipatia que os evangélicos vem conquistando está longe de ser fruto de sua integridade, justiça e compromisso com a verdade, mas é fruto de sua incoerência, hipocrisia, oportunismo e falta de caráter."

"A presença de evangélicos em todas as áreas da vida pública chama a atenção mais pelos escândalos do que por suas propostas altruístas e humanitárias."

"A conversão não implica uma mudança de vida e de caráter, somos mais conhecidos pelo fanatismo, intolerância, fundamentalismo, esquisitice do que por seguir a Cristo, ser seus discípulos."

"O Cristo que queremos servir não é mais aquele que se revela a nós, mas um que nós criamos a partir daquilo que nos interessa."

"Tudo aquilo que é feito sem envolver o coração é feito nas trevas, não importa quão bíblico pareça ser."

Ricardo Barbosa, em Conversas no caminho (Encontro).

Postado por Sérgio Pavarini no mob de leitura Livros só mudam pessoas

10 de abr. de 2009

9 de abr. de 2009

O que é Reino de Deus para você?


Em conversa com meu cunhado, que está lendo A mensagem secreta de Jesus de Brian McLaren, falamos sobre o conceito de "Reino de Deus". Então, perguntei-lhe, em virtude da leitura, qual a idéia de "Reino de Deus" que carregava antes e que definições ele tem assimilado através do que McLaren disserta no livro.

Ele explicou que sua visão de "Reino de Deus" moldava-se no senso comum de que quando morremos haverá um Céu esplêndido e inefável, com anjinhos sobrevoando os ares, onde fixa-se uma paz jamais experimentada e coisas similares que compõem o imaginário da maioria cristã. Entretanto, agora percebe que a idéia de "Reino", a respeito da qual Jesus pregou, difere bastante dos contos apocalípticos que tendemos a ouvir dentro das igrejas. Passou a compreender um "Reino" subversivo, participativo e penetrante.

Os dois chegamos à uma conclusão. A exemplo do que Jesus disse, o "Reino de Deus" está em nós. O que implica no fato de que, se estou no trabalho, carrego o "Reino" comigo; se estou na faculdade, lá também levo o "Reino de Deus"; se em casa, o "Reino" ali estará em mim. Somos agentes desse "Reino" que infere no mundo por meios não convencionais. Outros reinos experimentaram a conquista de outros por meio da violência, da guerra, do poder e da tecnologia que ostentavam. Contudo, o "Reino" que Jesus vem compartilhar contraria estas prerrogativas inerentes a qualquer reinado com vistas à expansão de seu governo.

O "Reino" do Pai não é físico... não podemos apontá-lo ali ou acolá. Seu governo não estabele-se na figura de um só homem, de um só líder de todos. Não há nenhuma autoridade competente. Apenas Cristo é Rei. Desde o momento em que aposso-me do ensino de Cristo e permito-me ser transformado à Sua imagem e Semelhança, através do Evangelho, passo a penetrar o "Reino de Deus" em minha vida e, consequentemente, na vida das pessoas que me cercam. Tal influência não diz respeito à moralidade do outro. Muito menos diz que sou eu o embaixador da boa conduta, conduzindo-me à uma postura legalista. McLaren explica:

"Pode ser que tenhamos pressionado as pessoas a serem boas ou moralmente firmes, corretas ou ortodoxas para que evitassem o inferno após a morte, mas não as inspiramos com a possibilidade de se tornarem lindas e de frutificarem a fim de que a terra fosse curada nesta vida. Podemos tê-las instruído a como ser um bom batista, presbiteriano, católico ou metodista aos domingos, mas não as treinamos, desafiamos ou inspiramos a viver o Reino de Deus em seus empregos, na sua vizinhança, em suas famílias, escolas, clubes ou associações entre um domingo e outro.
Pode ser que tenhamos tentado fazer com que se 'comportassem' - sendo cidadãos tranqüilos de seus reinos terrenos e consumidores ativos com suas economias terrenas - mas não os estimulamos e inspiramos a investir e sacrificar seu tempo, sua inteligência, seu dinheiro e sua energia na causa revolucionária do Reino de Deus. Não, muitas vezes Karl Marx é que estava certo: usamos a religião como uma droga, de modo que pudéssemos suportar as terríveis condições de um mundo que não é o Reino de Deus. A religião se tornou nosso calmante para que não ficássemos tão indignados com a injustiça. Nossa religiosidade, portanto, nos ajudou, e favoreceu os que estavam no poder e que não queriam mais nada além de conservar e preservar a posição injusta que lhes era tão lucrativa e confortável.

O que aconteceria - fico imaginando sentado ao contemplar os magníficos vitrais de uma das catedrais de Praga, Viena, Londres ou Florença - se provássemos novamente as boas notícias de Jesus - não como um calmante, mas como um vibrante, potente e novo vinho que nos enchesse de gozo e de esperança de que um mundo melhor é possível? E se, inebriados por esse novo vinho, lançássemos fora nossa inibição e de fato começássemos a agir como se realmente o Reino escondido, porém real, de Deus estivesse próximo, à mão?"
A mensagem secreta de Jesus, Brian D. McLaren


O que entendemos? O "Reino de Deus" não configura uma realidade distante e pouco provável. A Eternidade começa aqui e agora na medida em que vou aderindo à vontade do Pai no meu contexto de vida. Mas, esse "Reino" não pode ser verificado nos moldes dos governos que conhecemos. Esse "Reino" não tem nada a ver com marchas para Jesus, campanhas de evangelização, ou avivamentos extravagantes. Isso não é "Reino de Deus", é a igreja esvaindo sua energia com tradições, costumes e movimentos que não têm nenhum efeito sobre o Erro.

"[...]Seu Reino não se trata de um show. Não se trata de volume alto de som e de um espetáculo espalhafatoso e reluzente, ou de impressionantes formas externas. Pelo contrário: aparenta bem menos do que é na realidade, secreto, por trás dos palcos e cenários. Suas recompensas não vêm através de desempenho público, mas de vigorosa prática em segredo. Semelhantemente, ele [Jesus Cristo] diz, nossa riqueza deveria também estar por detrás das cortinas; deveríamos "acumular tesouros nos céus" [...]"
A mensagem secreta de Jesus, Brian D. Mclaren

O "Reino de Deus" começa aqui entre nós, os que celebramos o dom da vida abundante de Cristo. Começa com o amor divino expresso em cada atitude ou palavra que procede de cada um de nós. Como Dallas Willard muito bem define, o "Reino em nós" é uma grande "conspiração Divina". Quando escolhemos abandonar o erro e direcionamo-nos à boa, perfeita e agradável vontade do Pai, passamos a colaborar efetivamente com essa "conspiração".

E ao contrário do que muitos pensam, ninguém vai para o Céu.

“A gente não vai para o céu. É o oposto: o céu é que nos entra, pulmões adentro. A pessoa morre e é engasgada em nuvem.” (Mia Couto, Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, pág. 163)[via Liberdade pela Graça]

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Reino à mão
Isso é Reino de Deus?
Inacabado

8 de abr. de 2009

Nunca mais...

Palavras sem poesia carecem de paixão; palavras sem paixão carecem de persuasão; palavras sem persuasão carecem de poder. Quando a linguagem do deveria ou do teria que predomina, a palavra pregada e escrita se transforma em terra seca, vazia de paixão, persuasão e poder. No encerramento de muitos sermões, a exortação, "agora façamos..." não carrega convicção nem poder. Sem o compartilhar da experiência pessoal, a pregação profética é impossível. A Palavra de Deus deve estar encarnada na vida do pregador.

A solidão é a fornalha da transformação, e acender o fogo interior é a sabedoria do silêncio. Esta sabedoria torna o discurso pessoal; sem ela, o diálogo é impossível. Palavras sobre Jesus que não vêm de dentro são inúteis, enquanto palavras nascidas do silêncio comunicam conhecimento íntimo, afetuoso e amoroso do Senhor Jesus. No profeta Oséias, Deus fala do modo como um jovem apaixonado poderia convencer sua amada a casar-se com ele: "agora vou atraí-la; vou levá-la para o deserto e falar-lhe com carinho" (2.14).

Rejeite o silêncio e a solidão como troféus reservados a monges e freiras enclausurados, e as consequências para o discipulado serão previsíveis. O critério único para admissão no "Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo" (Mateus 25.34) é a confissão de Jesus como Senhor, não o modo como "algum dos meus menores irmãos" foi alimentado, vestido, recepcionado e visitado. E, no entanto, quando a discriminação contra mulheres continua sem ser combatida; quando as minorias são consideradas cidadãos de segunda classe; quando a liderança é perita nos princípios de megaigrejas e não no culto humilde; quando os pobres e os párias não são bem-vindos à mesa; quando a obediência ao Pai, o serviço amoroso pelos outros e a simplicidade de vida são considerados esfera de ação exclusiva da elite dos que creem; quando a grandeza evangélica é medida pela conquista e não pela pequenez; e quando a rejeição e o sofrimento inerentes ao testemunho ousado da verdade são racionalizados, minimizados e finalmente pulverizados em estudos bíblicos impertinentes, então Jesus é transformado em um anacronismo, seus ensinos são transformados em algo irrelevante e seus seguidores transformados em uma multidão anônima - entretanto, seus investimentos permanecem intactos, seus cartões de crédito e suas quinquilharias assegurados; uma manada constrangida, se movendo em passo de marcha com os bajuladores, absorvida em seus próprios interesses, que se mantém ocupada "expandindo seus territórios para a glória de Deus".

Se conhecêssemos o Novo Testamento de cor, se ouvíssemos seus trovões soando em nossos ouvidos, distinquindo-os dos sons tolos e das sirenes persuasivas do mundo, se soubéssemos de cor ao menos uma sílaba de uma palavra dentro de uma sentença do Sermão do Monte, se déssemos ouvidos à voz da águia de Patmos, se crêssemos que nos deixarmos ser amados por Deus é mais importante que amar a Deus, nunca mais toleraríamos as maquinações de religiosos manipuladores que distorcem a face de Deus. Nunca mais os que caíram seriam humilhados publicamente diante da congregação. Nunca mais pregadores destemperados teriam autorização para aterrorizar pessoas nos bancos das igrejas. Nunca mais nos colocaríamos ao lado de celebridades clericais e nos curvaríamos aos ricos e poderosos. Nunca mais a primazia de amar estaria subordinada a uma suposta ortodoxia. Nunca mais a barra do salto com vara seria rebaixada. Nunca mais nenhuma igreja ousaria fazar mal a outra, e nunca mais a voz profética de um Martim Luther King Jr. ou de um Daniel Berrigan seria silenciada.

Excerto do livro A sabedoria da ternura escrito por Brennan Manning (págs. 22,23 e 24, Uma palavra antes...)

6 de abr. de 2009

Existe Igreja Emergente no Brasil?

Há uma falsa crença acerca da existência de uma igreja emergente no Brasil.

O movimento não existe em sua ideologia pura. As discussões, até então desenvolvidas, são frutos da inconformação de uma minoria que negou a participação no picadeiro do circo neopentecostal. As tentativas de desenvolver o diálogo acerca do movimento emergente está também entre outra parcela que tenta se desvencilhar daquele tradicionalismo coroca e rabugento.

A solução para as inquietações desses dois grupos apareceu, para variar, na nossa metrópole cultural: Estados Unidos. É importante saber que o movimento emergente colhe muito das idéias da Teologia Relacional, que já é discutida há muito tempo na nossa América do Sul. Entretanto a organização do pensamento das comunidades emergentes é declaradamente subversiva e desenvolvida no seio de igrejas protestantes, ou algo que o valha.

Podemos dizer que as boas influências da igreja emergente despontam timidamente em instituições já consolidadas, que optam por um nadar contra a corrente da maioria neopentecostal.

Fato é que muitos se autodenominam emergentes, mas trata-se apenas de uma bela etiqueta para velhas bugigangas teológicas.

A igreja emergente tem sua existência condicionada à sua intenção de desconstruir e de colocar no centro o deus-homem (frágil, pobre) repensando desse modo a velha pirâmide que vê o Deus onipotente, onipresente, dono da prata e ouro: um deus nobre, ao modo burguês (inatingível).

Termino com esse trecho que explica e resume um dos princípios da Igreja Emergente, retirado do muito bem organizado wiki “emergente”.

Evangelismo, portanto, é repensado; deixa de ser proselitista para humildemente caminhar, demonstrar e conviver com o “outro”. Em vez de arrogantes são transparentes e humildes. Em vez de todos procurarem ser chefes, procuram ser servos. Jesus é visto no outro e na outra.

Imagem Mutualistic Symbiotic Relationship de *PhoToronto.

fonte: Livraria do Thiago

P.S.: Bom, se conclui-se que não existe Igreja Emergente no Brasil, é simples questão de tempo... pois, que ela está aí, está...

2 de abr. de 2009

Sobre jacarés e lobisomens (1)


Vou tentar desenvolver um pouco da minha opinião, ainda informe, sobre a questão homossexual em nossa sociedade, no tocante à união legalizada.

Para esclarecer, não sou moralista, nem fundamentalista, nem discípulo do Julio Severo (rs) e muito menos homofóbico. Quem acompanha a proposta do blog percebe o quão pouco convencional sou. Tenho amigos gays, não colegas, amigos mesmo... enfim...

Como cristão, não compactuo com a prática homossexual, tanto quanto não compactuo com a prática da enganação, da violência, da prostituição, da pedofilia, etc, etc. Ainda como cristão, não intrometo na vida de um cara que encontrou prazer inusitado em oferecer o orifício rugoso a outrem, diga-se de passagem, do mesmo "time". E mesmo que, por mais que me esforce por entender - e não entendo - o cara não preferir uma mulher, que ostenta um corpo cuja as linhas são de causar portentosa inveja em qualquer projetista, cujo bumbum, ah! o bumbum... é um ode à sensualidade, à beleza, à arte escultural, é um símbolo... os seios, nem é preciso falar muito. Desde ainda bebês de colo já nos deliciávamos com eles, com a desculpa de que queríamos leite. Infelizmente crescemos e a desculpa já não cola tão bem... a pele da mulher, o cheiro, o gosto da boca, a maciez das mãos... Oh, God! Vou parar por aqui porque por mais que tente não podería compreender um homem preferir um homem a uma mulher. E olha que até entendo uma mulher preferir uma mulher porque mulher é tão bom, mas tão bom... mas, tão bom que às vezes acontece de uma delas cair em si e perceber isso (rs).

Então, como ia dizendo, não tenho o direito de condenar ou julgar os homossexuais. Aliás, ninguém tem direito de condenar e julgar ninguém. Mas, quero tratar dos aspectos que me incomodam no âmbito social e ideológico. A sociedade avança a passos largos, todos sabem. O que outrora era tabu, já não é mais. Vivemos em uma sociedade sexualizada, fato. Atualmente fala-se muito da polêmica PL 122 que tramita no Senado. Em meio a tudo isso o que me preocupa não são os homessexuais e seus estilos de vida, sua homossexualidade. O que me preocupa é o homessexualismo. Isso mesmo, com "ismo". Essa perspectiva doutrinária, ideológica e até "religiosa" dos homossexuais e simpatizantes (o que é um simpatizante? existe simpatizantes de héterossexuais?) me causa certo incômodo.

Querendo ou não, sei que o pós-modernismo e sua relatividade está aí, e tentar manter uma opinião quase retrô não é o jeito mais descolado de ser um "nice guy". É que em meio a tanto "open your mind" e "free your mind" fico com a sensação de que tudo ainda vai dar em "merda", como diria o Capitão Nascimento.

Em alguns países o casamento gay já é uma realidade com respaldo na lei. Não tenho nada contra um casal gay se unir e morarem juntos. Como já disse, não é da minha conta. Mas, casamento? Matrimônio? Não sei se estou pronto para engolir... não sei se estou pronto - e talvez nem queira estar - para passear com meu filho no parque, em meio a outras famílias, casais de namorados, cachorros, crianças, casais homossexuais e, ocasionalmente, ouvir meu filho indagar:

- Papai, quando crescer posso casar com o Pedrinho? Gosto muito dele... meninas são chatas! Não gosto delas...

Meu medo é ver os limites serem totalmente extinguidos da sociedade. Quebrar paradigmas é necessário, mas, romper totalmente com uma estrutura humana tão natural da sociedade, tão inerente, tão Divina... me assusta! As pessoas são livres, vivemos em uma democracia... se a maioria permitir a implementação de leis que mutabilizem o conceito utópico de família, que ainda carrego, eu como minoria devo prestar meu respeito e aceder à opinião majoritária.

Mas, o que fazer com os casais gays que queiram se unir como marido e mulher? Aliás, deveríamos criar outros termos? Como marido e marido, mulher e mulher? Ou, "eu vos declaro parceiro ativo e parceiro passivo"? E entre mulheres? Existe ativa ou passiva? Desculpem minha ignorância nesse sentido. Me pergunto, quais alterações retroativas deverão ser feitas para viabilizar o casamento gay em nossa Constituição? Presumo que a definição de família deverá ser adaptada.

Seria injusto dois gays que viveram juntos há anos, que batalharam para ter seus bens materiais e, no fim das contas, se separam e deparam-se com nenhum respaldo legislativo que os conduza a um "processo de divórcio". Será necessário instituir o casamento gay para resolver esse problema? Não acho necessário. Pode-se muito bem articular contratos que terão os mesmos resultados. Tá, não dá na mesma que casamento civil? Quase. Mas, como disse, minha inquietação é com a parte ideológica, doutrinária da coisa... talvez apenas trocar os nomes dos documentos me causasse maior alívio. Hipocrisia?!

No final das contas, meu receio é ver a Família deformada... é ter a impressão de que uma sociedade relativista, pós-moderna demais, com argumentos viáveis, dificilmente contestáveis e bem construídos, se achegue cada vez mais perto daquela sociedade vítima de um fenônemo celeste trágico.

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