3 de dez. de 2008

Um pastor diferenciado e provocador

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Driscoll é realmente um pastor diferenciado. Sua teologia reformada foi absorvida pela Igreja Emergente. Seu plano de ter uma grande igreja soa aos pós-modernistas como arrogância. Suas raízes na Igreja Emergente preocupa os calvinistas. (more…)

P.S.: Há alguns dias estive com o Daniel Dliver e ele me apresentou Driscoll e alguns outros de teologia reformada. Vale conferir o que esses caras tem pra dizer...

Não troque o certo pelo duvidoso na hora de doar

Poderia ser qualquer outra, mas é a emissora do Bispo, então sou obrigada a falar: a Record está fazendo campanha para arrecadar dinheiro para as vítimas da enchente do norte de Santa Catarina. Foi aberta uma conta em nome do Instituto Ressoar (Instituto Record de Responsabilidade Social, uma ONG da própria emissora. Todos os artistas e apresentadores de programas e tele-jonais da TV Record estão a todo instante lembrando o telespectador que é possível ajudar as vítimas da enchente doando qualquer quantia. Em cada pedido eles afirmam que todo o dinheiro será utilizado para construção de casas para os desabrigados e que todo o processo de arrecadação está sendo fiscalizado pelo Ministério Público.
Até agora (16:20h), segundo dados do Ressoar, já foram arrecadados R$ 4.378.731,55, valor que, segundo a Instituição será utilizado para construir 292 casas populares.

Pois bem, o problema é que o Ministério Público negou que esteja fiscalizando essa arrecadação de dinheiro. Segundo coluna de Daniel Castro, na Folha, o MP afirmou que não auditora esse tipo de campanha e que não autorizou a Record a utilizar seu nome.
Na verdade, a emissora apenas enviou um ofício pedindo a fiscalização da campanha, mas o MP ainda não analisou tal ofício. A Record admitiu que o MP está apenas “acompanhando” a arrecadação e que o erro foi de alguns apresentadores que afirmaram haver “fiscalização” por parte do Ministério Público.

Por via das dúvidas, faça sua doação em dinheiro diretamente na conta da Defesa Civil de Santa Catarina. Nas questões da fé os pastores da Universal não recomendam que devemos ir direto à fonte – Jesus - sem passar por intermediários (santos e santas)? Então siga o conselho deles na hora de doar seu rico dinheirinho para ajudar os desabrigados de SC:

Fundo Estadual de Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57

Caixa Econômica Federal - Agência 1877, operação 006, conta 80.000-8

Banco do Brasil - Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7

Bradesco S/A - 237 Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1

Itaú S/A - 341, Agência 0289, Conta Corrência 69971-2

Santander - 033, Agência 1227, Conta Corrente 430000052


Juliana Dacoregio no Heresia Loira

P.S.: Pois então, é como estou dizendo... tô vendo um monte de instituições abrindo contas para arrecadar dinheiro para ajudar as vítimas de Santa Catarina. Aí penso: mas que raios precisam abrir um monte de outras contas sendo que a Defesa Civil que é o órgão responsável e diretamente ligado ao problema da tragédia, já disponibilizou contas bancárias oficiais para tal arrecadação? Sei não, é como minha mãe sempre dizia: "Esse olho aqui é irmão desse outro!" rs

Diagnóstico denominacional

O que procuro quando quero encontrar uma igreja saudável.

No ano passado, minha esposa e eu fizemos uma experiência. Decidimos procurar a palavra “igrejas” nas Páginas Amarelas e visitar cada uma das que foram listadas no catálogo. Apesar de morarmos em uma pequena cidade, encontramos representações da maioria das denominações, assim como diversas outras não filiadas a qualquer denominação: um total de 24 congregações, se deixarmos de fora grupos como os Testemunhas de Jeová.

Descobri que as igrejas estão bem diversificadas. Algumas ainda têm órgãos e corais, mas a maioria tem bandas de louvor com guitarras elétricas e baterias. Estranhamente, uma Igreja de Cristo proíbe instrumentos musicais que não são mencionados no Novo Testamento, mas não vê contradição em projetar seus hinos em slides no Power Point. Alguns freqüentadores das igrejas se vestem solenemente, enquanto outros usam calça jeans e botas de caubói (afinal, moro no estado americano do Colorado e isto é comum por lá!).

Aos domingos, as igrejas se reúnem em vários horários durante a manhã: às 7:00, às 9:30, às 10:30 e às 11:00; algumas se reúnem aos sábados à noite, e uma igreja luterana se reúne às quintas-feiras à noite. Algumas seguem uma liturgia permanente, outras aparentemente decidem a ordem do culto conforme ele acontece.

Com uma intuição difícil de explicar, geralmente consigo perceber a “vivacidade” de uma congregação em apenas cinco minutos. Havia pessoas conversando no saguão? Ouvi o som das risadas? Que atividades e questões estavam destacadas no boletim dominical? Para minha surpresa, o fator “vivacidade” tinha pouco a ver com teologia. Em duas das igrejas mais conservadoras que visitei, os membros sentavam-se e lá permaneciam durante todo o culto, como se estivessem colados nos bancos, até mesmo a equipe pastoral transmitia a idéia de que seu objetivo principal era chegar logo ao final para receber a bênção. Ao mesmo tempo, uma igreja liberal (que havia reescrito os hinos e até mesmo a oração do Pai-Nosso para torná-la “politicamente correta”) demonstrava mais energia na comunidade e em projetos de alcance global.

Graças a este experimento, agora tenho uma visão mais clara sobre as qualidades que busco em uma igreja saudável.

Diversidade - Conforme leio sobre a igreja do Novo Testamento, nenhuma característica se destaca mais do que esta. Desde o Pentecostes, a igreja cristã derrubou as barreiras de gênero, raça e classe social que marcavam as congregações judaicas. Paulo, que quando rabino agradecia diariamente por não ter nascido mulher, escravo ou gentil, estava maravilhado com a mudança radical: “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3.28).

Um moderno pastor indiano me disse: “A maior parte do que acontece nas igrejas cristãs, incluindo os milagres, pode ser duplicada nas congregações hinduístas e muçulmanas. Mas na minha área apenas os cristãos promovem a mistura de homens e mulheres de diferentes castas, raças e grupos sociais. Este é o milagre real!” A diversidade complica a vida em vez de simplificá-la. Talvez por esta razão tenhamos a tendência de permanecer em grupos da nossa classe econômica e com opiniões parecidas e da mesma faixa etária que a nossa. A Igreja oferece um lugar onde crianças e avós, desempregados e executivos, imigrantes e famílias tradicionais possam se reunir. Ontem mesmo sentei-me entre um idoso com seu tanque de oxigênio e um bebê em fase de amamentação, que fez bastante barulho ao longo do sermão. Onde mais eu poderia encontrar esta mistura? Quando entro em uma igreja nova, quanto mais os membros se parecem uns com os outros e comigo mesmo, mais desconfortável me sinto.

Unidade - É claro que a diversidade só pode ser bem-sucedida em um grupo de pessoas que compartilham de uma visão comum. Em sua grande oração registrada em João 17, Jesus destaca um pedido sobre todos os outros: “que sejam um”. A existência de 38 mil denominações ao redor do mundo demonstra que não tivemos sucesso em cumprir com o desejo de Jesus. Pergunto-me o quão diferente seria a impressão que o mundo tem sobre a igreja, sem contar o quão diferente seria a história, se cristãos fossem profundamente marcados pelo amor e pela unidade. Talvez uma brisa da fragrância da unidade seja o que detecto quando visito uma igreja nova e tenho a percepção da “vivacidade”.

Missão - O arcebispo William Temple disse que a igreja “é a única sociedade cooperativa no mundo que existe para o benefício daqueles que não são membros”. Algumas igrejas, especialmente aquelas localizadas em áreas urbanas, têm o foco nas necessidades de seus vizinhos próximos. Outras adotam igrejas irmãs em outros países, apóiam projetos e agências de desenvolvimento, enviam grupos missionários para outros lugares.

As igrejas mais tristes são aquelas cuja visão não vai além de seus próprios templos e estacionamentos. Em minhas visitas, nunca encontrei a igreja perfeita (e nem devemos ter esta expectativa, segundo as indicações do Novo Testamento). Mas quando tentei julgar e avaliar, simplesmente fui relembrado de que a decepção com a igreja nos remete ao audacioso experimento de Deus: permitir que pessoas comuns como nós personificassem sua presença na Terra.

Philip Yancey no Cristianismo Hoje

P.S.: E você, o que procura?

2 de dez. de 2008

S.O.S Petrobrás + importante q S.O.S Santa Catarina

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Do Blog Arrastão:

Entre 1983 e 1984, enchentes destruíram Paraná e Santa Catarina. Minha mãe, então professora, coordenou uma equipe de voluntários na distribuição de água, comidas, roupas e remédios para os atingidos; acampamos em uma escola estadual de Curitiba para cuidar dos sem-teto.

Além das chuvas, diziam os adultos, o problema estava na má gestão dos recursos públicos.

Vinte e cinco anos passados, o desespero dos "flagelados" está de volta. Um punhado de presidentes alternou-se no poder, mas a administração das verbas arrecadadas continua hermética e questionável.

Guilherme Fiuza, aliás, resumiu bem:

"No auge da crise mundial de crédito, a Caixa Econômica empresta 2 bilhões de reais à Petrobras – na operação que já está sendo chamada de ‘Caixa 2′.

A instituição mais importante do país para investimento em saneamento – essas obras que evitam enchentes – gasta o dobro do que Lula destinou a Santa Catarina para tapar um buraco de caixa na multinacional brazuca."

Gostaria muito de pensar que daqui a 25 anos minha filha verá outras imagens, que o estatismo patropi terá dado lugar ao gosto pelo empreendedorismo, que os brasileiros cobrarão o destino de seus impostos. Mas, infelizmente, alguma coisa se perdeu e eu não consigo.

fonte: Notas de Maurício C. Serafim

Mais um pouco sobre música...



Bem moçada, ainda em clima de saudosismo, queria falar sobre música e pq eu não suporto (peguei pesado) a música evangélica (gospel, ministerial, profética, extravagante) atual. Bem vou tentar fazer um palarelo entre minha vida e o momento musical do momento. Nasci em 1985, bem na época das diretas já, no auge do rock nacional, após tropicália, bossa nova, isso no âmbito "secular". No meio evangélico tinhamos os 15 ou 20 anos dos movimentos de mudança da música cristã iniciados pelo Vencedores por Cristo, tinhamos o nascimento da gospel records e a explosão do rock gospel com oficina, fruto, resgate, e do outro lado a consolidação do rebanhão.

Enfim, tinha música boa de todos os lados, as letras se destacavam pela crítica a sociedade e até mesmo a igreja, dogmas eram quebrados, imagine só um samba na igreja tradicional, ou um rock no meio pentecostal? A música evangélica tomava grande proporções, pessoas cantavam junto com oficina g3 (maiiiiiiiss mais que vencedores!!!) Catedral nos fazia pensar com suas letras poéticas e críticas, e Rebanhão nos fazia ir da adoração a risadas, com letras irreverentes, meu presente de 9 anos, foi um fita do Rebanhão (o príncipio) e Catedral (O sentido).

Não tinha inveja da música secular, pelo contrário, fazia questão de mostrar a todos a qualidade da música dos que louvavam a Deus, mas como disse antes, o mercado crescia, e com isso cresciam os olhos daqueles que sempre viram no evangelho fonte de renda, e outros assim como Judas, se venderam pelas 30 moedas de prata.

O mercado cresceu, as guitarras (que eram criticadas) chegaram a todos os estilos musicais, as letras começaram a agradar mais do que se fazia pensar, o louvor se tornou algo estranho, havia um certo misticismo (acho q é esse negócio de era de aquário, sempre achei estranho qd a Xuxa cantava isso), tudo mudou, os grupos de louvores deslancharam a fazer sucesso, mas um sucesso meio que imposto tipo o que diz naquela música do Titans (a melhor banda de todos os tempos da útima semana) toda semana surgia pelo menos quatro dessas, e como dava lucro, os pastores criavam enxurradas de ministérios que ganhavam membros através de seus grupos de louvor, copiamos tudo que vinha do estrangeiro, ao contrário do início qd nos voltamos ao nacional.

As letras ficam com a parte que mais foi destruída, se baseiam, em chuva, fogo, água, coração, (pela união dos seus poderes eu sou o capitão planeta), rimas medíocres, tocadas em melodias imúndas, por cantores que não são melhores que elas.

O louvor se tornou marca de igreja, as letras que mudavam cabeças, hoje alienam, criam zumbis que repetem frase de chuva, a geração de adoradores se tornou completamente pop, ou melhor pop-stars, enfim por tudo isso acho que chegamos ao fundo do poço, bem lembram quando eu disse q tinha orgulho de mostra a música evangélica? Hj da atual me envergonho, mas também graças a essa leva de grupos fracos, me voltei ao passado, conheci logos, Vpc, Elo, Janires, João Alexandre, Jorge Camargo entre outros, e assim como Elias, vi que ainda existe muitos que não se curvaram a Baal.

Amém,

Neno no Shekinah On Line

P.S.: Concordo em gênero, número e grau... Só eu tive um sentimento de nostalgia aqui?

1 de dez. de 2008

Porque os catarinenses sofrem?

Eu não suportaria ouvir que o povo catarinense é pecador e merece o castigo divino. As teodicéias da teologia clássica não fazem sentido para mim. A explicação que Deus, por sua "vontade permissiva", determinou em tempos imemoriais, por seu "sábio conselho", que em 2008 morressem tantas pessoas soterradas, pode ser coerente para os teólogos de plantão. Menos para mim.

Quero também saber a justificativa dos neopentecostais que prometem vitória, prosperidade e vida blindada. Como ficam agora os cultos na rádio e na televisão em Santa Catarina? Os obedientes, os santos, passaram ilesos pela inundação?

Soli Deo Gloria.
Uma coisa é fazer teologia de cima de torres de marfim. Explicar o sofrimento contingencial com água na cintura é bem diferente.

Ricardo Gondim [dica do Alexandre]

Bento XVI, o papa tecnofóbico

O Vaticano já apontou contra Galileu, contra a teoria da evolução, a pílula, camisinha, aborto, etc. E agora dispara contra o inimigo que lhe faltava: a tecnologia. Numa demonstração de tecnofobia religiosa, o padre católico Federico Lombardi, porta-voz do papa Bento XVI, apareceu no programa "Octavia Dies" da televisão vaticana e deixou os espectadores boquiabertos ao afirmar que a obsessão pela tecnologia moderna, como o celular e internet, não está deixando tempo suficiente para que as pessoas se dediquem a tarefas espirituais.

- "Na era do celular e internet é mais difícil que nunca proteger o silêncio e perceber a dimensão interior da vida. Se não cuidarmos de nutrir a vida espiritual, podemos chegar a secar. Se isso não for cultivado, os seres humanos correm o risco de perder suas almas".

As palavras de Lombardi, responsável pelo escritório de imprensa do Vaticano, em realidade, chocam claramente com a realidade "hiper-tecnologizada" da Igreja católica (que obviamente tem seu web site, www.vatican.va).

Em 2005, o Vaticano, por exemplo, anunciou aos jornalistas a morte do papa João Paulo II por SMS e e-mails. "O Santo Padre faleceu esta tarde às 21.37 em seu apartamento privado", dizia a mensagem.

De fato, a morte de Karol Wojtyla foi um dos acontecimentos mais vistos pela internet naquele ano: mais de 990 mil referências ao falecimento, cerca de 60 mil artigos sobre a tradição do vaticano, apostas para saber quem ia suceder João Paulo II e ofertas de viagens para ir a Roma.

E mais. Não faz um mês que uma assembléia de bispos reunidos durante três semanas para pensar como fomentar a divulgação da bíblia concluiu que o texto escrito em papel não bastava. "A voz da palavra divina deve ressoar através de rádios, canais de internet, CD, DVD e iPods", argumentavam num comunicado, onde voltavam a insistir: "Há que invadir as telas de televisão e cinema, a imprensa, os certames culturais e sociais".

Em sua cruzada para afiliar mais cristãos, as estratégias tecno-católicas diversificaram-se: criaram uma versão religiosa do YouTube chamada GodTube, uma rádio on-line conhecida como GodPod, impulsionaram uma versão católica do popular video-jogo musical Guitar Hero; chama-se Guitar Praise, custa 150 dólares e em sua lista de músicas figuram canções de rock cristão como "Jesus Freak". Até os cardeais uniram-se à cultura blogger: assim fez Sean O'Malley, o primeiro cardeal estadunidense em contar com um blog, o Cardinal Seans Blog no qual coloca orações, fotos de sua igreja em Boston e imagens de "garotos" (na missa).

Sabe-se, ademais, que os computadores do Vaticano usam Linux e que a nova camada de sacerdotes olham com atenção o iPhone. Daí que entre as aplicações do telefone multiuso da Apple que mais causam furor atualmente figura um conhecido como iBreviary, que põe na palma da mão de seus usuários o Breviário (Liturgia das horas ou Ofício Divino), que consiste basicamente na oração quotidiana em diversos momentos do dia.

Já foi baixada por mais de 10 mil pessoas. Seu inventor é o sacerdote italiano Paolo Padrini, claro opositor do tecnófobo Lombardi. O padre tecnofílico inclusive já alavancou o futuro da religião através da Web 2.0 e criou um fórum no Facebook chamado Praybook. Ideal para conhecer gente enquanto se ora.

Já por ocasião da tragédia em Santa Catarina o papa, ao invés de abrir as burras do banco do Vaticano, enviou uma benção aos sinistrados. Já o seu Zé, "faz tudo" aqui do bairro e que ganha "malemá" -como ele próprio diz- um salário mínimo por mês, separou roupas, alimentos e enfrentou fila de banco para depositar 5 reais.

fonte: MDig

P.S.: O "Santo" Padre, né?!

Enfeites de Natal


O Natal é um período mágico para muitas pessoas. Mas, para mim não. Sempre achei o Natal e o Ano Novo sombrios. É uma sensação que carrego desde criança.

Não tenho nenhum trauma inerente que explique esse sentimento. Meus pais não tinham dinheiro para bancar um dezembro da forma como a cultura consumista prega. Mas, não era um suplício para nós. Na verdade minhas recordações dos dias de Natal e Ano Novo são de ficar assistindo as programações da Globo depois de uma boa janta com meus pais e irmãs.

Lembro que no meu quarto, sozinho, cantava Parabéns pra você a Jesus. Achava que era o que devia ser feito já que comemorávamos o nascimento dele. Esboço um sorriso lembrando da inocência e pureza em meu coração.

Na verdade não consigo me alegrar como todas as pessoas na época do Natal. Não consigo me exultar como a data manda. É que penso que é uma época tão difícil para tantos outros que sofrem porque não conseguem passar um Natal e um Ano Novo da maneira como veem na TV que não consigo parar de pensar na banalidade da data. O apelo comercial chega a me enojar por causa disso. Sinto que há um certo desrespeito e desconsideração com os que não tem recursos para conseguir uma Ceia com peru e vinho e bastante comida pra reunir toda a família. Que não tem como comprar presentes para os filhos. Montam uma pequena árvore de Natal que serve como contraste social. Não sei, acho muito triste tudo isso!

Os primeiros cristãos sequer comemoravam o Natal. E de fato não é uma comemoração bíblica. Mas, com certeza é uma data comercial. Claro, a economia precisa se mover e é um período oportuno para tal. Mas, creio que esse lance comercial poderia ser menos agressivo e invasivo.

Gasta-se muito dinheiro com futilidades natalinas. As cidades ficam enfeitadas e exuberantes, mas, escondem seus desabrigados e meninos de rua em becos e vielas escuras que não brilham como as luzes de Natal. Negligencia-se os velhos nas praças e calçadas enquanto a atenção é voltada para o simpático Papai Noel, um velhinho mais agradável às vistas.

Não sou nem um pouco empolgado com a reluzência da data. Não acho isso bonito. Bonito é o povo sendo solidário. É a mobilização nacional em favor das vítimas em Santa Catarina. Bonito é a distribuição de cobertores e comida para moradores de rua. Bonito é proporcionar um Natal digno para os que já sofreram tanto durante o ano, e dar-lhes esperanças para um próximo.

Hoje aqui no trabalho vieram me pedir uma contribuição para enfeitar o ambiente com pisca-pisca, árvore de Natal, bolinhas, enfeites e essas coisas todas. Olhei para elas e disse: Não consigo contribuir para enfeitar uma árvore de Natal sabendo que posso contribuir com a amenização do sofrimento das vítimas de Santa Catarina. É pouco? Sim. Mas, prefiro doar meu pouco para algo mais nobre do que para algo tão frívolo. Sentiria muita vergonha de ter a oportunidade de ajudar e ao invés disso, tirar 1 ou 2 reais da minha contribuição para enfeitar uma inútil árvore de Natal. 1 ou 2 reais já seriam algumas pastas de dentes a menos para eles,ou alguns sabonetes a menos, ou algumas escovas de dente a menos, ou alguns pães a menos em algum dia, etc, etc... num momento como esse as necessidades mais básicas são faltas terríveis numa rotina já tão sofrível!

Ah, fazer o que? A galera aqui já sabe que sou radicalzinho mesmo...