12 de fev. de 2009

É tudo a respeito de quem? Jesus?

Se a adoração é para Deus, porque tantas músicas dizem respeito a nós?

Se um marciano visitasse a terra e observasse alguns terráqueos num culto contemporâneo ou não-tradicional, o que ele informaria ao seu planeta de origem? (Um exercício similar pode ser imaginado para igrejas mais tradicionais, se bem que os resultados seriam diferentes). Meu amigo John, que é professor de música e não um extraterrestre, notou algo que pouquíssimos terráqueos perceberam até agora (veja seu artigo completo em inglês em www.anewkindofchristian.com). Uma parcela demasiadamente grande das nossas músicas de adoração tem o foco mais sobre nós mesmos do que sobre Deus. É bem verdade que usamos as palavras “adoração, gratidão, louvor a Deus”, mas, na maioria das vezes, referimo-nos a quê? A seus gloriosos atributos e maravilhosos mistérios? A seu agir na história e seus julgamentos cósmicos? Ao fato de que resgata a viúva e o órfão, e torna livre o cativo? À maneira como humilha os arrogantes e dispersa o rico deixando-o com fome? Ao modo como faz orbitar as galáxias e embeleza as estrelas com sua luz gloriosa? Ah, não. Ao invés disso, adoramos a Deus por nos manter próximos a ele, por nos proteger, por fazer com que nos sintamos amados, abençoados, perdoados, acolhidos e aquecidos sob o cobertor elétrico de sua segurança eternal. Nós o parabenizamos por suprir nossas necessidades de modo satisfatório. Muitas vezes quando dizemos a Deus “Você é um Deus tão bom!”, parece mesmo que estamos dirigindo palavras carinhosas a um animalzinho de estimação. Não me causa nenhuma alegria dizer estas coisas, mas acredito que elas precisam ser ditas. Pois, em geral, quando não estamos louvando a Deus pelo quanto somos bem cuidados por ele, estamos entoando canções que nos parabenizam pela maneira tão positiva como respondemos à sua graça. Você já se deu conta do quanto nós cantamos sobre o quão apaixonadamente nós cantamos? Também falamos muito a respeito do que nós vamos fazer - geralmente no singular: “eu adorarei, eu darei louvor, eu me prostrarei etc e etc”. Uma bela e bem-intencionada canção chega a afirmar que Deus pensa “em mim acima de tudo”. Como diria meu amigo professor de música: “Perdoe-me, mas a única pessoa que pensa em mim acima de tudo... sou eu mesmo”. Quando o problema não está no que cantamos, está no que pregamos. Sejam os sermões contemporâneos do tipo “satisfaça-as-minhas-necessidades” ou os sermões estilo “fogo e enxofre” típicos da escola mais antiga, o foco parece não abandonar o ideal de que nossas boas almas serão finalmente levadas ao céu, enquanto neste entretempo, nossas circunstâncias aqui na terra seguirão melhorando pouco a pouco. Sim, talvez eu esteja exagerando. Mas me pergunto, será que estou mesmo? Um visitante marciano poderia julgar então, que por amor aos pobres, aos esquecidos, aos alienados, à viúva, ao órfão e ao oprimido, Deus não é um grande sucesso por aqui. Nem por amor a ele mesmo Deus seria popular entre nós, a não ser por aquilo que ele faz em nosso favor - o que com grande freqüência revela quem é a verdadeira estrela do espetáculo. Falando em espetáculo, o filme protagonizado por Jim Carrey, O Show de Truman (The Truman Show), me vem à mente junto com uma inquietante indagação: se nos mantivéssemos sensatos, como Truman ao final do filme, e nos encontrássemos diante da oportunidade de sair de nossa redoma deixando para trás o seguro e previsível mundo onde somos as estrelas e onde tudo gira ao nosso redor... será que teríamos a coragem de dar este passo? Em minhas viagens (reais e virtuais), tenho o privilégio de conhecer centenas de pastores e líderes cristãos, muitos deles jovens e muitos já mais velhos do que eu, que estão saindo de suas redomas, renunciando ao estrelato espiritual e abandonando os pequenos aquários onde vivem em segurança e privilégio para partirem rumo a um mundo muito maior e mais desafiador. Estes pastores e líderes têm abraçado a difícil tarefa de re-examinar seus sistemas teológicos centrados em si mesmos (e na igreja), mesmo sabendo que este processo pode fazê-los parecer estranhos, perigosos e até mesmo heréticos aos olhos de alguns amigos. Eles têm assumido este risco porque, dentre outras coisas, estão cansados das músicas que adoram nossa bela e apaixonante sinceridade, e incluem a Deus entre os vários acessórios que contribuem para nossa riqueza material, emocional e espiritual. Estes pastores e líderes recusam-se a limitar o foco de suas pregações às “necessidades” dos salvos e eleitos, mas ao invés disso, buscam manter vivo nos ouvidos de sua audiência, o clamor dos menos favorecidos, dos marginalizados e também dos perdidos. Eles estão escrevendo novas canções e pregando novos sermões sobre justiça e compaixão, missão e esperança, amor divino e amor humano (orientado para o próximo). Novos cânticos e novos sermões sobre a glória de um Deus que ama não apenas a “mim, mim, mim”, mas a todo o mundo - gente vermelha, amarela, negra e branca, como diz a antiga canção. Este exercício tem deslocado o foco de um evangelho centrado sobre o “eu” para um evangelho capaz de abençoar o mundo inteiro. Sem dúvida, muito do que se tem discutido sobre a “igreja emergente” encaixa-se na categoria de uma nova configuração demográfica carente de um novo arranjo onde tudo esteja ajustado a seus caprichos e gostos não-convencionais. Afinal, tudo gira ainda em torno de mim, tudo ainda diz respeito a mim. A diferença, no entanto, é que este “mim” provém de outro setor do mercado. É como se estivéssemos solicitando que o cenário do filme O Show de Truman fosse redesenhado para um novo e mais exigente Truman, um “hiper-Truman”. Mas se existe ao menos uma faísca de alguma coisa a mais na conversa emergente, apenas uma centelha de esperança de que o Deus real possa ser encontrado fora da redoma de uma religião consumista e narcisista, e de que este Deus, na verdade, seja tão maravilhoso que nós desejemos por algum tempo cantar e pregar sobre ele, mais do que sobre nós mesmos, então devemos alimentar esta pequena chama. Isto daria aos marcianos uma boa notícia para levar de volta a seu planeta de origem. E seria também uma boa notícia por aqui.

Brian McLaren no Cristianismo Hoje

11 de fev. de 2009

Tomou a pílula vermelha


A Pílula Vermelha

A cena de Matrix em que Morpheus oferece duas opções para Neo: a pílula vermelha da verdade, ou a azul, da realidade virtual, sempre me instigou: e se fosse eu? Será que um dia eu teria que escolher entre uma verdade dura, mas real, ou a maravilhosa ilusão?

No fundo eu sabia que a minha vida era uma Matrix, mas não sabia como poderia encontrar Morpheus e escolher ver a verdade.

Enquanto isso, eu continuava vivendo a vida normal da realidade virtual: trabalho trabalho trabalho, comer, dormir e se divertir desesperadamente para esquecer que a vida é só trabalho e poderia acabar a qualquer momento, sem eu ter a mínima idéia para quê aquilo tudo servia.

Depois de muito correr atrás da felicidade e do significado, eu estava cansada. Caiu a ficha que para o sistema da Matrix funcionar a felicidade tinha que continuar a ser um cacho de uvas inalcançável, de onde, às vezes, caiam algumas uvas meio podres.

Cansada, machucada e sem esperança de ser feliz o tempo todo, eu fazia vários questionamentos sobre o sentido daquela vida superficial que eu levava. Pronto. Comecei a olhar em volta e todos viviam naquela mesma corda bamba: faltava alguma coisa. Eu era Neo, percebendo que tinha algo muito estranho no mundo.

Soube o que estava de errado com o mundo: nada é para ser como deveria. As pessoas deveriam conviver mais, se amar mais, e não se isolar mais. O trabalho deveria servir para o sustento, e não o contrário. Quem tem muito deveria dividir com quem tem pouco.

Para mim ficou claro que tudo estava ao contrário. Eu queria tomar o caminho de volta, o caminho estreito da pílula vermelha e estar onde eu deveria estar. Ficou óbvio que o fim daquela vida contrária à natureza era a morte, e eu queria viver. Por ganância, o homem quis viver na independência de Deus, e destruiu o planeta, a natureza, as pessoas, e a própria vida.

Meus antepassados escolheram viver à margem do propósito real da vida. Ecolheram viver na matrix. Escolheram a morte.

Havia uma possibilidade. Um inocente morreu na Matrix para que, quem quisesse, saísse dela e voltasse a ter a vida real. Para que o buraco da alma fosse preenchido. Para que todos vivessem eternamente na realidade. Para que a verdade libertasse.

E tudo o que esse homem magnífico queria é que eu soubesse de seu sacrifício e o aceitasse. Por acaso o nome dele era Jesus.

Quando essa ficha caiu percebi que eu estava diante do dia mais importante da minha vida. Nada mais seria igual.

Qual vai ser, pílula vermelha ou azul?

Tomei a pílula vermelha. Tudo mudou. Renasci fora da Matrix, mas tenho livre acesso a ela, para ajudar os outros a sair. Este caminho é mas estreito, mas é o único caminho. Todos os outros são atalhos que levam ao precipício.

E é desse caminho que falaremos aqui.

Ellen Bileski tem 27 anos, é jornalista e mora em São Paulo. Tomou a pílula vermelha em 2008. Como renasceu fora da Matrix há pouco, está reaprendendo a andar. Dá vários tropeços, esses dias quase quebrou o nariz. Acha maravilhoso estar na mundo real.

fonte: Oxe Meo! Caminho Estreito, Sorriso Largo?

9 de fev. de 2009

Sobre Deus...


DEUS É COMO UM PÁSSARO ENCANTADO que nunca se vê. Só se ouve o seu canto... Deus é uma suspeita do nosso coração de que o universo tem um coração que pulsa com o nosso. Suspeita... nenhuma certeza. Fujam dos que têm certezas. Olhem bem: eles trazem gaiolas nas suas mãos. Os pássaros que têm presos nas suas gaiolas são pássaros empalhados. Ídolos.

Rubem Alves em "O melhor de Rubem Alves" Nossa Cultura Editora, p.111


Ricardo Gondim [via Princess Blog]

8 de fev. de 2009

Curtindo Beatles com Jesus - Deus não é gospel

Converti-me há 21 anos, em 4 de fevereiro de 1988. A conversão a Cristo promoveu uma verdadeira revolução em minha vida. Experimentei o que significa o amor de Deus. Experimentei, também, o que significa sofrer por causa dessa nova fé. Chacotas, zombarias, humilhações — tudo por causa daquele em quem comecei a crer.

No entanto, aprendi também a criar uma “carapaça” ao meu redor. Vi que talvez fosse melhor me proteger dos temidos ataques do mundo vivendo atrás de um “muro de Berlim” cultural, onde somente aquilo que fosse “religiosamente aceitável” seria admitido. O mais interessante é que esse muro era seletivo. Barrava apenas música e literatura, com exceção da literatura escolar, que era obrigatória. Enfim, aprendi a filtrar aquilo que vinha a mim de acordo com padrões pré-estabelecidos por um ethos social vigente.

Aos poucos, vi essa carapaça contrair trincados e rachaduras. Por meio do pastorado, tive contato com várias realidades no Brasil e fora dele. Em algumas, vi que pessoas que criaram uma carapaça ainda mais grossa do que a minha eram extremamente religiosas, mas que não experimentavam o frescor da graça do crucificado. Em vez disso, exalavam o bolor fétido da religiosidade morta e carcomida dos fariseus contemporâneos de Jesus. Eram capazes de recusar a audição de alguma peça musical devido à sua origem “profana”, mas também se recusavam a viver uma vida de amor cristão, preferindo substituí-la com regrinhas autoglorificantes. E isso tudo em nome de um Deus a quem conheciam só de ouvir falar.

Tive também a oportunidade de conhecer irmãos de outros países que agiam de modo diverso do meu. E vi que, mesmo na diferença cultural, aqueles eram irmãos de valor, com o coração no reino, muito mais até do que eu, com todo o meu escudo confessional.

Nessa minha queda-de-braço cultural com Deus, compreendi melhor o que Paulo quis deixar registrado em Cl 2.20-23: “Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne”.

Finalmente, vi que estava querendo ser melhor e mais santo que o Senhor. Nessa minha paranoia ególatra, fechei os olhos para a realidade de que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1.17), incluindo, aí, as boas dádivas culturais.

“Diga-me de verdade, diga-me porque Jesus foi crucificado / Foi por isso que papai morreu? / Foi por você? Foi por mim? / Será que assisto muita TV? / Isto é uma ponta de acusação em seus olhos?” Esses não são versos de protesto de alguma banda cristã que questiona a banalidade gospel de hoje em dia. São os versos iniciais da música “The post war dream”, do Pink Floyd. Vejo hoje, portanto, que Deus está muito além de nossas limitações culturais. Ele pode usar, caso queira, uma peça teatral, um texto de jornal, uma música para sua glória, independente da confessionalidade. Sua soberania nos mostra que Deus não é gospel. Sua graça nos permite ver a sua beleza por meio da beleza artística, seja ela evangélica ou não.

Enfim, a graça de Deus me mostra, entre outras coisas, que posso curtir boa música, independentemente do rótulo, com o Senhor.

Rodrigo de Lima Ferreira (Digão), no site da Ultimato. [via Pavablog]

5 de fev. de 2009

Mais um besteirol evangélico

Quem gosta de filmes com certeza sabe avaliar e dizer que, da década de 90 para cá, os filmes de comedia são de baixa qualidade. Foi por isso que, no ano de 2001, os estúdios de Hollywood lançaram um filme chamado “não é mais um besteirol americano”. Mas foi, apenas, mais um filme de comedia ruim.


Por que estou dizendo isso: é porque tenho encontrado no meio da igreja evangélica muita similaridade com estes filmes. A baixa qualidade nas pregações/ensino realizadas nos púlpitos e as histerias que tais discursos provocam, são idênticas aos filmes de comedia de Hollywood.

Esta deficiência nos sermões de hoje é fruto de uma distinção que ocorre principalmente em igrejas pentecostais: a distinção entre pregação e ensino.

Para um crente pentecostal, pregação de qualidade deve conter: citação de vários trechos da bíblia; sessão de revelação; falatório noutras línguas; o uso de chavões; o pregador deve sair em disparada falando freneticamente por alguns minutos e quase sem tempo para respirar; gritaria e histeria para todos os lados; e mais um monte de coisas que só alienam, mas não alimentam.

Para estes, o que aconteceu no dia em que Jonathan Edwards pregou seu sermão “pecadores na mão de um Deus irado”, em que a multidão entrou num frenesi desvairado, é referencia de “avivamento” e de pregação bem sucedida.

Já o que eles chamam de ensino é: todo o ato de ministrar a Palavra com ótima exposição do texto; o pregador expor, com calma e sobriamente, o conteúdo proposto; não se tem gritaria, ou seja, todo mundo fica quieto e prestando atenção; nos cultos de ensino não se tem sessão revelação. Resumindo: ensino, para estes, é todo o ambiente pacificado e tranqüilo, onde a histeria passa de largo.

Porém, toda esta tentativa de diferenciar as duas coisas não passa de tolice, pois tenho uma noticia a dar a todos estes que assim pensam: não existe diferença entre ensinar e pregar. Tanto na etimologia, como na prática, a execução de ambas as palavras se dão da mesma maneira. Logo não existe diferença alguma. Porque a pregação do Evangelho é o ensino da Palavra e o ensino da Palavra é a pregação do Evangelho.

Toda esta tentativa de criar um conceito se deve as seguintes coisas:



  1. Porque a filosofia que rege o atual sistema já está presente nos arraiais eclesiásticos: No nosso sistema atual valorizam-se as aparências – não importa se você é, o importante é parecer que é – e isso já entrou na igreja faz muito tempo. Não importa se tais manifestações são vindas de Deus, o importante é ter num culto tais manifestações.
  2. Porque estamos vivendo a época onde a consciência já não tem mais espaço; o que vale hoje é massificação dos sentidos: os crentes pentecostais acham que o conhecimento na Palavra promove o esfriamento da fé, por isso, existirem, em algumas igrejas, ainda, a aversão a teologia. O negocio no meio evangélico é sentir arrepios daqui, dali, para permanecer num constante estagio de infantilização da consciência.

  3. Porque na cabeça de muitos crentes essas manifestações são as provas mais evidentes da existência de Deus: nesta hora, contraria-se a própria Palavra: enquanto Paulo adverte aos cristãos de Corinto para que não promovessem a histeria coletiva, pois não há edificação em nada disso, hoje queremos demonstrar as pessoas que Deus existe por meio de tais praticas.

O que nós precisamos entender é que em nenhuma parte da Bíblia você encontra Jesus eufórico, cheio de discursos entusiástico; pelo contrario, nós percebemos Jesus ensinando com toda a humildade, mansidão e tranqüilidade. E todo este gesto de Jesus pode ser percebido em um de seus ensinamentos: quando ele ensinou que o Reino é das criançinhas.

Agora ensinar desse jeito não causa admiração (exterior), não promove discursos com muita gritaria (exterior), não arranca muitos chavões do publico (exterior), não cria atmosfera para a adoração-histeria (exterior); mas ensinar assim promove a construção do caráter (interior), ajuda na caminhada para a pacificação dos sentidos (interior), auxilia no crescimento da consciência (interior) e nos ajuda a re-vermos nossos princípios (interior).

O meu desejo e anseio é que voltemos o nosso olhar para Jesus, a fim de que, com sua simplicidade e observando seu modo de viver e agir, aceitemos que para Jesus, pregar é ensinar e ensinar é pregar.

Pois esta é a grande lição: o poder da pregação não deve ser medido pela capacidade de causar arrepios ou fazer uma multidão, euforicamente, glorificar a Deus. O poder da pregação é a capacidade dele transformar mentes reprováveis e cheias de complexificações, em mentes que consigam crescer na graça, no conhecimento e na simplicidade do nosso Salvador.
Se na hora da mensagem não acontecer tal lição saiba: Isso não passa de “mais um besteirol evangélico-americano”.

Nele, que foi manso e humilde enquanto pregador

Victor no blog Celebrai!

Liturgia




Proveniente do grego clássico leitourgia (verbo leitourghéin; substantivo de pessoa: leitourgós) deriva da composição de laós jônico e ático leós (=povo) e de ergon (=obra). Traduzido literalmente significa “serviço prestado ao povo” ou “serviço diretamente prestado para o bem comum”. Usada no âmbito civil.

Em sua origem e termo indicava a obra, a ação ou a iniciativa assumida livremente por um particular (indivíduo ou família) em favor do povo, ou do bairro, ou da cidade, ou do Estado.

Com o passar do tempo, a mesma obra, perdeu, quer por institucionalização, quer por imposição, o seu caráter ‘livre’.
Sendo assim, passou a ser chamado de ‘liturgia’ qualquer trabalho que importasse em ‘serviço’ mais ou menos obrigatório, prestado ao Estado ou à divindade (serviço religioso) ou a um particular. Assim existiam diversos tipos de liturgia como a apresentação do coro no teatro grego, o armamento do navio, o acolhimento de uma tribo nas ocasiões das festas nacionais, etc. Mais tarde no Egito, com esta palavra se entendia qualquer prestação pública de serviço e do século II a.C. também o serviço cultual prestado por pessoas para isto designadas.

Por "Liturgia" se entendia na Grécia clássica, isto é, pelo séc. VI antes de Cristo, um serviço público feito para o povo por alguém de posses. Este realizava tal serviço ou de forma livre ou porque se sentia como que obrigado a fazê-lo, por ocupar elevada posição social e econômica. Assim, eram "Liturgias" a promoção de festas populares, a promoção de jogos olímpicos ou o custeio de um destacamento militar ou de uma nave de guerra em momentos de conflitos.

A seguir, na época helenística, séc. III a I antes de Cristo, a palavra vai mudar de sentido. Ora, como sabemos, as palavras numa língua viva costumam mudar o seu significado ao longo do tempo, e isso podemos facilmente comprovar na nossa própria língua. Assim, na época helenística "Liturgia" vai passar a designar seja um trabalho obrigatório realizado por um determinado grupo como castigo por alguma desobediência contra o poder constituído, ou trabalho em reconhecimento a honras recebidas. Também por "Liturgia" começa-se a entender o serviço do servo para com seu senhor ou um favorzinho de um amigo para com o outro. E aqui o termo perde aquele caráter de serviço público, para a coletividade, que era seu componente essencial.

Todavia, nesta mesma época helenística, começamos a ver o termo "Liturgia" sendo usado cada vez mais em sentido religioso-cultual, para indicar o serviço que algumas pessoas previamente escolhidas prestavam aos deuses. E é precisamente neste sentido técnico de serviço que se presta a Deus que a palavra vai entrar no Antigo Testamento e, tempos mais tarde, será acolhida no mundo cristão.

De fato, no texto do Antigo Testamento em hebraico, traduzido ainda antes de Cristo para o grego (por volta do ano 200 em Alexandria, Egito) e chamado tradução dos LXX (porque, conforme se sustenta, foi traduzido por 70 homens sábios), "Liturgia" aparece cerca de 170 vezes, designando sempre o culto prestado a Javé, não por qualquer pessoa, mas apenas pelos Sacerdotes e pelos Levitas no Templo de Jerusalém. Já quando se refere ao culto prestado a Javé pelo povo, a palavra utilizada pelos LXX não é jamais "Liturgia", mas latría ou doulía. Isso por si só já nos indica que os tradutores dos LXX fizeram uma escolha consciente deste termo "Liturgia", dando-lhe um sentido técnico preciso para indicar somente o culto oficial destinado a Javé e realizado por uma categoria toda particular de pessoas reservadas para isso: os Sacerdotes hebraicos.

No Novo Testamento o termo "Liturgia" vai aparecer apenas 15 vezes: 05 vezes com significado profano; 04 vezes com significado ritual-sacerdotal; 03 vezes com significado de culto espiritual e ritual cristão (Rm 15,6); para Paulo, pregar o Evangelho é ação litúrgico-sacerdotal (Fl 2,17 a liturgia de fé, At 13,2). Encontramos aí o significado mais próximo ao que será chamado Liturgia Cristã: “oração comunitária da comunidade cristã”. E a razão de um tal desprezo dele pelo NT parece dever-se exatamente ao fato de "Liturgia" recordar de maneira muito clara e direta os sacrifícios realizados no Templo e que foram tantas vezes e de tantos modos duramente criticados pelos profetas de Israel, por não serem verdadeira expressão de amor e agradecimento a Deus pelos benefícios recebidos ou sinal de conversão dos pecados. Nestes sacrifícios, em geral, não aparecia o coração do homem; e este tipo de culto Deus jamais pode aceitar (cf. Sl 39,7-9; 49,14.23; 50,18-19; 68,31-32; 140,2; Is 1,10-20; Jr 7,3-11; Os 6,6; 8,11-13; Am 5,21-25).

No cristianismo primitivo o termo "Liturgia" também resiste a aparecer. Os primeiros cristãos adotando o "espiritualismo cultual", isto é, aquele tipo de culto realizado em "espírito e verdade", não mais ligado às instituições do sacerdócio ou do templo, seja o de Jerusalém ou de Garizim (cf. Jo 4,19-26), não sentem a necessidade de utilizar uma palavra que havia servido para identificar explicitamente um culto oficial, feito segundo regras precisas, tal qual era o sacrifício hebraico, vazio de espírito e rico de exterioridade. Mas já na Igreja pós-apostólica, "Liturgia" vai perdendo parte de seu aspecto negativo e começa a distinguir os ritos do culto cristão, como se vê em documentos como a Didaché ou Doutrina dos Apóstolos, escrita entre os anos 80 e 90 de nossa era e na 1ª Carta de Clemente Romano aos Coríntios, de cerca do ano 96.

Fonte: Paróquia Santa Luzia e Santo Expedito [via MangaChurch]

3 de fev. de 2009

Eva e Adão

COMO SÃO SEU ADÃO E SUA EVA NO PARAÍSO?

A visão moral fantasiosa sobre a vida de “Adão e Eva no Paraíso” — rsrsrs — é tão irreal que torna a narrativa mítico-histórica do Gênesis uma Estória, uma fábula, um conto infantil.

Os judeus aparentemente não tiveram muitas ilações sobre como era a vida sexual do casal primordial, mas os cristãos superabundaram em ilações e até conclusões.

Jesus apenas aludiu ao casal primordial a fim de dizer que a intenção de Deus na criação, ao fazer homem e mulher, não um homem e muitas mulheres, era que o homem fosse monogâmico — mas é aí que Jesus fica; apenas dizendo: “Não foi assim desde o princípio!”

No entanto, em séculos posteriores, os “Pais da Igreja” começaram a se meter no sexo do casal primordial, na intenção de criarem uma existência assexuada para os então “fiéis” do nascente cristianismo.

Afinal, os crentes teriam que ser melhores do que Adão antes de comer o que não deveria...

Foi assim que Adão e Eva nunca transaram antes de comerem do fruto — pensavam.

Foi também assim que eles somente tiveram filhos depois de pecarem.

Foi pela mesma razão também que no inconsciente coletivo da cristandade, o fruto, que virou “maçã” — era, de fato, a pepequinha da Eva.

Ultimamente li alguém que me perguntava qual teria sido a perversão de Adão [“comendo” Eva], que fez com que Deus lançasse os dois para fora do Paraíso... Rsrsrs.

Já pensou?...

Agora Adão e Eva, que antes não transavam, foram expulsos por excessos na transa e nos fetiches!...

São os tempos!...

Cada um vê como vê!

E cada um vê conforme seu próprio coração!

A ilustração acima, de Adão e Eva na visão mulçumana, não somente é engraçada, como também demonstra na forma de caricatura a visão islâmica do sexo.

Meu Adão e minha Eva eram muito ativos sexualmente, muito alegres, muito nus, muito simples, muito mamíferos, muito harmônicos com o todo, e, também, muito diferentes de nós.

Transar para eles não era como transar para nós!

Assim como eles não viam um leão e não diziam: Nossa! Um leão!

Para Adão a pepeca era como a pepeca. Somente isto. E dali, sabia ele, procediam as alegrias maiores da criação debaixo do sol.

Adão não tinha essas questões.

Além disso, ele também não era nem pós-moderno e nem metrossexual.

Adão era um homem.

Eva uma mulher.

Ele era macho.

Ela era fêmea.

Era apenas assim.

O mais é caricatura de mulçumano em mente de cristão. rsrsrs.

Caio Fábio [via Pavablog]